“The streets will never forget”: os jogadores da PL que tiveram brilho curto

Personagens folclóricos, temporadas mágicas e títulos improváveis marcados na memória do futebol inglês

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NEWCASTLE UPON TYNE, UNITED KINGDOM - OCTOBER 19: Hatem Ben Arfa of Newcastle United reacts during the Barclays Premier League game between Newcastle United and Liverpool at St James' Park on October 19, 2013 in Newcastle upon Tyne, England. (Photo by Ian Horrocks/Getty Images)

The streets will never forget. Ou, em tradução literal, “as ruas nunca esquecerão”. De popularização relativamente recente, a expressão se tornou frequente no vocabulário do futebol inglês para se referir àqueles que de alguma forma tiveram um gigantesco, e muitas vezes curto, destaque na Inglaterra, com grande idolatria da torcida.

Mas o termo não remete a contrações astronômicas, protagonistas do cenário europeu ou elencos recheados de estrelas, e sim a jogadores e times que encantaram por ultrapassar, e muito, as expectativas, atingindo um surpreendente nível técnico. Assim, com temporadas, campanhas e momentos mágicos, eles escreveram seus nomes nas ligas inglesas.

Esses atletas e equipes são geralmente lembrados por lances plásticos, jogadas fantásticas, gols inesquecíveis e feitos improváveis, conquistando importante espaço na memória dos torcedores e do futebol inglês, ainda que em função de um específico e curto período. A PL Brasil lista agora folclóricos personagens que “the streets will never forget”.

Afinal, quem “the streets will never forget”?

Michu no Swansea 2012/2013

Talvez o maior exemplo de “the streets will never forget”, Michu chegou ao Swansea em 2012 por um modesto investimento, contratado junto ao Rayo Vallecano. E a primeira temporada do espanhol no País de Gales foi simplesmente surreal. 35 partidas na Premier League, com 18 gols e três assistências, liderando o clube a uma segura nona colocação.

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Já na Copa da Liga, após classificações sobre Liverpool e Chelsea, levou o clube ao título, sendo responsável por três gols e duas assistências, sendo um de cada na final contra o Bradford.

Depois da brilhante temporada, um ano marcado por lesão e foi para o Napoli, onde pouco jogou. Aos 31 anos, em 2017, aposentou-se na segunda divisão espanhola.

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A temporada 2010/2011 de Taarabt no QPR

Adel Taarabt chegou ao Tottenham em 2009 com o status de promessa. Mas ele não se firmou nos Spurs e rapidamente foi emprestado ao QPR. Após boa temporada 2009/2010, de sete gols e 11 assistências, ele foi contratado em definitivo pelos Hoops. E isso resultou no que talvez seja a melhor temporada individual na história da Championship.

Nas 44 partidas que o “mago marroquino” disputou, esteve diretamente envolvido em 40 gols: balançou as redes 19 vezes e concedeu 21 assistências. Ele liderou a equipe ao título e foi eleito o melhor jogador do campeonato. Jogadas plásticas, gols de craque e muitos dribles ditaram seu desempenho na competição. Uma temporada digna de jamais ser esquecida.

Entretanto, nas seguintes 69 partidas pelo clube, foram apenas sete gols e dez assistências. Para piorar, no final de 2011, chegou a Loftus Road o técnico Harry Redknapp, que veio a ser o grande desafeto de sua carreira. Nas palavras do treinador, “é o pior profissional com quem já trabalhei”. Hoje no Benfica, Taarabt também rodou por Milan e Genoa, mas longe de repetir a magia.

Cissé e Demba Ba no Newcastle 

Demba Ba chegou ao Newcastle ao início da temporada 2011/2012; já Papis Cissé foi contratado na janela de inverno. E a dupla senegalesa anotou 29 gols naquela Premier League, sendo 13 de Cissé em apenas 14 partidas – suprindo justamente período de jejum do compatriota. E a ótima campanha rendeu a quinta colocação na liga, acima de Chelsea e Liverpool.

Já na temporada seguinte foram apenas mais seis meses dos atacantes lado a lado. Isso porque Demba Ba foi para o Chelsea em janeiro de 2013, depois de mais 13 gols pelos Magpies. Enquanto isso, Cissé terminaria o ano novamente com 13 gols, sendo quatro na Liga Europa. Mesmo com apenas um ano de parceria, formaram uma dupla que “the streets will never forget”.

Payet no West Ham

Foi apenas uma temporada e meia de Dimitri Payet no West Ham, mas o suficiente para que sua passagem pela Premier League não seja esquecida. Lembrado por dribles abusados e gols espetaculares, sobretudo de falta, o francês foi um dos grandes destaques da liga na edição 2015/2016. Pelo clube, totalizou 15 gols e 23 assistências em 60 partidas.

Mas se Payet precisou de pouco para se transformar em ídolo, levou menos ainda para se tornar vilão. Em meio a uma campanha irregular na temporada 2016/2017 (goleadas para os grandes, eliminação precoce na Liga Europa e tropeços na Premier League), ele forçou seu retorno para o Olympique de Marseille, despertando um enorme rancor da torcida.

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O início de Arshavin no Arsenal

Andrey Arshavin chegou ao Arsenal em janeiro de 2009 cercado de expectativa. Meses antes, ele havia sido destaque no título do Zenit na Liga Europa e na campanha semifinalista da Rússia na Eurocopa. E logo nos primeiros meses nos Gunners, foram 10 assistências e seis gols, sendo quatro deles numa noite inspirada em Anfield.

O russo rapidamente se transformou em xodó da torcida e teve grandes momentos na Inglaterra nas duas temporadas seguintes, nas quais anotou 22 gols e 26 assistências. Já em 2011, talvez sua última faísca de brilho pelo clube, em vitória por 2 a 1 sobre o Barcelona na Champions League.

