Acordo histórico de TV promete impulsionar WSL e futebol feminino na Inglaterra

Contratos com BBC e Sky Sports formam o cenário para a explosão do futebol feminino inglês

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Acordo histórico de TV promete impulsionar WSL e futebol feminino na Inglaterra
(Foto destacada: Imago Images)

No último dia 22 de março, mais um momento histórico para o futebol feminino da Inglaterra veio a público. A BBC e a Sky Sports confirmaram acordos para transmissão em TV dos jogos da Women’s Super League a partir da temporada 2021/2022. É um marco para a relação entre WSL e TV, e que pode fomentar clubes maiores e menores.

O acordo envolve as transmissões de dezenas de partidas. Serão 22 jogos na BBC (TV aberta), com um mínimo de 18 nos canais BBC One e Two, e os restantes nos serviços Red Button e online. Já a Sky (TV fechada) terá 44 partidas, sendo um mínimo de 35 nos canais Sky Sports Football, Premier League e nos eventos principais, o “main event”. Os outros jogos irão para o Sky One e o Sky Sports Mix.

A BBC irá transmitir um jogo em TV aberta por fim de semana, e a Sky terá outras duas opções na rodada. As duas emissoras terão, além dos jogos da WSL na TV, os direitos para cobertura online, vídeos e melhores momentos – estes dois últimos também para os clubes.

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As partidas escolhidas terão quatro horários disponíveis: sexta-feira às 18h30 sábado às 11h30, e domingo às 12h30 e às 18h30 (no Brasil, três horas a menos). Eles foram definidos em conjunto com os clubes, também tentando evitar grandes choques com a Premier League masculina.

Todos os duelos restantes continuarão no streaming gratuito da FA, o FA Player, que também segue disponível para todo o mundo.

Valores da TV para clubes da WSL e Championship

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(Foto: Imago Images)

O acordo promete trazer uma revolução também em valores. Segundo a própria BBC, eles estarão entre 7 e 8 milhões de libras por temporada, valendo até o fim da temporada 2023/2024. E os clubes sairão também com valores nisto.

A expectativa é, do valor destinado pela TV às equipes, 75% seja dividida entre os 12 representantes da primeira divisão, a WSL. Já os outros 25% irão fomentar as equipes da FA Women’s Championship, a segunda divisão do país. A outra parte irá para investimentos centrais, como estádios e desenvolvimento da arbitragem.

Não é a primeira grande injeção de dinheiro recente na liga. Isso porque antes da temporada 2019/2020, o banco Barclays, que patrocinou a Premier League masculina por muitos anos, assinou um contrato de três anos. Os valores à época foram divulgados na casa dos 10 milhões de libras, um grande investimento no futebol feminino.

O acordo novo de TV para a WSL é o maior entre qualquer liga profissional de futebol feminino no mundo. Além disso, é a primeira vez que os direitos de televisão para a liga inglesa feminina foram vendidos de forma separada em relação ao futebol masculino.

Expectativa por fomento e audiência

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(Foto: Imago Images)

Para os responsáveis pelo acordo, a expectativa é altíssima. Há um anseio para que estes valores ajudem clubes e liga a se desenvolverem, e que haja uma disparada na audiência com as partidas da WSL tendo maior visibilidade em duas grandes redes de TV, incluindo na rede aberta.

A diretora de futebol feminino profissional da FA, Kelly Simmons, destacou que “visibilidade e investimento são fatores chaves no crescimento de qualquer esporte feminino, e estamos felizes que a Sky Sports e a BBC tenham se comprometido a transmitir mais jogos ao vivo do futebol feminino do que já vimos antes”.

Diretora da BBC Sport, Barbara Slater lembrou de algo importante: a Euro feminina de 2022, que será na Inglaterra. “Com a UEFA Euro Feminina 2022 no horizonte, dar aos fãs mais oportunidades para assistir à WSL irá construir a expectativa por um torneio em casa”, destacou.

Já o diretor da Sky Sports, Rob Webster, foi ambicioso e prometeu amplo tratamento: “Daremos à WSL o tratamento completo da Sky Sports, com longos pré-jogos e repercussões de todas as partidas ao vivo, além de notícias diárias da liga na TV e nas plataformas digitais. Estamos ansiosos para trabalhar com a FA e construir uma parceria que ajude a desenvolver o futebol feminino agora e para futuras gerações”.

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Kelly Simmons tocou ao jornal The Guardian em um ponto muito importante: a estrutura dos clubes. Isso vai de encontro aos problemas em gramados que adiaram vários jogos da WSL recentemente, e que prometem ser resolvidos com o dinheiro da TV. Mas segundo ela, há um plano nos próximos dois anos para ajudar os clubes neste sentido, inclusive com coberturas para o campo em casos de dias com clima ruim.

O que fazer com tudo isso?

Este último aspecto citado é extremamente importante. As transmissões de TV para a WSL serão revolucionárias, e a audiência certamente irá crescer bastante. A base de fãs do futebol feminino na Inglaterra deve aumentar ainda mais, e consolidar a Women’s Super League como principal liga do futebol mundial.

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(Foto: Imago Images)

Além disso, o dinheiro irá ajudar os clubes de diferentes formas. Enquanto as equipes menores poderão usar estes valores para se estruturarem melhor, as equipes grandes terão mais condições de atrair grandes estrelas. Basta lembrar que a craque dinamarquesa Pernille Harder trocou o Wolfsburg pelo Chelsea em setembro de 2020 por 300 mil libras, valor recorde de uma transferência na história da modalidade.

Mas o foco não pode ser apenas este. A WSL já sofre há algumas temporadas com problemas estruturais incômodos, em especial a questão dos gramados. Já virou rotina ver vários jogos adiados durante todo o campeonato, o que bagunça a estrutura da liga.

Em 2019/2020, por exemplo, vários clubes ficaram com jogos a menos durante a competição por isso. Quando o torneio acabou encerrado após a explosão da pandemia da Covid-19, a classificação teve que ser refeita pelo critério de pontos por jogo. Assim, o Chelsea acabou campeão, com um ponto e um jogo a menos que o Manchester City.

A liga terá muito mais visibilidade, e uma oportunidade de ouro em mãos para desfazer vários estereótipos do futebol feminino. Provavelmente, nenhuma outra liga teve em algum momento na história uma chance tão clara.

A WSL tem tudo para se consolidar e explodir pelo mundo. Dinheiro, visibilidade e espaço para estruturação não vão faltar. Basta que ela mesma faça o seu papel por isso.