Jogadores do futebol inglês aderem ao veganismo

Mais jogadores de futebol estão aderindo à dieta vegana, assim como Lewis Hamilton (Fórmula 1), Nate Diaz (UFC), dentre outros

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Aitor Alcalde / Julian Finney/ Matthias Hangst Getty Images

Apesar de parecer, o futebol não é uma redoma alheia às tendências mundiais e claro, o veganismo e vegetarianismo chegaram ao maior esporte do mundo.

O veganismo tem ganhado força nos últimos anos e, no Reino Unido, quadruplicou entre 2014 e 2019, segundo levantamento da The Vegan Society. Atualmente, o número de veganos gira em torno de 600 mil pessoas, ou seja, 1,16% da população. E a tendência é que aumente até alcançar 25% no ano de 2025, segundo estudo assinado pela Sainsbury’s, terceira maior rede de supermercados do Reino Unido.

Alguns atletas já declararam ter uma dieta sem carne durante a temporada, como Sergio Aguero, Serge Gnabry e Lionel Messi. Outros absorveram isso para toda vida, como os ingleses Chris Smalling, Fabian Delph, Jack Wilshere e Jermain Defoe, além do espanhol Héctor Bellerín.

Um dos motivos principais da mudança para o veganismo é o prejuízo que a carne vermelha traz para a recuperação muscular do atleta e o inchaço que causa no corpo após as partidas.

TOLGA AKMEN/AFP via Getty Images

Segundo Chris Smalling, hoje jogador da Roma emprestado pelo Manchester United, essa nova dieta o ajudou com suas tendinites.

“Depois de um tempo, comecei a cortar carne vermelha, porque ela me causa muita inflamação e eu tinha muita tendinite no joelho. Quando eu a reduzia, a tendinite desaparecia. Isso costumava ser um problema em termos de aquecimento, um pesadelo, mas não sofro mais com isso. Agora me tornei totalmente vegano”, disse em entrevista ao Telegraph no ano passado.

Héctor Bellerín, lateral do Arsenal, afirma que se tornar vegano também passa por ter uma consciência maior sobre o planeta. “Eu acredito que tudo que nós fazemos ao mundo volta para nós”. Além disso, o espanhol diz que a mudança alimentar o ajudou no cansaço pós grande esforço, recuperação muscular, sua disposição matinal e também melhorou suas habilidades físicas, como sua velocidade, por exemplo.

Dieta vegana para combater lesões

Sergio Kun Aguero, maior artilheiro da história do Manchester City, sempre conviveu com lesões durante sua carreira. Na temporada 2013/14, foram quatro, por exemplo. Durante a preparação para a Copa do Mundo de 2018, na Rússia, estava muito preocupado com seu estado físico, já que sofreu outras três lesões entre setembro de 2017 e maio de 2018.

Junto com seus médicos e nutricionistas, Aguero decidiu adotar uma dieta vegana durante o período pré-copa para ver se isso melhoraria sua preparação. Deu certo. O atacante conseguiu disputar o torneio na Rússia e a frequência de suas lesões também diminuiu. Desde então mantém esse tipo de alimentação durante o calendário competitivo.

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Laurence Griffiths/Getty Images

Leo Messi nunca jogou na Premier League, mas sua relação com Kun Aguero influenciou a decisão de tentar uma dieta sem carne. Durante o ano de 2018, o atacante argentino sofreu com dores de estômago e vômitos constantes durante partidas. Seu médico sugeriu mudar seus hábitos alimentícios e acabou dando certo. Desde então acabaram as crises de estômago do melhor do mundo.

Jack Wilshere foi outro que adotou o veganismo e se deu bem. O meia inglês surgiu como uma grande promessa, mas suas lesões sempre o impediram de chegar ao potencial máximo. De 2011 a 2017 Wilshere não tinha conseguido ficar uma só temporada sem se lesionar.

O atleta, na época, do Arsenal, então decidiu se tornar vegano para tentar combater esse problema recorrente. Desde então Wilshere conseguiu passar a temporada 2017/18 sem se contundir e só foi ter outra lesão no tornozelo, no começo da temporada seguinte. Ele afirma se sentir mais saudável e inteiro: “Sinto-me nitidamente mais rápido em campo. Eu sinto que posso durar mais tempo.”

Veganismo no final de carreira

Jermain Defoe parece estar em plena forma física mesmo tendo 37 anos e ele jura que o segredo de tanta longevidade é sua dieta vegana. O inglês tem 496 jogos disputados na Premier League, mas atualmente defende por empréstimo o Rangers. Defoe acabou se tornando vegano aos 35 anos, quando ainda estava no Bournemouth.

O incentivo veio de sua namorada à época, o atacante embarcou na ideia e acabou tendo bons resultados. Se alimentando melhor e se sentindo mais disposto, Jermain Defoe pôde prolongar um pouco sua linda carreira no futebol.

Forest Green Rovers, o único clube vegano do mundo

forest green rovers uniforme camisa bambu
Crédito divulgação

Fundado em 1889, o Forest Green Rovers passou por uma mudança absoluta depois que Dale Vince, empresário e entusiasta da sustentabilidade, comprou o clube. Desde então o clube adota uma série de medidas a favor do meio-ambiente que vão desde usar energia solar até produzir uma camisa com bambu para evitar o uso desnecessário de plástico.

Qualquer jogador pode ser contratado pelo Forest Green Rovers, porém dentro do clube não entra nenhum tipo de carne. Em 2011, as carnes vermelhas foram cortadas e quatro anos depois pararam de servir peixes e carne branca aos jogadores e nos restaurantes no estádio.

Atualmente na quarta divisão da Inglaterra, a ideia do dono Dale Vince é que o clube suba até a Championship (2ª) para chamar a atenção de todos pela causa.

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A crueldade animal denunciada por documentários tem peso na decisão

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Dieta de Gladiadores Netflix

Jogadores como Defoe e Gnabry disseram ver documentários sobre crueldade animal ajudou-os na decisão de abandonar o consumo de carne. Só na Netflix existem vários documentários sobre o assunto e mais especificamente “The Game Changers” (Dieta de Gladiadores em português), que mostra o dia a dia e a dieta de atletas veganos.

O número de futebolistas que mudou seus hábitos alimentares e teve bons resultados não é pequeno. Mas é sempre necessário lembrar que cada corpo é diferente. O futebol é globalizado, então jogadores vêm de várias partes do mundo, com diferentes biotipos e organismos.

Logo, nenhuma dieta, principalmente em esportes de alto nível, é 100% ideal. Tudo depende do contexto. Entretanto, cada vez mais surgem artigos científicos defendendo a eficácia desse tipo de regime alimentar no quesito inflamações e recuperação física de jogadores.

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