Time da 3ª divisão inglesa vai construir estádio ‘futurista e sustentável’ melhor que casa do Manchester United

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Com a aprovação da venda de 25% do Manchester United ao empresário inglês Sir Jim Ratcliffe, os Red Devils estão liberados para dar início aos planos de reforma do Old Trafford. Melhorias no estádio estão entre as prioridades do novo “dono” do clube, que teria se comprometido a disponibilizar cerca de 245 milhões de libras para melhorar a infraestrutura da equipe.

Enquanto os Diabos Vermelhos tentam correr atrás do prejuízo diante das modernas casas dos rivais do Big-6, um time da terceira divisão inglesa pode sair na frente e criar um estádio mais tecnológico que o de todos os clubes da Premier League.

O Oxford United, atual sexto lugar da League One, anunciou nesta quarta-feira (14) o plano de construção do primeiro estádio da Inglaterra movido exclusivamente a eletricidade.

A divulgação foi feita dias depois de o clube assinar um compromisso com o Comitê de Esportes para Ação Climática, da Organização das Nações Unidas (ONU), para ajudar a enfrentar a crise climática.

— Ao aderir ao Comitê, o clube sublinhou o seu compromisso de desempenhar o seu papel para garantir que o setor esportivo alcance um futuro de baixo carbono. O clube está empenhado em reduzir para metade as suas emissões de carbono até 2030 e atingir zero emissões líquidas até 2040 — relata o comunicado publicado no site oficial.

Atualmente, o Oxford United joga no Kassam Stadium, com o qual tem contrato até 2026, de acordo com o “The Sun”. O novo estádio deve ser construído em um terreno batizado de “O Triângulo”, que fica próximo à região de Kidlington, e terá capacidade para 16 mil pessoas.

Como funcionará o estádio movido a eletricidade do Oxford United

De acordo com o comunicado emitido pelo clube, o estádio não precisará de gás, nem combustíveis fósseis — fontes de energia elétrica normalmente utilizadas na Inglaterra — para funcionar. A eletricidade será gerada por meio de 3 mil metros quadrados de painéis solares instalados no teto, o que seria suficiente para ferver cerca de 3 milhões de chaleiras de três litros por ano.

Também serão utilizadas bombas de calor, um dispositivo que lembra o formato de um grande ar-condicionado. Ele fornece aquecimento por meio de um ciclo de refrigeração, no qual o calor é captado do ar e é transportado em uma substância química chamada de fluído frigorigéneo. Essa substância passa pela bateria de um evaporador, que transforma o fluido em gás e o comprime para aumentar sua temperatura.

Em outras palavras, essas bombas funcionam como um grande aquecedor à base de ar. O objetivo é que esse sistema reduza as emissões de gás carbônico em cerca de 80% ao ano em comparação com as caldeiras a gás.

Outras estratégias serão utilizadas para promover a sustentabilidade do estádio, como sistemas de drenagem, armazenamento e soluções de reciclagem para reutilizar a água da chuva, além de um planejamento para aumentar a biodiversidade nas terras do Triângulo.

Por fim, o planejamento inclui a construção de um hotel com 180 quartos, restaurante, centro de conferências, espaço de saúde e bem-estar, ginásio e uma praça comunitária. O clube está se preparando para enviar o pedido de planejamento completo às organizações responsáveis por aprovar construções na Inglaterra.

— O destaque do estádio é que será o recinto esportivo de médio porte mais sustentável do país. Queremos aproveitar ao máximo a oportunidade para criar algo especial – seria um dos estádios de futebol mais verdes já construídos — comentou Jon Clarke, Diretor de Desenvolvimento do Oxford United

E o Old Trafford?

Tem se tornado cada vez mais comum novos relatos surgindo entre torcedores nas redes sociais sobre goteiras e pedaços de concreto caindo nas arquibancadas do Old Trafford durante os jogos do Manchester United.

Esse é o principal motivo por trás do desejo de reformar o Teatro dos Sonhos, algo que já estava no planejamento da família Glazer — acionistas majoritários do clube — mesmo antes da venda para Sir Jim Ratcliffe.

— O edifício está chegando ao fim de sua vida natural. A fiação, o fornecimento de eletricidade, tudo está próximo do prazo de validade. E as partes internas são muito apertadas. Eu diria que a atualização é crucial não apenas para manter a posição do clube, mas para manter o local funcional — comentou Chris Lee, diretor-executivo da empresa de arquitetura Populous, em recente entrevista ao “Telegraph”.

No entanto, o futuro do Old Trafford ainda não definido. As últimas atualizações sobre o caso apontam que, além da possibilidade de reforma, está se cogitando a demolição da casa do United e a construção de um novo estádio por ser um caminho possivelmente mais barato.

Maria Tereza Santos
Maria Tereza Santos

Me formei em Jornalismo pela PUC-SP em 2020. Antes de escrever para a PL Brasil, fui editora na ESPN e repórter na Veja Saúde, Folha de S.Paulo e Superesportes.