Depois disso, ele perdeu quase todo seu espaço em Londres, retornando ao Zenit. E hoje, anos depois, a trajetória de Arshavin permanece sendo um enigma. Jamais saberemos se teve um lampejo espetacular ou se não alcançou todo seu potencial. De todo modo, é daqueles personagens que nunca serão esquecidos.

Leicester campeão da Premier League

Kasper Schmeichel; Danny Simpson, Wes Morgan, Robert Huth, Christian Fuchs; N'Golo Kanté, Daniel Drinkwater, Marc Albrighton; Riyad Mahrez, Shinji Okazaki, Jamie Vardy; Claudio Ranieri. 41 gols e 18 assistências entre Mahrez e Vardy. Kanté como maior ladrão de bolas da liga. Uma veterana dupla de zaga, sólida e decisiva.

A saga do Leicester campeão da Premier League 2015/2016 chocou o mundo do futebol e encantou a todos, contra qualquer lógica ou probabilidade. Um investimento inferior ao feito pelo Chelsea para contratar Drinkwater e Kanté. Um conto de fadas marcado para sempre história do esporte. Definitivamente, “the streets will never forget”.

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O início de Ben Arfa no Newcastle

Ben Arfa chegou ao Newcastle em 2010, inicialmente por empréstimo e depois contratado em definitivo. Destacou-se principalmente na Premier League 2011/2012, de quinta colocação dos Magpies, com cinco gols e seis assistências, atrás da dupla Cissé e Demba Ba. Sempre tido como de muito potencial, o francês impressionava pelos dribles e pela qualidade técnica.

Contudo, o jogador caiu bruscamente de rendimento e passou a ser contestado pela torcida. Emprestado para o Hull City em 2014, teve o vínculo encerrado após apenas nove partidas e chegou até a ficar sem clube. Ele aparentou ter recuperado o bom futebol no Nice, mas voltou a ter passagens apagadas, por PSG, Stade Rennes e Real Valladolid. Hoje, tenta retomar o brilho no Bordeaux.

Benjani e o Portsmouth campeão da FA Cup

Em 2006, Harry Redknapp levou para o Portsmouth o atacante Benjani, que rapidamente caiu nas graças da torcida. Na Premier League 2007/2008, o jogador do Zimbábue tinha 12 gols em 23 partidas quando foi contratado pelo Manchester City, em janeiro de 2008. Nos Citizens, gol logo na estreia, no dérbi de Manchester, mas depois pouco destaque.

Paralelamente, mesmo sem Benjani, até então o principal destaque da equipe, o Pompey se sagrou campeão da Copa. Uma campanha impecável de sete gols a favor e apenas um contra, passando por Ipswich Town, Plymouth Argyle, Preston North End, Manchester United, West Bromwich e Cardiff City.

Aquele elenco histórico contava com diversas promessas, mas também muitos jogadores consagrados. Na semifinal da Copa da Inglaterra, foi a campo a seguinte escalação: David James; Glen Johnson, Sol Campbell, Sylvain Dustin, Hermann Hreidarsson; Papa Boupa Diop, Lassana Diarra, Sulley Muntary, Niko Kranjcar; Milan Baros, Nwankwuo Kanu.

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Southampton de Tadic, Mané e Pellè

O Southampton teve duas grandes temporadas sob o comando de Ronald Koeman. Para a Premier League 2014/2015, foram feitas grandes contratações: Sadio Mané, Dusan Tadic, Shane Long, Fraser Forster e Graziano Pellè, além de Ryan Bertrand e Toby Aldeiwereld por empréstimo. E lá já estavam Morgan Schneiderlin, Victor Wanyama e Nathaniel Clyne.

O primeiro ano já foi de muito brilho, com uma sétima colocação na liga nacional, enquanto o poderoso trio Tadic, Mané e Pellè esteve diretamente envolvido em 31 gols e 16 assistências. E destaque para as vitórias por 8 a 0 sobre o Sunderland e 6 a 1 sobre o Aston Villa, quando Mané marcou o hat trick mais rápido da história da Premier League.

Na temporada seguinte, Van Djik substituiu Alderweireld e Shane Long se tornou mais decisivo. E nova ótima campanha dos Saints, dessa vez de sexto lugar, atingindo um feito que nem o Leicester campeão naquele ano conseguiu: derrotar os seis clubes do Big Six. E números ainda melhores do trio: 39 gols e 30 assistências, que sobem para 52 e 36 se incluído Long.

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Santa Cruz e McCarthy no Blackburn

Não tanto tempo atrás, o Blackburn teve dois jogadores campeões da Champions League como dupla de ataque. Roque Santa Cruz, vencedor pelo Bayern de Munique em 2001, e Benny McCarthy, que ganhou com o Porto em 2004. Entretanto, apesar das conquistas, nenhum deles chegou a ser verdadeiramente protagonista no cenário europeu.

Mas juntos, na temporada 2007/2008, foram responsáveis por incríveis 34 gols, sendo 27 na Premier League – mais de metade dos tentos do clube na competição – levando os Rovers à sétima colocação da liga nacional. E naquele ano a dupla balançou as redes de 16 dos 20 clubes da elite inglesa.

McCarthy, que havia chegado na temporada anterior, quando alcançara 24 gols, teve mais um ano e meio na equipe, mas sem o mesmo impacto. Já para Santa Cruz, recém-contratado, a sua primeira e melhor temporada na Inglaterra – depois de um ano de lesões, foi para o Manchester City, onde passou longe de repetir o bom desempenho.

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