‘Tragam pra Europa logo!’: Analistas estrangeiros vão à loucura com Fernando Diniz

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Um dos treinadores que mais desperta emoções e opiniões no futebol brasileiro, Fernando Diniz será o técnico interino da seleção brasileira. Segundo informação do “ge”, o comandante do Fluminense assumirá temporariamente a equipe até a chegada de Carlo Ancelotti, em junho de 2024.

Para os jogadores de Football Manager e do “modo carreira” do Fifa, Diniz viverá uma situação familiar: vai conciliar os trabalhos no Fluminense e na seleção do Brasil durante o período acordado.

Depois do título do Fluminense da Taça Guanabara no início da temporada, ele voltou a receber elogios. A vitória de virada por 2 a 1 sobre o Flamengo rendeu ao treinador seu primeiro título de em um clube de primeira divisão na carreira.

Mais do que os elogios nacionais, Diniz tem sido um dos pilares em uma discussão profunda sobre tática no exterior, principalmente em inglês. Técnicos e analistas estrangeiros têm debatido o estilo de jogo do técnico do Fluminense.

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Diniz como referência no exterior

Diniz comemora com jogadores do Fluminense - Foto: Marcelo Gonçalves/Fluminense
Diniz comemora com jogadores do Fluminense – Foto: Marcelo Gonçalves/Fluminense

Fernando Diniz ganhou grande popularidade no Brasil depois de uma campanha expressiva no Campeonato Paulista em 2016. Na ocasião, comandava o Audax e chegou à final, perdendo para o Santos.

Em sua primeira passagem no Fluminense, em 2019, levou um estilo de jogo muito ofensivo, mas que sofria defensivamente. Foi demitido antes do fim do Brasileirão e chegou em setembro de daquele ano no São Paulo.

O treinador liderou o Campeonato Brasileiro de 2020/21 até poucas rodadas antes do final. Com polêmicas de relacionamento e uma queda brusca de desempenho, também foi demitido.

Após passagens em Santos e Vasco, Diniz retornou ao Fluminense no ano passado. São 54 jogos e 67% de aproveitamento, além de ter promovido suas ideias de um futebol ofensivo e vistoso esteticamente.

Esse estilo tem sido chamado de “relationism” (relacionalismo, em tradução literal) por analistas e treinadores estrangeiros. Alguns, inclusive, comparam Diniz a Luciano Spaletti, que está perto de ser campeão italiano com o Napoli.

Traga o Diniz para a Europa o mais rápido possível.

— Eu realmente quero que essa narrativa absurda de que “você só pode ter sucesso com um estilo de jogo estruturado e controlado” que está cercando o futebol agora seja destruída, e treinadores como Diniz e Spaletti podem fazer isso — disse Harry Brooks, conhecido treinador e analista de futebol na internet, ao comentar declarações de Diniz no programa “Bem Amigos”.

Relacionalismo trata-se de qualquer linha de pensamento que exalte a relação natural das coisas. No futebol, a filosofia tem sido ligada a um estilo de jogo de aproximação dos jogadores no setor da bola e uma troca de passes sem necessariamente seguir “regras de ação”, mas sim a interpretação pessoal dos atletas.

No Brasil, um conceito parecido tem sido discutido como “futebol funcional”. A ideia é tida como uma antítese ao Jogo de Posição, filosofia consolidada na Espanha principalmente pelo cientista do esporte Paco Seiru-lo e o treinador Juanma Lillo. Ambos foram figuras importantes para o maior exportador desse conceito, Pep Guardiola.

— Aqui está minha tática aproximada para o time do Diniz no Fluminense. A chave é ter laterais muito dinâmicos e jogadores técnicos no meio-campo. As únicas instruções de jogador ajustadas são que o MEIA (A) avance mais e os laterais se movam para as laterais quando estiverem com a posse de bola – mostrou Alex Stweart — chefe de conteúdo do Analytics FC, conhecido perfil de análise do futebol.

Diniz também virou assunto no “The New York Times” recentemente. O jornal americano, em coluna sobre futebol, debateu questões táticas como estrutura e sistemas de jogo, usando o brasileiro como exemplo com Jürgen Klopp e Spaletti. A coluna do jornalista Rory Smith escreveu uma coluna intitulada “Broken Systems” (Sistemas Quebrados, em português), coloca o Diniz como exemplo de profissional que minimiza formações clássicas (como 4-4-2, 4-3-3, 3-5-2, 4-2-3-1…), ressaltando sistemas flexíveis e variantes durante as partidas.

– Diniz, como Spalletti, não acredita em atribuir posições ou papéis específicos aos seus jogadores, mas em permitir que eles se troquem à vontade, para responder às exigências do jogo. Ele não se preocupa com o controle de áreas específicas do campo. A única zona que interessa a ele, e ao seu time, é aquela perto da bola. Na sua visão, o futebol não é um jogo definido pela ocupação do espaço. Em vez disso, é centrado na bola: desde que seus jogadores estejam próximos a ela, a posição teórica em que jogam não importa nem um pouco. Eles não precisam se apegar a uma formação específica, a uma série de números codificados em suas cabeças;

Guilherme Ramos
Guilherme Ramos

Jornalista pela UNESP. Escrevi um livro sobre tática no futebol e sou repórter da PL Brasil. Já passei por Total Football Analysis, Esporte News Mundo, Jumper Brasil e TechTudo.

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