Os segredos e virtudes do Wolverhampton, que está de volta à Premier League

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Mais vitórias, menos derrotas, melhor ataque e segunda melhor defesa. 92 pontos somados de 126 possíveis. O “melhor líder” das últimas edições nessa altura do campeonato, que sempre teve disputas acirradas. Essa é a excelente campanha do Wolverhampton Wanderers na Championship e que agora está de volta à Premier League.

Qual o segredo dos comandados do português Nuno Espírito Santo?

Precisamos voltar no tempo pra entender, começando pela direção: em 21 de julho de 2016, o Wolves foi vendido ao grupo chinês Fosun International, numa negociação demorada e complicada.

Na primeira temporada, o grupo investiu em alguns jogadores, mas preferiu “arrumar a casa” primeiro. Nesse primeiro ano da nova direção, 3 técnicos passaram e se foram: Kenny Jackett, Walter Zenga e Paul Lambert. O 15º lugar na temporada passada foi uma consequência da bagunça, mas também serviu de aprendizado.

O segundo ponto foi a escolha do treinador e o mercado de transferências. O escolhido da direção pra comandar o clube em 2017/2018 foi o bem cotado português Nuno Espírito Santo, que veio do Porto preterindo ofertas de times mais famosos, com uma missão clara e definida: conseguir o acesso.

Cofres cheios e caras novas

O Wolves abriu os cofres e surpreendeu a Inglaterra com contratações caras, muito boas e surpreendentes, como os casos de Rúben Neves: o meia português era cotado em outros times importantes da Europa, mas foi seduzido pelo projeto dos Lobos e aceitou uma proposta de mais de 15 milhões de libras, a maior contratação da história da Championship.

Além de mudar o nível do clube, Neves atraiu a atenção para o poderio financeiro dos clubes da Championship, e mostrou também que os times não estão para brincadeira. Além dele, chegaram o excelente Diogo Jota, o brasileiro Leo Bonatini, que fez muitos gols no início da temporada, entre outros.

O terceiro e mais importante ponto é a montagem do time taticamente: Nuno Espírito Santo já começou surpreendendo, com uma formação em 3-4-3 bastante incomum na Championship pela ofensividade, e que deu muito certo.

O trio de ataque formado na maioria das vezes por Leo Bonatini, Diogo Jota e Helder Costa foi bem assistido pela qualidade de Ruben Neves mais atrás, e também contando com a excelente fase do meia Roman Saiss. Nas primeiras 15 rodadas, o Wolves anotou 27 gols, e conquistou 32 pontos em 45 possíveis, que alavancaram o time rumo à liderança.

Os trunfos de Nuno no Wolverhampton

Da 15ª rodada em diante, o time nunca teve a liderança de fato ameaçada. Além disso, se tornou um dos times mais legais de se ver jogar na Championship nos últimos tempos. Apresenta um futebol bem jogado, com obediência tática, excelente toque de bola e incrível competitividade.

Mas afinal, o que os torna tão especiais? Você deve começar com o técnico Nuno, seu “X-Factor”, sem dúvida.

Ele talvez não tenha sido bem cotado quando chegou à Inglaterra, mas sua reputação com os jogadores estrangeiros em particular, fez com que conquistasse o respeito instantâneo.

Pessoas próximas e que vivem o dia-a-dia do clube dizem ser não apenas ser um excelente gerente de equipe, mas um treinador impressionante em treinamento – e, talvez, o mais importante, um cara sincero.

A sua nacionalidade portuguesa obviamente lhe dá uma vantagem com grande parte do elenco, que tem grandes egos. Ele os mantém fundamentados e concentrados onde talvez os predecessores não o tenham feito.

Considere a recuperação da forma de um jogador como Ivan Cavaleiro. Ele deu o ar de alguém que não se importou quando foi expulso após 33 minutos contra o Derby no final da última temporada. Agora é o jogador favorito da maioria dos fãs, e com razão.

Além de todo o talento de seus compatriotas, profissionais britânicos experientes como John Ruddy e Conor Coady ainda desempenham um papel vital na equipe. Um jogador como Barry Douglas, cuja entrega é louvável na ala esquerda, dificilmente se encaixaria nessa posição, digamos, num time de Neil Warnock.

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Defensivamente, são organizados, com os três zagueiros e segurando os meio-campistas Neves e Romain Saiss, o que significa que geralmente há sempre cinco na linha defensiva.

E ao contrário dos gostos de Reading e Fulham, eles não estão obcecados em atacar o tempo todo. Bolas longas e verticalidade sim, mas somente quando a situação permitir.

As pessoas apontam para o seu grande gasto da janela de verão, apoiada pelos proprietários chineses Fosun, que lhes dá uma vantagem.

Embora algumas taxas de transferência tenham sido enormes, os salários não são. É um balanço financeiro mais apertado do que se pensa, então aqueles que sugerem que o Fair Play Financeiro será um problema, bem… não é o que parece no momento.

Jorge Mendes, o super agente de Mourinho e Cristiano Ronaldo, desempenhou um papel fundamental, trazendo grande parte do talento português para o clube, já que Ruben Neves e Diogo Jota, por exemplo, tinham propostas de times e ligas maiores.

Nos jogos mais decisivos da temporada, todo o investimento feito em Rúben Neves foi recompensado. Com sobras o melhor jogador da temporada, o português resolveu dois jogos complicados. Ele brilhou contra o vice-líder Cardiff e diante do Derby.

Está de volta à Premier League um dos times mais fortes a subir nos últimos tempos, e que pode fazer uma grande campanha na elite do futebol inglês. É o que nós esperamos.

Texto por Edmar Assis, do Championship Brasil

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