Wellington Paulista: ‘Não me senti frustrado na Inglaterra’

Jogador teve oportunidade com a camisa do West Ham

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Foto: Paulo Matheus

Em meio a um sentimento de escassez de informações misturado com a surpresa que envolveu toda a transferência, o atacante Wellington Paulista, que hoje defende o Fortaleza, topou conceder entrevista e aprofundar seus meses de Premier League com a camisa do West Ham para a PL Brasil.

PL Brasil entrevista Wellington Paulista, ex-West Ham

Atualmente, o experiente atacante defende o Fortaleza, de Rogério Ceni, e se prepara para mais uma Série A do Brasileirão Foto: PM Motta

Transferência repentina

O ano era 2012 e WP9 vivia seu melhor momento na carreira. O jogador, que já contava com passagens por Santos, Botafogo, Palmeiras e Alavés-ESP, defendia o Cruzeiro. Na Raposa, o centroavante anotou 24 gols em 42 jogos, valorizou seu passe e chamou a atenção do West Ham.

Sob o comando de Sam Allardyce, o Big Sam, os Hammers andavam com problemas para balançar a rede naquela temporada. Querendo mudar tal cenário, o time de Londres resolveu se mexer no mercado atrás de mais opções. Segundo Wellington, seu empresário foi procurado ainda em junho de 2012, mas as negociações não caminharam.

Já em janeiro, dentro da janela de inverno de transferências, a coisa andou e o atacante foi cedido por empréstimo pelo Cruzeiro ao West Ham até julho de 2013. O contrato ainda previa uma possível extensão de vínculo. Tudo dependia, claro, do desempenho do atacante brasileiro.

Apesar da surpreendente negociação, Wellington Paulista se manteve confiante em sua chegada ao West Ham Foto: West Ham TV

Em sua primeira entrevista para a West Ham TV, logo quando chegou na Inglaterra, Wellington Paulista se mostrou deveras confiante.

“A pressão não será um problema para mim, porque estou acostumado com isso no Brasil. Vim para a Inglaterra para provar para todos que sou um dos melhores atacantes do Brasil e melhorar ainda mais”. Animador, hein?

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Porém, logo em seus primeiros dias, WP já viveu um grande problema: a falta de ritmo. Por conta da diferença de calendário, o jogador estava parado, enquanto Big Sam precisava de alguém “para ontem”, devido aos problemas no ataque.

“Eu estava de férias com a minha família, em Recife, e recebi a notícia do interesse do futebol inglês. Fui para São Paulo, peguei minhas coisas, acertei tudo com meu empresário e fui”, conta.

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Por estar sem jogar quando chegou, Wellington pediu para a comissão técnica poucos dias para realizar uma espécie de pré-temporada. Enquanto isso, o elenco principal do West Ham se preparava para passar alguns dias em Dubai, além de realizar um ou dois jogos-treino, prática comum entre clubes europeus.

O atacante brasileiro, convidado por Sam Allardyce para acompanhar o time na viagem, preferiu ficar em Londres para aprimorar sua forma. A atitude, inclusive, foi apontada por parte da imprensa inglesa como um dos motivos do insucesso do jogador na Premier League.

O centroavante, por outro lado, desmente tal versão.

“O time foi para Dubai fazer dois jogos, em uma mini pré-temporada. Eu não iria poder jogar, por conta do período parado. Quando cheguei, pedi para fazer pelo menos uns 15 dias de pré-temporada. Acabou que fiquei com o sub-21. Isso aconteceu pois eu estava um mês parado. Fiz todo o trabalho em Londres, enquanto eles viajavam. Eu não neguei nada, como foi noticiado, apenas pedi para fazer minha pré-temporada. Era o que eu precisava”.

O desprezo de ‘Big Sam'

A tática adotada por Wellington Paulista parecia que tinha tudo para dar certo. Em seus três primeiros jogos pelo Sub-21 do West Ham, o atacante marcou três gols.

