Série ‘Bem-vindos ao Wrexham’: por que você deve parar agora para assistir

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Quem é fanático por futebol tem tudo para gostar da série documental “Bem-vindos ao Wrexham”, da Star+. A história por si só já é única. Dois atores de Hollywood, que apesar de estarem começando a acompanhar futebol há pouco tempo, compram o terceiro clube mais antigo do mundo. Eles se envolvem de corpo e alma nesse time da quinta divisão inglesa localizado em uma pequena cidade galesa, com população de apenas 60 mil pessoas.

Os 18 episódios contam o início dessa trajetória até o fim da temporada 2021/22, a primeira em que os atores Ryan Reynolds (“Deadpool”) e Rob McElhenney (da série “It's Always Sunny in Philadelphia”) assumem o comando do clube que pagaram à época cerca de 1 milhão de euros (R$ 5,6 milhões na cotação de hoje) para serem donos. “Mas por que o Wrexham?”, perguntam dezenas de torcedores no início dessa jornada inusitada.

–Nós não tínhamos uma conexão (com o clube), só tínhamos um pressentimento–, explica McElhenney ao conversar com torcedores no modesto estádio Racecourse Ground, com capacidade para pouco mais de dez mil pessoas.

Quem é o dono Wrexham?

A série do Wrexham detalha não só a vida de um clube antes com suas modestas glórias, mas afundado por conta de fantasmas do passado. Ela também se debruça sobre personagens comuns do dia a dia: o jovem meia que enfrenta um problema familiar, um esperançoso dono de um bar esportivo localizado ao lado do estádio, dentre tantas outras pessoas com histórias singulares de amor ao clube.

O canadense Reynolds e o americano McElhenney também se aventuram não somente no cargo de donos de um time de futebol, mas no processo de começar a viver as dores e os prazeres que esse esporte proporciona além dos 90 minutos de partida. Ambos mostram que ainda estão aprendendo muitas coisas sobre futebol — inclusive algumas regras básicas do jogo. Em um esporte de baixa pontuação, em oposição mais populares nos Estados Unidos, o futebol parece ser um terreno mais fértil para o imponderável.

Ryan Reynolds e Rob McElhenney engajados

Os dois atores dão sinais claros de que querem se envolver com o clube, mas também com a cidade, mesmo estando na maior parte das vezes do outro lado do Atlântico.

Quem conhece futebol inglês há mais tempo sabe que investidores americanos não gozam de tanto prestígio por lá. Alguns empresários milionários deixaram péssima impressão em grandes clubes como o Liverpool (George Gillett e Tom Hicks), mas também em outros times médios e pequenos. Para isso, a franqueza de Reynolds e McElhenney no Wrexham é fundamental para quebrar a barreira da desconfiança com os torcedores.

A chegada de dois atores ao Wrexham atrai atenção da mídia internacional, além de contratos de patrocínio com grandes empresas, incluindo a rede social TikTok. Com o grande aporte financeiro da dupla — algumas vezes sem tanta cautela –, o sonho de voltar à quarta divisão se torna mais palpável, mas a realidade é muitas vezes crua.

No futebol, a estrada quase sempre é tortuosa. De contratações que não dão certo a jogadores de destaque que se lesionam. Mas são os obstáculos no caminho que fazem a viagem valer a pena. A própria temporada do Wrexham ajuda a série a ser atraente. Vitórias inacreditáveis, derrotas pesadas, visita a Wembley e um fim de temporada (e série) marcantes.

Acompanhar uma série documental de um time desconhecido do público brasileiro e que está na quinta divisão do futebol inglês pode parecer loucura. Mas todos esses ingredientes fazem dessa história envolvente até o último episódio, que traz grandes emoções. 

Série do Wrexham: onde assistir na TV e online?

Para ver a série do Wrexham só é possível no serviço de streaming da Star+. A transmissão online é a única forma de acompanhar a obra documental, que não é passada no canal da ESPN.

Pedro Ramos
Pedro Ramos

Subcoordenador na PL Brasil. Ex-Estadão e TNT Sports. Formado em Jornalismo e Sociologia.

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