E se… Guardiola realmente deixar o City? Os 5 técnicos que o clube deveria ficar de olho para o futuro

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Pep Guardiola já tem data para deixar o Manchester City. Segundo o jornal inglês “Daily Mail”, o treinador não deve renovar seu contrato, que se encerra ao fim da próxima temporada.

Desde que essa informação sobre o futuro do catalão veio a público, diversos nomes circulam como possíveis sucessores ao seu cargo no Etihad Stadium.

Por isso, a PL Brasil estudou, pesquisou e imaginou um cenário em que Guardiola realmente deixe o City.

E agora? Quem será o substituto do técnico que dominou o futebol inglês?

Os treinadores para o Manchester City

Para elencar cinco possíveis nomes para substituir Guardiola, alguns critérios foram levados em consideração. São dois principais cenários possíveis:

  • Um em que o clube pretende seguir uma linha filosófica parecida com a de Guardiola, independente do quão renomado internacionalmente seja o treinador;
  • Outro em que a equipe tente manter o alto nível de estrelato no nome escolhido, e tente simplesmente pegar o melhor técnico possível, independente de modelo de jogo.

O segundo cenário é o menos provável.

📋Os nomes mais consolidados já estão muito bem empregados ou com grandes raízes em seus clubes, em vias de tirar anos sabáticos ou em declínio em relação ao que já apresentaram na carreira. É onde se enquadram Carlo Ancelotti, Jurgen Klopp, José Mourinho e Antonio Conte, por exemplo.

📝 Por isso, a lista é uma mescla de nomes promissores ainda em estágios iniciais da carreira com nomes que têm se consolidado no cenário internacional e, mesmo cobiçados por gigantes, são boas escolhas para o clube.

Roberto De Zerbi – sem clube

O nome mais comentado entre gigantes da Premier League nos últimos meses foi o de Roberto De Zerbi. O italiano levou o Brighton pela primeira vez a uma competição europeia na temporada passada e chama atenção pelo seu modelo de jogo característico.

Muito elogiado por Guardiola, que o colocou como um dos nomes mais importantes do futebol nos últimos 20 anos, De Zerbi teria no City a primeira oportunidade com um time repleto de estrelas. Antes do Brighton, fez ótimo trabalho no Shakhtar Donetsk depois de ter chamado atenção no Sassuolo.

Seu Shakhtar, inclusive, era um dos times mais interessantes de se assistir entre 2021 e 2022 em todo o futebol mundial.

— Preste atenção no que vou dizer: estou convencido de que Roberto é um dos treinadores mais influentes dos últimos 20 anos. Não há nenhum time jogando como eles, é único – disse o próprio Guardiola, em maio de 2023.

Em campo, teríamos mudanças com o modelo de jogo do catalão. Por mais que muitos coloquem os dois treinadores como semelhantes pelo simples fato de gostarem da posse de bola, são filosofias distintas.

Enquanto Guardiola adota o conceito de “viajar juntos” há mais de uma década, De Zerbi não tem essa preocupação tão enraizada. Ele prefere agrupar seus defensores e meias bem atrás, atrair o time adversário e, com superioridade numérica e usando pivôs nas costas da marcação, progredir em velocidade com espaço nos dois últimos terços do campo.

Foi essa característica que fez o próprio treinador dos Citizens colocar o time do italiano como o que melhor constrói o jogo desde a defesa em todo o mundo, em declaração no ano passado.

Roberto De Zerbi Brighton
Roberto De Zerbi, técnico do Brighton, foi alvo do City (Foto: Icon Sport)

E se por um lado o catalão tem sido criticado recentemente por automatizar o jogo do City em um nível tão eficiente quanto chato, isso é o contrário do que o italiano faz. De Zerbi é um dos treinadores de alto nível que mais se importa com a beleza do jogo e tenta fazer com que seu time seja agradável esteticamente, com 11 jogadores capazes de pisar na bola, trocar passes rápidos e driblar.

No campo, mesmo que partam de formações diferentes (4-3-3 do City e 4-2-3-1 do Brighton), ambos formam um 3-2-5 na maior parte dos jogos. Os Seagulls, no entanto, são mais mutáveis a depender da escalação, que muda muito ao longo da temporada — isso também os fez jogar em quase um 2-4-4 muitas vezes.

O treinador deixou o Brighton em comum acordo ao fim desta temporada, marcada por muitas lesões e dificuldades de manter o planejamento. Isso o daria a possibilidade de um ano sabático antes de assumir um time em uma liga que já conhece e que é bem requisitado, e que o antigo treinador o “idolatra”.

