As contribuições do inovador Wilder e do capitão-torcedor Sharp para o acesso do Sheffield United

Blades retornaram para a elite do futebol inglês

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As contribuições do inovador Wilder e do capitão-torcedor Sharp para o acesso do Sheffield United

É raro, mas sempre muito bacana, quando um torcedor se sente representado dentro de campo durante uma partida de futebol do seu time de coração. Quase sempre que acontece esse tipo de química envolvendo bancada e gramado não dá outra: vemos um ídolo se formar. Quem acompanha o Sheffield United há algum tempo sabe que tal correlação pode ser feita facilmente com seu atual capitão.

William “Billy” Sharp não faz apenas que o frequentador do estádio Bramall Lane se veja nas atuações do clube inglês, ele é o próprio torcedor-jogador.

Natural de Sheffield, fã dos Blades desde criança e revelado pelo seu atual clube, pode-se dizer que o experiente atacante, de 33 anos, está realizando um sonho ao participar diretamente do retorno do seu time de coração à Premier League.

E que participação, diga-se. Na campanha que levou o United até o vice-campeonato da Championship, Sharp esteve envolvido diretamente em 28 gols, sendo 23 tentos anotados por ele, além de mais cinco assistências.

Depois do centroavante, apenas na 17ª colocação com 15 bolas na rede, aparece o rodado irlandês David McGoldrick, ex-Ipswich.

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A boa fase de Sharp fez com que os Blades decolassem na tabela Foto: Getty

O acesso do Sheffield se torna ainda mais importante para Sharp pois ele, ainda jovem e recém-promovido aos profissionais, acabou se frustrando bastante por não ter participado do último ano dos Blades na elite do futebol inglês.

Já faz um bom tempo, inclusive. Foi na temporada 2006/07, que além de contar com a presença do United, também possuiu como participantes clubes como Bolton, Blackburn, Charlton, Portsmouth e Reading. Ainda em 2005, um jovem e promissor Sharp, acabou vendido ao modesto Scunthorpe United.

Em seu novo clube, o centroavante fez sucesso e marcou vários gols: foram 56 tentos em 95 jogos. Logo ele estaria de volta ao Bramall Lane, mas novamente sem conseguir mostrar todo seu potencial.

O destino, contudo, aparentava reservar algo mais para a relação Sharp-Sheffield. E estava lá, muito bem escrito. Dizem que o tempo cura tudo, não foi diferente nesta história.

Pelo jeito, a tradição de torcer para o United vai se perpetuar na família Sharp
Foto: Reprodução/Youtube

Já em 2017, o atacante ajudou o United no acesso para a Championship com o título da League One. Em entrevista recente à BBC, o ídolo dos Blades fez questão de lembrar de toda a sua passagem e alguns incômodos que carregava.

“Conquistar um acesso com seu time de infância é uma coisa, mas fazer de novo e levar o clube até a Premier League é algo incrível. Vou fazer questão de aproveitar cada minuto”, disse empolgado.

“Eu sabia que teria que fazer de tudo para garantir essa vaga, por não ter conseguido da outra vez. Fiquei chateado quando deixei o clube, mas agora estou bastante feliz por estar aqui. Vamos viver o momento”

As variações táticas de Chris Wilder  

Esquema com três zagueiros em 2019? Sim, senhor. Quem vê de fora e pensa que está de cara com uma tática defasada só precisa assistir um jogo do Sheffield para mudar de opinião. A maneira como Chris Wilder molda o seu time é de dar gosto, principalmente por um motivo chave: as variações.

A equipe inicia a partida no 3-4-2-1. Porém, se por ventura passar a precisar marcar gols muda rapidamente para um 3-5-2 clássico. Tento anotado e necessidade de segurar a peleja lá atrás? Sem problemas, os alas recuam e o time atua em um 5-3-2 sólido.

O jogo tático de Wilder foi essencial para a criação de um padrão por parte do Sheffield
Foto: Getty

Desta maneira, sempre se adequando a proposta que o desafio pedia, os comandados de Wilder se limitaram a nove derrotas apenas, além de 11 empates e 26 vitórias. Para não dizer que não falei das flores, e apenas do ótimo Billy Sharp, aqui vai o reconhecimento (merecido) para outras peças do bom time do Sheffield.

Começo com Enda Stevens. Confesso que gosto do seu futebol desde os tempos de Portsmouth. Com a camisa dos Blades, o lateral-esquerdo manteve o nível de boas atuações, mesmo subindo o nível de divisão. Foi boa válvula de escape para o vice-campeão da Segundona.

Pelo meio, a dupla Norwood (nove assistências) e Fleck (oito assistências) soube municiar muito bem o ataque comandado por Sharp e McGoldry. Este, já citado anteriormente no texto, vale também uma maior ressalva.

O jogador da Irlanda, experiente, foi de muita valia dentro de uma competição tão entrincheirada como a Championship.

McGoldry (centro) também foi peça importante na conquista do acesso dos Blades Foto: Focus Images

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Também é válido salientar uma característica quase que inexistente, por mais incrível que pareça, em times de certo sucesso nas duas principais divisões da Inglaterra: a ausência de jogadores de fora do Reino Unido e Irlanda. É algo raro, ainda mais no cada vez mais globalizado futebol britânico.

Entretanto, como o goleiro Dean Henderson ressaltou em entrevista à BBC logo após o acesso à Premier League ser selado, o time obviamente precisará buscar reforços no mercado. Muitos jogadores do elenco da atual temporada sequer possuem minutagem dentro da elite inglesa. Isso pesa. E como pesa.

É preciso saber também contratar. Mais do que isso, achar uma maneira de manter o seu jeito de jogar. O Sheffield tem em dois ex-concorrentes de Championship exemplos claros do que fazer e não fazer após subir.

De um lado, temos o Wolverhampton, com um padrão de jogo definido e contratações pontuais que o fizeram desempenhar ótima campanha. Na outra ponta, vemos o Fulham, que fez tudo errado e viu o ano desidratar rápido, em forma de vergonha.

Agora só resta aos Blades e sua apaixonada torcida projetarem um futuro ainda melhor. Potencial para tal existe, talento e organização também. Ah, claro, sem esquecer da força das arquibancadas muito bem representada do lado de dentro dos gramados.

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1 COMENTÁRIO

  1. Ótimo texto; só faltou citar uma pessoa importante. J.Egan
    Zagueirasso, hoje o capitão do time na Premier League

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