“Por que eu virei torcedor…. do Fulham”

"Muitos me questionam em qual a graça em você torcer sem expressão que não ganha títulos. Certas coisas acontecem em nossas vidas sem uma explicação"

“Por que eu virei torcedor…. do Fulham”
Ryan Browne/BPI/Shutterstock

A primeira lembrança de futebol que me vem à cabeça foi acompanhar ao lado do meu pai aquela emocionante vitória do Santos sobre o Fluminense por 5 a 2 no Campeonato Brasileiro de 1995. Acredito que foi a partir desse momento que minha paixão pelo futebol foi despertada.

Quando ganhei meu Super Nintendo, o jogo International Super Star Soccer Deluxe era um dos meus favoritos (ao lado do Super Mario World). Já quando ganhei meu Playstation, o CD que mais ficava dentro do console era o Winning Eleven.

Naquela época, o grande foco do futebol internacional era somente nas grandes potências em seus respectivos países. Sendo assim, o mais comum era ouvir falar de equipes como Manchester United, Liverpool, Juventus, Milan, Real Madrid, Barcelona.

Em meados dos anos 2000, conseguimos colocar TV a cabo aqui em casa. E para minha alegria, teria acesso a muito futebol: Premier League, La Liga, Serie A, Champions League, e até mesmo jogos do Campeonato Russo embalavam meus finais de semana.

Consequentemente, saí dessa bolha e passei a acompanhar os times de menor expressão das ligas.

Chegamos em 2010. Meu expediente de trabalho era de seis horas diárias, das 8h às 14h. Como de costume na época, eu cheguei em casa, esquentei meu almoço e fui para o quarto assistir TV.

Enquanto passava pelos canais, me deparei com o jogo entre Fulham e Juventus, válido pela Liga Europa. Obviamente, me chamou a atenção o fato de ser um jogo da Velha Senhora, e comecei a assistir.

Ao final, sem assimilar direito o que tinha acontecido, o golaço de Clint Dempsey por cobertura e a grande vitória por 4 a 1 do Fulham, naquele estádio extremamente charmoso de Craven Cottage, me deixaram pasmo.

Voltando à questão dos videogames, sempre gostei muito de jogar o modo Master League do Winning Eleven/Pro Evolution Soccer – sim, eu apelava colocando Roberto Carlos e Tijani Babangida no ataque.

Até que certo dia encontrei no finado Orkut uma comunidade onde os usuários abriam um tópico e postavam sua trajetória como treinador virtual.

Então no começo de 2012, tendo migrado do PES para o Fifa, resolvi iniciar um modo carreira no Fifa 11 e criar um tópico nessa comunidade, mas faltava escolher qual equipe. Até que um estalo me lembrou daquele grande jogo entre Fulham e Juventus, onde decidi escolher os Cottagers para fazer esse tópico.

E, sinceramente, em nenhum momento me passou pela cabeça que minha relação com o clube sairia do virtual para o mundo real…

Comecei então a pesquisar sobre a equipe londrina, para poder fazer a introdução do meu tópico contando um pouco de sua história, o que aos poucos foi me despertando o interesse pelo clube.

A cada nova partida jogada no Fifa, minha empolgação com o time só aumentava: Mark Schwarzer no gol, John Arne Riise na lateral-esquerda, Brede Hangeland na zaga, o capitão Danny Murphy e o polivalente Mousa Dembélé no meio, e, claro, a estrela Clint Dempsey.

Aos poucos, fui percebendo que meu carinho aumentava gradativamente. Passei a acompanhar alguns jogos pela televisão, comecei a pesquisar cada vez mais sobre sua história, a procurar por vídeos no Youtube, e quando me dei conta, virei torcedor do Fulham.

Infelizmente, acabei não acompanhando o time em seus tempos áureos, da estabilidade na Premier League e finalista de Europa League.

Logo na primeira temporada em que iria acompanhar desde o início – temporada 2012/2013 – fui surpreendido com as saídas de Murphy, Dembélé e Dempsey, jogadores que eu mais admirava naquele time.

torcedor fulham
Shaun Brooks

Na temporada seguinte, veio a troca de donos, o baixo rendimento dentro de campo, a saída do atacante Dimitar Berbatov e, como consequência, o rebaixamento para a Championship.

E na primeira temporada na segunda divisão, acompanhei uma árdua luta contra o rebaixamento para a League One, com a equipe tendo escapado na antepenúltima rodada.

Apesar de tudo isso, em nenhum momento me passou pela cabeça deixar de ser torcedor do Fulham. Pelo contrário, seguia acompanhando os jogos como dava – visto que poucos jogos tinham transmissão ao vivo – torcendo, vibrando e sofrendo.

Muitos me questionam em qual a graça em você torcer para um time que estava na segunda divisão, não ganha títulos, não tem expressão… Mas certas coisas acontecem em nossas vidas sem uma explicação. E ser torcedor do Fulham é um desses casos.

Acredito que o futebol não se explica puramente por títulos. É sentir aquela angústia ao acompanhar uma partida, vibrar com um gol marcado, se entristecer com uma derrota e sorrir com uma vitória. É você estar ao lado do seu time, não importa o que aconteça.

Desde 2015, faço parte da equipe do Fulham FC Brasil e, nos últimos dias, fomos reconhecidos pelo clube como a primeira torcida oficial do Fulham no Brasil. Para muitos, pode não ser grande coisa, mas você receber esse tipo de reconhecimento do time ao qual você é torcedor (Fulham), é uma sensação indescritível.

O Leicester mostrou ao seu torcedor na temporada 2015/2016 que sonhar é possível, ao conquistar o título da Premier League. Sei que com o Fulham isso é uma utopia, mas não importa. Aconteça o que acontecer, estarei sempre os acompanhando, e espero um dia realizar meu sonho de visitar o Craven Cottage e poder estreitar ainda mais minha relação com o clube.

por Jeferson Olsson

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