Não seria de outro mundo pensar em De Zerbi no City.

Xabi Alonso – Bayer Leverkusen

O ex-jogador de Guardiola no Bayern bebeu bastante da fonte do catalão quando virou técnico, mas não só dele. Desde seu trabalho no time B da Real Sociedad, gosta de esquemas com três zagueiros e dois camisas 10, além de um jogo dinâmico e com jogadores velozes entrelinhas e pelas pontas.

Xabi Alonso, técnico do Bayer Leverkusen
Xabi Alonso, técnico do Bayer Leverkusen. (Foto – Icon Sport)

Um nome muito popular depois da temporada histórica com o Bayer Leverkusen, Xabi Alonso é alguém que dificilmente seria malvisto pela torcida. Por outro lado, apesar de ter uma mente audaciosa para o jogo, se quiser manter suas ideias centrais, o ex-meio-campista mudará o modelo do City.

Isso porque o City não tem alas no perfil usado por Alonso em nenhum dos lados. Ou contratações teriam de ser feitas, ou o espanhol mudaria sua forma de montar o time completamente.

Dada a situação do City, não é difícil imaginar que contratariam reforços pedidos. E com o elenco ao seu modo, Xabi teria uma tela ainda mais qualificada para desenhar seu estilo de futebol no elenco inglês.

Foden poderia fazer a função de Wirtz, assim como De Bruyne, que seria uma opção versátil como camisa 10 ou fazendo a função de Xhaka como um camisa 8 clássico. Doku tem mostrado evolução nos meio-espaços e seria uma opção interessante no trio de ataque, com Haaland elevando o nível da função feita por Boniface e Schick.

Outra possibilidade é usar Doku como ala no lado direito e Walker como zagueiro, para que, em organização defensiva, o time se defenda com uma linha de 4 bem estruturada e sem buracos.

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Um possível Manchester City com incógnitas sob o comando de Xabi Alonso (Foto: Tactical Board)

Matheus Nunes, que foi levemente subutilizado com Guardiola, poderia voltar a desempenhar seu papel como meio-campista dinâmico, com boas corridas com a bola, vendo o jogo de frente e com ótima subida de pressão. Kovacic teria mais liberdade e Rodri seria quem mais fugiria da sua função atual, mas se manteria como o pensador do time em construção.

A troca de Guardiola por Xabi no City também seria uma passagem de bastão entre treinador e seu ex-jogador e manteria uma filosofia de domínio em campo. Tudo isso enquanto contaria com uma pequena reformulação que já se faz necessária no elenco, com um treinador jovem e promissor e que tem prezado mais pela estética do jogo do que seu antecessor.

Míchel – Girona

A direção pode escolher permanecer dentro do Grupo City para escolher o sucessor de Pep. Míchel seria uma opção para consolidar o projeto multiclubes e “promover” um treinador que fez um ótimo trabalho no Girona.

O espanhol chegou ao Girona em 2021, na segunda divisão, e levou o clube à briga pelo título de LaLiga. A modesta equipe passou grande parte da temporada invicta no campeonato e com o melhor ataque da competição.

Michel Sanchez é o técnico do Girona
Míchel, treinador do Girona, que pertence ao Grupo City (Foto: Icon Sport)

Um técnico corajoso, que manteve o estilo protagonista, ofensivo e vertical priorizando a bola em toda a carreira, Míchel conseguiu “explodir” com seu grande trabalho nas duas últimas temporadas.

Depois de subir de divisão em 2022, conseguiu um 10º lugar que beirou a briga por competições europeias em 2023 e o terceiro lugar em 2024. Sem perder sua característica em nenhum momento — mesmo quando subiu com outras equipes e não teve sucesso na primeira divisão anteriormente.

Além disso, o espanhol já está inserido no Grupo City — ou seja, tem conhecimento do intercâmbio de jogadores, profissionais e ideias empregadas pela empresa. Muitos jogadores do City passaram pelo Girona, e Yan Couto e Sávio, por exemplo, são os cases de sucesso mais recentes.

Um treinador já “de casa” seria um diferencial.

Luis Enrique – PSG

Um dos sucessores de Guardiola no Barcelona, chegando dois anos depois da saída do catalão, Luis Enrique segue uma filosofia parecida com seu compatriota. Seu trabalho na seleção espanhola foi a epítome disso.

