WSL 2019/2020: resumo da temporada do Manchester United

Apesar do saldo positivo, é preciso conseguir diferenciar o sucesso de uma marca para o de um projeto

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WSL 2019/2020: resumo da temporada do Manchester United
Lewis Storey/Getty Images

Com o fim da WSL 2019/2020, a PL Brasil preparou um resumo da Women’s Super League. São análises de todos os doze times e a seleção da temporada, para você ficar por dentro do que aconteceu no Campeonato Inglês feminino! Neste texto, vamos falar da WSL 2019/2020 do Manchester United.

Texto produzido por Karyne Teixeira e Lucas Pires.

O Manchester United Women foi fundado em 28 de maio de 2018. Dez dias depois, Casey Stoney foi anunciada como a treinadora responsável por conduzir o projeto. Sob seu comando, uma campanha irretocável na FA Women's Championship (segunda divisão) 2018/2019 foi construída.

Com 18 vitórias, um empate e uma derrota, 98 gols marcados e apenas sete sofridos, o  acesso foi obtido com duas rodadas de antecedência. Assim, gerou-se muita expectativa na torcida do Manchester United em relação à WSL 2019/2020, estreando na elite.

A PL Brasil analisa o desempenho na WSL 2019/2020 do Manchester United.

Primeiros passos na elite

Para a temporada de estreia na primeira divisão, Casey Stoney contratou sete jogadoras: Hayley Ladd, Jane Ross, Mary Earps, Aurora Mikälsen, Lotta Ökvist, Abbie McManus e a estrela holandesa da Copa do Mundo, Jackie Groenen.

A tabela não foi nada generosa às Red Devils. Logo de cara vieram confrontos contra Manchester City, Arsenal, Liverpool e Tottenham. Duas derrotas iniciais pelo placar mínimo – apesar de um bom nível apresentado – não abalaram o time, pois vieram seguidas de duas vitórias convincentes.

A primeira parte da temporada ia se desenhando com uma equipe forte defensivamente. Muitas jogadas eram criadas a partir de bolas paradas e lançamentos de Katie Zelem, do contra-ataque e das individualidades do ataque. Isso lhes rendeu a quarta colocação, com 1,64 ponto de média – atrás somente do Big Three (City, Arsenal e Chelsea).

Leia mais: Manchester United Women, a grata surpresa do começo da temporada feminina na Inglaterra

Espinha dorsal

Com a gravidez da experiente goleira Siobhan Chamberlain, o United foi ao mercado e contratou Mary Earps e Aurora Mikälsen. A primeira, apesar de demonstrar insegurança em alguns momentos, assumiu o posto e conseguiu se firmar entre as titulares.

Na zaga, Abbie McManus e Millie Turner permaneciam intocáveis, compensando a falta de velocidade com um bom posicionamento. O maior problema da equipe residia nas companheiras da linha defensiva: as laterais.

Amy Turner e Martha Harris foram as que mais atuaram, mas quem melhores se apresentaram, quando escaladas, foram Kirsty Smith e Lotta Ökvist. Entretanto, Casey preferiu as duas primeiras. A situação assim persistiu até o fim da competição.

A trinca de meio-campo formada por Katie Zelem, Hayley Ladd e Jackie Groenen (e, por vezes, Ella Toone) dava robustez e dinâmica à equipe. Ladd era quem ficava mais recuada como peça importante na saída de bola. Zelem e Groenen chegavam mais ao ataque: tendo a primeira uma arma na bola parada; e a segunda na infiltração à área adversária.

No ataque, Jessica Sigsworth, tão importante na campanha de acesso, não conseguia repetir o mesmo desempenho e deu lugar a uma grata surpresa: Kirsty Hanson. Ela se juntou à Leah Galton e Lauren James, formando um trio de ataque jovem, veloz e letal. Com individualidades e muitas jogadas trabalhadas, oportunidades surgiam aos montes.

Destaque da temporada: Lauren James

Com 18 anos de idade e aos olhos de Casey Stoney, ela tem talento de futura melhor jogadora do mundo. Foi com a confiança da treinadora que a atacante Lauren James conseguiu se desenvolver. Consequentemente, conquistou o merecido espaço entre os principais nomes das Diabas Vermelhas.

Apesar de pouca experiência – seu primeiro contrato profissional foi assinado apenas em dezembro de 2019 – James demonstra em campo uma maturidade difícil de encontrar em jogadoras da sua idade. Na temporada, em 11 partidas como titular, foram nove gols marcados.

Seu futebol não restringe aos números, visto que a facilidade ao redigir uma partida encanta até o torcedor mais duro na queda. Uma partida formidável e exemplar da atacante na temporada foi contra o rival Liverpool, na terceira rodada.

Ali foi provado que Lauren era capaz de ser um dos principais rostos não só do Manchester United, mas de toda a WSL 2019/2020. Sua capacidade de entender o jogo foi colocada à prova depois de um primeiro tempo apagado. Para se sair bem, era preciso buscar a bola e abusar de seu talento.

No segundo tempo, Lauren James apareceu em sua máxima essência. De acordo com o aumento de liberdade, pôde incomodar as adversárias em distintas áreas do campo e servir como arma letal enquanto tem a posse. O gol, muito bonito, foi uma recompensa à parte. A partida acabaria em 2 a 0 e o time entraria nos trilhos a partir dali.

James já desperta interesse de times como o Lyon, atual campeão da Europa. O caminho ainda é longo, porém, sabe-se que é muito promissor. Ao passo que chegou ao United junto ao Arsenal em 2018, são 26 gols em 29 partidas como titular. Além de, claro, convocações para a seleção inglesa – atualmente ainda na categoria sub-19.

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Lições e expectativas

Hoje em dia, o nome Manchester United por si só é muito maior do que apenas um time. Apesar do saldo positivo, é preciso conseguir diferenciar o sucesso de uma marca para o de um projeto.

A criação da equipe feminina foi feita com zelo e logo colheu frutos pelo tamanho da marca. Contudo, o embalo do domínio na segunda divisão foi logo controlado ao chegar à elite inglesa. Para alcançar grandes forças, como o atual Big Three, sabia-se que era preciso mais.

Casey Stoney já mostrou que não planeja investir em estrelas para chegarem, ganharem fortunas, ficarem pouco tempo e não deixarem um retorno duradouro ao clube. A linha de trabalho da inglesa é o desenvolvimento da base e a formação de atletas.

Isso vem se evidenciando, já que o Man United tem uma das menores médias de idade nas competições disputadas. Mas a comandante também sabe que é preciso mais tempo, mais peças e mais organização. Posições precárias precisam ser resolvidas com boas jogadoras e, algumas vezes, a contratação de uma atleta mais tarimbada é necessária.

De toda forma, o grande passo já foi dado: bom desempenho desde a criação até a expectativa pós-acesso. Agora, eis o momento de trabalhar de maneira mais racional e deixar o emocional de lado.