Balanço da temporada do Cardiff City na Premier League

Bluebirds foram rebaixados para a Championship após o retorno à elite inglesa

0
162
Balanço da temporada do Cardiff City na Premier League

O Cardiff City estreou nesta Premier League como um dos times mais modestos da edição. Era sua primeira participação após algumas temporadas longe da elite do futebol inglês e conseguiu o acesso ao terminar a Championship na 2ª posição com 90 pontos em 46 partidas.

As esperanças moderadas de uma permanência, no entanto, não se deram pelo fato de o clube vir da segunda divisão, mas por manter uma base que já era questionada na temporada anterior e investir pouco para estabelecer um nível de competitividade alto no campeonato.

O resultado da queda demorou para vir graças à garra de um time que mesmo limitado por suas peças se mantinha nas esperanças de ultrapassar adversários que também não provaram seu valor. Na penúltima rodada, a equipe não suportou e deu adeus ao sonho da permanência.

Os fatores que contribuíram para a volta à Championship foram muitos, estes que vão desde um sistema ofensivo falha até a tragédia que envolveu o sumiço e posteriormente a confirmação da morte de Emiliano Sala.

Leia mais: PL Brasil Press Awards: a opinião dos jornalistas sobre a temporada 2018/2019

Destaque

O xerifão Bamba vai comandar a defesa dos Bluebirds agora na primeira divisão (Cardiff/Divulgação)

A falta de uma referência de peso mesmo que para “culpar” o baixo desempenho pode ter sido um dos motivos que gerou a queda do recém-promovido Cardiff. Porém, em uma temporada onde o objetivo principal não foi cumprido é possível colocar alguns destaques numéricos, boas surpresas e momentos marcantes.

Aquele talvez tenha sido uma das peças mais importantes para uma consistência maior no setor defensivo foi Sol Bamba. O experiente zagueiro de 34 anos que possui passagens por Leicester City e Leeds United teve grande temporada enquanto esteve disponível.

O defensor foi o jogador do Cardiff com mais desarmes (2.6), interceptações (2.9) e Clearances (6.3) por jogo segundo o Whoscored. Esses números demonstram bem a presença e o volume em seu setor, estando sempre em cima da bola e tirando-a de perigo quando necessário.

Bamba foi líder no quesito de interceptações da liga, empatado com Zanka, do Huddersfield.

No setor ofensivo o nome que recebeu maior destaque foi Víctor Camarasa. O meia, que por muitas vezes, atuou em áreas mais avançadas na faixa central do campo foi uma das válvulas de escape na segunda metade da temporada, colecionou boas atuações com a virada de ano e marcou gols importantes como na vitória contra o Leicester fora de casa.

O espanhol anotou cinco gols e deu quatro assistências na liga, sendo líder em ambos os quesitos apesar de no primeiro empatar com Reid. Ele também foi o integrante da equipe com mais passes chave (1.6) e terminou no top 3 do Cardiff de maiores passadores (27.7).

Decepção

Apesar da boa postura defensiva, o time tomou 69 gols na PL e foi o 4ª clube a conceder mais chutes por jogo (15). O ataque foi a maior falha, pois não equilibrou e nenhum jogador ofensivo passou na marca dos 6 gols. (Foto: Action Images via Reuters)

Em uma equipe que tenha caído de divisão na temporada é difícil citar uma única decepção, pois muitas das vezes o problema está relacionado à um setor inteiro ou até mesmo em questões extracampo. Para os Bluebirds não foi diferente e é preciso destacar negativamente o ataque do clube ao longo da Premier League.

Sem uma referência que honrasse a camisa 9 do clube na elite do futebol, balançar as redes se tornou um desafio enorme. Para o setor o único reforço na janela de inverno foi o ponta Josh Murphy, contratado por 11,4 milhões de euros segundo o Transfermarkt, vindo do Norwich City.

Na temporada anterior o inglês avançado conseguiu emplacar sete gols e três assistências, mas nas 29 partidas que atuou nesta Premier League não conseguiu passar de três tentos marcados e dois dois passes para gol. Foi quem mais chutou na média por partida do time (1.6), mas não conseguiu traduzir esse volume em resultados.

David Hoilett, que deveria ser outra referência ofensiva e que já estava ambientado no clube por jogar pelos Bluebirds desde a temporada 2016/17, também não conseguiu dar resultados efetivos.

Aquele que poderia ter auxiliado o Cardiff nessa deficiência ofensiva seria Emiliano Sala. Contratado na janela de inverno, mas que nunca chegou a atuar pelo clube devido à tragédia com o seu avião.

Dos candidatos ao rebaixamento, o time galês não foi o que levou mais gols. O Fulham por exemplo foi vazado 81 vezes na temporada e o Bournemouth deixou passar 70 bolas. Porém, o ataque do clube não atingiu uma excelência mínima e isso lhes custou resultados que poderiam ter salvado o Cardiff da decida para a Championship.

Revelação

Victor Camarasa of Cardiff City celebrates after scoring his sides first goal during the match between Leicester City and Cardiff City (Photo by Clive Mason/Getty Images)

A grande revelação da temporada fica por conta do já citado Víctor Camarasa. Afinal o meia chegou por empréstimo do Real Betis e acabou se destacando tanto com números quanto com boas atuações após novembro.

O lateral Greg Cunningham também obteve um bom desempenho defensivo, estando entre os melhores do clube nos quesitos desarmes e interceptações. Sua chegada na janela de verão por quatro milhões de euros pode não ter sido a mais cara ou comemorada, mas auxiliou no clube a chegar na luta pela permanência até as rodadas finais.

Apesar de ter se provado a grande surpresa da temporada dos Bluebirds, Camarasa não deve continuar para disputar a Championship. Seu empréstimo termina no fim de junho e a permanência do jogador deve ser preteria pela possibilidade de jogar a primeira divisão espanhola.

Quanto a Cunningham, seu contrato vai até junho de 2021 e sua saída ainda não foi especulada. Porém, mais do que saber quem fica e quem vai o Cardiff precisa traçar bons planos para enfrentar a competitiva segunda divisão que recentemente já foi cruel com outros times que caíram da Premier League.