Muitas vezes criticado por motivos semelhantes àqueles de Guardiola, o time de La Roja era doutrinador com a bola e dominava o Jogo de Posição como poucos no mundo. Mas oferecia pouca “emoção” ofensivamente e o fim do seu trabalho ficou marcado pela dificuldade em penetrar defesas muito baixas.

Luis Enrique PSG
Luis Enrique é o técnico do PSG (Foto: Icon Sport)

Se redescobrindo no PSG, Luis Enrique ainda é amante fervoroso do 4-3-3 e tem sido pouco variável, mas o clube francês foi o time com mais dribles na última edição da Champions League. Seus meio-campistas são uma combinação de agilidade com a bola e ataque à profundidade sem ele, com pontas potentes em situações de um contra um.

O espanhol levou o PSG a uma de suas melhores chances de título europeu desde a chegada do investimento catari, e mesmo com as dificuldades de adaptação e com um elenco sendo reestruturado, teve ótimo desempenho e resultado.

Enrique também é ex-jogador do Barcelona e sucessor direto de Pep no Barcelona B, quando o catalão foi assumir o time principal, em 2008. Um dos nomes mais consolidados da escola espanhola que não está nem perto do declínio na carreira e é um estudioso do jogo — seria uma ótima opção para os Citizens.

Francesco Farioli – Ajax

Um dos jovens expoentes da nova escola italiana, Farioli tem apenas 35 anos e uma história inusitada até o mais alto nível do futebol. Ele se tornou pupilo de Roberto De Zerbi depois de escrever um artigo sobre o Foggia, treinado pelo compatriota — De Zerbi gostou e o chamou para ser seu auxiliar.

Aos 31 anos, Farioli já comandava um time profissional: começou na Turquia, com o Fatih Karagümrük, e depois levou o Alanyaspor ao quinto lugar do campeonato turco em 2022. Em 2023, chegou ao Nice, onde teve início arrasador, com um segundo lugar em seus primeiros 20 jogos na Ligue 1, e terminando o ano com o 5º lugar.

Farioli comandando o Nice
Farioli comandando o Nice (Foto: Icon Sport)

Seu estilo lembra bastante o de De Zerbi, principalmente na ideia central: criação de superioridade numérica durante a primeira fase de construção, atração de marcadores e toques rápidos para quebrar a linha de pressão.

Com a posse de bola, Farioli prioriza o movimento dos seus jogadores de lado. Laterais e pontas se posicionam no mesmo corredor, mas evitando ocupar os mesmos espaços. No campo do adversário, os laterais ocupam os corredores centrais, onde o Nice busca ter superioridade numérica. Já os pontas buscam o drible, com espaço para atacar nas costas do marcador direto.

Com os laterais por dentro, cria-se um corredor de passe, pois eles arrastam consigo um marcador adversário. Isso também posiciona os laterais próximos à jogada em caso de transição defensiva, permitindo a pressão imediata após a perda da bola.

Dadas as devidas proporções, é como se fosse uma versão da saída de bola de De Zerbi com ainda mais movimentação. Construindo em 3-3-2, há um padrão com a saída pelos zagueiros, o avanço do lateral do lado da bola pelo meio-espaço combinado com a descida de um meia. A interpretação da jogada sai a partir da reação da defesa,

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Um dos padrões de construção do Nice de Farioli (Foto: Tactical Board)
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Como a movimentação cria superioridade numérica no setor (4×3) e superioridade cinética do ponta e lateral (Foto: Tactical Board)

Defensivamente, é um treinador que preza pela pressão forte e alta. O sucesso dessa pressão geralmente leva a ataques rápidos e verticais, ideias popularizadas mundialmente por Klopp. Além disso, foi o time com a melhor defesa da Ligue 1 (29 gols sofridos, quatro a menos do que o segundo no quesito, o PSG).

É a opção menos provável, mas a que mais curiosa entre as que fazem sentido. Um treinador muito jovem com um elenco multicampeão e com nomes gigantes do futebol mundial não é simples de se imaginar, mas Farioli é um nome a ser anotado. O agora treinador do Ajax com certeza caminha em direção aos grandes palcos.

Guilherme Ramos
Guilherme Ramos

Jornalista pela UNESP. Escrevi um livro sobre tática no futebol e sou repórter da PL Brasil. Já passei por Total Football Analysis, Esporte News Mundo, Jumper Brasil e TechTudo.

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