O elenco principal, por sua vez, seguia sofrendo: só havia chegado às redes adversárias duas vezes nas últimas 11 partidas. Andy Carroll, principal nome do ataque londrino, estava se recuperando de lesão. Carlton Cole, Modibo Maiga e Marouane Chamakh, recém-contratado, também não estavam correspondendo.

Uma rara imagem de Wellington Paulista em ação pelo Sub-21 do West Ham. É possível, inclusive, ver Januzaj ao fundo Foto: Griffiths Photographers

Todavia, mesmo com a secura de gols, Big Sam era irredutível e seguia cortando WP das relações para os duelos do Campeonato Inglês. “Ele (Sam Allardyce) falava pra mim que gosta muito do meu estilo de jogo, brigador, mas não me colocava.

Era opção do treinador. Como já existiram treinadores que gostaram de mim, e me colocaram para jogar, esse não gostou e não me deu chance. Tive só que aceitar”, lamenta.

“Não me senti boicotado. Cheguei para jogar, fiz gols, o treinador não me escolheu. Paciência. Na verdade nunca ninguém me falou os motivos específicos para que eu não jogasse. O treinador também nunca disse”

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Além de ser preterido pelo comandante da equipe, chegou até os ouvidos de Wellington Paulista uma história, relacionada aos seus cortes, que nem ele mesmo sabe se era só brincadeira ou algo com fundo de verdade.

O atacante contou que circulava entre seus próprios companheiros de clube que a sua contratação havia acontecido apenas como uma motivação, na forma de pressão, para que Carroll, ainda machucado, voltasse a jogar.

Por falar em colegas de elenco, o brasileiro também revelou que seu maior companheiro de time era o atacante português Ricardo Vaz Tê. Falando a mesma língua fora dos gramados, a dupla, porém, nunca pôde mostrar tal entrosamento nos estádios ingleses, já que o jogador do Cruzeiro não atuou nenhum minuto sequer pelo time principal do West Ham.

Zero arrependimento

Apesar de não ter entrado em campo em uma partida válida pela Premier League, Wellington Paulista garante que não se arrepende da decisão que o levou até o futebol inglês. “Aprendi muita coisa por lá, me diverti bastante. Tudo a gente aprende na vida. Lá só vivi coisa boa, tive um aprendizado legal. Um país diferente, cultura diferente, não tenho nada que reclamar de lá não”, afirma de forma contundente.

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Em papo descontraído, Wellington Paulista topou aprofundar sua passagem pelo West Ham Foto: PM Motta

“Estava numa fase excelente na minha carreira. Eu imaginava que eu pudesse jogar por lá. Todo mundo comentava muito comigo que a minha característica casava bem com o futebol de lá. Mas acabou que não joguei”, pontua.

Frustração também é uma palavra que não entra no vocabulário de Wellington Paulista. Sempre confiante, o agora comandado de Rogério Ceni faz questão de rechaçar que tenha deixado qualquer ponta solta relacionada a sua passagem dentro do Campeonato Inglês.

“Não me senti frustrado com a minha passagem na Inglaterra. Frustração é uma palavra muito forte. Fiquei triste, chateado, por não ter jogado. Foi algo complicado na minha carreira. Foi a primeira vez que isso aconteceu comigo”

Mesmo sem atuar, o centroavante brasileiro garante que conseguiu sentir um gostinho da Premier League, pelo menos de forma fracionada. A sensação se explica pois, já no final da temporada, sem grandes anseios por jogar, Sam Allardyce finalmente resolveu relacionar Wellington. O atacante esteve relacionado para os duelos diante de Southampton e Reading.

A empolgação, inclusive, contagiou a torcida do clube londrino. “Foi muito bacana a sensação de estar imerso no clima do jogo. Quando fui aquecer, a torcida do West Ham ficou pedindo para eu entrar. Isso foi muito legal. É uma pena, se o treinador tivesse escutado eles, eu poderia ter me divertido mais. Vai que eu fazia um golzinho sem querer”, encerra de forma descontraída.

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