Guia da WSL 2019/20 – Parte III: o impacto da Copa do Mundo

Sucesso do Mundial 2019 impulsionou futebol feminino também na Inglaterra

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Ellen White England World Cup celebration Robert Cianflone Collection Getty Images Sport
(Credit Robert Cianflone Collection Getty Images Sport)

Confira a terceira parte do Guia da WSL 2019/20 da PL Brasil para a nova temporada da Women’s Super League!

Na terceira parte, iremos abordar os impactos da última Copa do Mundo dentro da liga inglesa para a atual temporada.

Copa do Mundo Feminina

A Copa do Mundo de 2019 trazia grandes expectativas devido ao momento em que seria disputada. Com a luta pelos direitos iguais borbulhando graças às altas temperaturas, se esperava uma quantidade alta de público e espectadores – um bilhão em todo o mundo.

As projeções eram muito boas. Mais de 800 mil ingressos foram vendidos antes mesmo de a competição ser iniciada. As partidas de semifinal e a grande final estavam esgotadas – isso tudo com apenas 48 horas de abertura da venda das entradas.

A realidade, no entanto, se mostrou melhor do que os presságios mais otimistas, com sucesso de vendas e batendo recordes de transmissão em diversos países ao redor do globo.

Leia mais: Guia da WSL 2019-20 – Parte I: o futebol feminino na Inglaterra

Na Inglaterra, os números chegaram a seis milhões de espectadores. Já o Brasil ficou com o maior público da história da competição. No jogo entre Brasil e França, nas oitavas de final, foram 59 milhões de telespectadores ao redor do mundo e 35 milhões somente em solo tupiniquim.

O campeonato também serviu para desmistificar conceitos pré-estabelecidos sobre o futebol feminino não estar em nível avançado. Seleções como Holanda e a própria Inglaterra demonstraram que não é somente nos EUA que se joga de forma competitiva.

Não foi à toa que houveram destaques vindos de diferentes lugares. Foram três as artilheiras da Copa do Mundo: Megan Rapinoe (EUA), Alex Morgan (EUA) e Ellen White (ING).

Foram cerca de 57,9 mil pessoas que assistiram à partida da decisão entre EUA e Holanda em Lyon. Uma festa sem precedentes e que provavelmente mudou de vez os rumos do cenário feminino de futebol. O impacto primário foi uma votação vencida na FIFA de forma unânime para que a próxima Copa tenha 32 participantes, o que nunca havia acontecido.

Os recordes não ficaram apenas no período de Copa. Para a próxima edição, dez federações já se candidataram para serem as sedes. Entre elas estão: África do Sul, Austrália, Japão, Bélgica, Coreia do Sul e Brasil.

Destaques individuais da Copa do Mundo

O Mundial proporcionou diversos destaques nessa edição e muitos deles tiveram passagens ou atuam na FA WSL.

Entre as goleiras, que mostraram uma evolução tremenda nos últimos anos, podemos destacar a holandesa Sari Van Veenendaal, atualmente no Atlético de Madrid e ex-Arsenal, eleita a melhor da posição no mundial.

A sueca Hedvig Lindahl, atualmente no Wolfsburg e que atuou no Chelsea também foi destaque, assim como a chilena Christiane Endler, outra que defendeu o Chelsea e atualmente joga pelo Paris Saint-Germain.

A inglesa Lucy Bronze, tida como a melhor lateral direita do mundo e que vem atuando em novas posições na seleção, foi destaque e não à toa: eleita a melhor jogadora da Europa na última temporada.

Outros nomes que merecem destaque são o da zagueira e capitã da Inglaterra Steph Houghton, que atua no Manchester City; a volante norte-americana Julie Ertz; a meio-campista holandesa Jackie Groenen, que defenderá o Manchester United; além das já citadas Megan Rapinoe, Alex Morgan e Ellen White. Esta última foi anunciada como novo reforço do Manchester City.

O futebol feminino na Inglaterra

Lionesses em ação na Copa do Mundo 2019 (Foto: Alex Grimm/Sport/Getty)

Para um país que teve o futebol feminino banido em meados do século XX, a Inglaterra possui um dos cenários mais promissores no quesito evolução.

A seleção chegou à semifinal da Copa do Mundo; a FA WSL já teve Chelsea, Manchester City e Birmingham City chegando às semifinais da Uefa Women's Champions League; e o Arsenal venceu a competição continental na temporada 2006/07.

O novo aporte financeiro, além dos clubes de camisa abrindo seus estádios para os jogos de suas equipes femininas, são fatores importantes no sucesso da WSL 2019/20. Não à toa, o dérbi de Manchester, que abre o torneio, será realizado no Etihad Stadium.

A empresa Barclays, que por anos foi patrocinadora master da Premier League e ajudou a tornar a competição o que é hoje, anunciou em março deste ano que irá incentivar o cenário feminino. O novo contrato é de três temporadas e deve aumentar a premiação do torneio, além de gerar investimentos nas categorias de base.

Times de grandes marcas também chegam para a competição, como é o caso do Manchester United. O clube estava na segunda divisão na última temporada e agora terá seu representante feminino na elite do futebol inglês. O Tottenham também conquistou o acesso para a WSL 2019/20.

Outro fator importante para uma mudança de patamar é a empolgação gerada pela campanha das inglesas no Mundial. A chegada até as semifinais, aliada à força de nomes como os de White, Parris, Bronze e Houghton ou das atletas estrangeiras que estão na WSL, pode incentivar o público a comparecer nos estádios. Isso gera ainda mais apelo e, principalmente, mais renda para ser reinvestida no cenário.

Produzido por Bruno Bezerra e Lucas Bichão