A abertura britânica aos treinadores estrangeiros na Premier League

Entenda um pouco de como se deu a gradativa chegada dos técnicos estrangeiros na Inglaterra até a configuração atual

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Pep Guardiola Manchester City Laurence Griffiths Collection Getty Images Sport
Laurence Griffiths Collection Getty Images Sport

Atualmente, 11 dos 20 treinadores da Premier League são estrangeiros, mas a primeira vez que essa estatística atingiu uma parcela de 25% dentre o total foi em 2004.

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O primeiro técnico não-britânico da Premier League foi Osvaldo “Ossie” Ardiles, treinando o seu ex-time de tempos de jogador, o Tottenham. O argentino tentou implementar um estilo mais ofensivo de jogo.

No entanto, o ex-meia não obteve sucesso. Após sobreviver à 15ª colocação de sua primeira temporada, Ardiles foi demitido após 11 jogos de liga, na temporada seguinte, nos quais sua frágil defesa sofreu 23 gols.

O campeonato só recebeu treinadores de origem externa às ilhas britânicas três anos depois, quando Ruud Gullit e Arsène Wenger assumiram, respectivamente, Chelsea e Arsenal. Porém está na figura do francês uma das principais bases para a chegada de treinadores estrangeiros na Terra da Rainha.

Wenger chegou ao Arsenal num contexto onde os títulos do campeonato nacional estavam atrelados a um estilo de jogo padrão.

O time de Dalglish era mais pautado em jogadas aéreas e ligações diretas, o kick and rush, usufruindo do brilhantismo de Alan Shearer. Já os Red Devils eram um time vertical que sabia usar os passes pelo solo e explorar os lados do campo, mas também estavam ligados ao contra-ataque, força física e às jogadas aéreas, características dominantes em tal conjuntura.

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Anelka Bergkamp Overmars Arsenal Clive Mason Collection Allsport Getty Images Sport
Clive Mason Collection Allsport Getty Images Sport

O francês tinha ideais diferentes para recuperar os Gunners, à época apelidados de “Boring Arsenal”. O primeiro título de Wenger, na temporada 97/98, teve como protagonistas Dennis Bergkamp e Ian Wright, num esquema que aproveitava a velocidade e a técnicas dos dois, gerando muita movimentação na frente e destoando dos centroavantes de ofício que formavam o padrão da liga.

Wright se caracterizava pela rapidez e esplêndida finalização. Assim, esse Arsenal era diferente da maioria dos clubes, construindo seu volume de jogo pelo solo, com muitos passes “quebradores de linhas”.

Na temporada 04/05, após Wenger conquistar sua segunda Premier League, com uma campanha invicta, já eram cinco treinadores não-britânicos numa liga de cultura tão nacionalista.

As conquistas de Arsène e outros estrangeiros, como Ruud Gullit e Gianluca Vialli, não apontavam para uma única fórmula vencedora, mas sim para a adesão a diferentes filosofias.

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E foi com ideias de futebol distintas das de Wenger que José Mourinho reafirmou a presença de treinadores estrangeiros na liga com um bicampeonato.

Já consagrado como campeão da Champions League pelo Porto, montou um Chelsea recordista no número de gols sofridos: impressionantes 15 em 38 jogos.

Na época, foi um dos responsáveis por tornar mais conhecida a ideia de periodização tática. Usou métodos para tornar os Blues um time extremamente sólido defensivamente, com qualidade e velocidade nas transições.

Após o sucesso de Mourinho, todas as temporadas da primeira divisão inglesa tiveram ao menos quatro times treinados por não-britânicos.

Atualmente, a globalização da Premier League parece ter tido um efeito positivo no enriquecimento do futebol inglês. Se, desde a aposentadoria de Ferguson, os trabalhos de britânicos pouco empolgaram, a nova safra de técnicos, demonstra ter absorvido bem as influências e mudanças realizadas com o tempo.

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