Sunderland ‘Til I Die: série revela o doloroso rebaixamento dos Black Cats

Documentário da Netflix mostrou realidade cruel no descenso do clube

1
316
sunderland

Detentor de seis títulos do Campeonato Inglês e duas copas da Inglaterra, o Sunderland viveu uma das piores temporadas de sua história na disputa da Championship de 2017/18. A história do clube na temporada foi contada no documentário Sunderland ‘Til I Die.

A série de 8 episódios da Netflix conta com relatos de dirigentes, atletas e torcedores que viveram de perto aquela temporada desastrosa.

O texto preparado por nós, da PL Brasil, contêm spoilers sobre a série. Então, caso você não tenha assistido, acompanhe a história na Netflix e depois nos dê o seu feedback sobre o texto.

Sunderland ‘Til I Die: série revela o doloroso rebaixamento dos Black Cats

(Foto: Reprodução/Netflix)

Leia mais: O triste descenso do Sunderland pelas divisões inglesas

A relação do futebol com a comunidade

(Foto: Sunderland Echo)

A cidade de Sunderland fica localizada na região de Wearside, perto da fronteira da Inglaterra com a Escócia e possui cerca de 270 mil habitantes.

O Nordeste da Inglaterra convive com problemas diários de pobreza e desemprego, então o futebol acaba influenciando diretamente na comunidade local, pois com bons resultados e boas campanhas, a equipe do Sunderland influencia diretamente na economia local.

(Foto: Twitter/Sunderland Taxis)

Com o último rebaixamento, muitas pessoas acabaram perdendo os seus empregos no clube e com a ameaça de mais uma queda, muitos funcionários do Sunderland e habitantes da cidade acabam temendo pelo pior.

Ao longo do documentário, são mostradas as vidas de pessoas que estão diretamente ligadas ao clube, sejam como torcedores ou funcionários do próprio clube.

(Foto: Reprodução/Netflix)

Mesmo encontrando-se muito calejados e cansados de acompanhar o Sunderland nesta situação, estes torcedores mostram das formas mais fiéis como um clube de futebol pode afetar na vida de cada cidadão e não abandonam os Black Cats em momento nenhum.

A série acaba sendo imperdível para quem é fã do futebol, pois mostra de forma brilhante o lado humano do esporte e como ele pode mudar vidas e construir laços.

Início e esperança com Simon Grayson

(Foto: Divulgação/Sunderland AFC)

Após passar 10 temporadas seguidas na Premier League, o Sunderland acabou terminando na lanterna da Premier League de 2016/17 e acabou sendo rebaixado para a Championship. Com a queda, o então técnico David Moyes acabou sendo demitido do cargo.

Com isso, o Sunderland foi buscar o técnico Simon Grayson, que havia feito um ótimo trabalho com o Preston North End na Championship e com um orçamento bem abaixo do que o de muitos clubes.

Somado ao desinteresse do então dono do clube Ellis Short, o diretor do clube Martin Bain e o técnico Simon Grayson tinham poucos recursos para poder montar o time.

Muito por conta disso, a temporada é marcada por um olhar especial da comissão técnica para as categorias de base do clube. Atletas como George Honeyman, Josh Maja e Joel Asoro são figuras constantes ao longo da série por terem sido formados no clube e por terem ganhado uma responsabilidade inesperada nesta temporada.

Em seu último amistoso de pré-temporada, a equipe de Simon Grayson é goleada pelo Celtic por 5 a 0 no Stadium of Light, deixando os torcedores furiosos e desconfiados com o futuro do clube.

(Foto: Chronicle)

Leia mais: Newcastle x Sunderland, o clássico que vai muito além do futebol

A desconfiança é deixada de lado após 5 jogos. Com passagens por Bury e Carsile pela Copa da Liga, além de 5 pontos somados em 9 possíveis, os Black Cats ocupavam a 6ª colocação da Championship e estavam na zona de playoffs da competição.

Na 4ª rodada, veio a primeira derrota: 2 a 0 para o Leeds em pleno Stadium of Light e a partir daí, Simon Grayson não conseguiu conquistar nenhuma vitória sequer pelo clube, sendo demitido na 15ª rodada após um empate por 3 a 3 com o então lanterna Bolton.

Simon Grayson foi o técnico que menos durou no cargo de treinador na história do Sunderland.

Mesmo na lanterna, Sunderland anuncia Chris Coleman como seu novo treinador

(Foto: Divulgação/Sunderland AFC)

No período em que o clube fica sem treinador, muitas pessoas ligadas ao clube demonstram preocupação ao longo da série, dizendo que já foi difícil arrumar um treinador no começo da temporada. Imagina com o clube na lanterna, sem perspectivas de melhora e com nenhum investimento.

Para a surpresa de todos no mundo do futebol, o clube anunciou a contratação do então técnico da seleção de País de Gales, Chris Coleman.

Coleman ficou conhecido por elevar o patamar da seleção galesa no cenário internacional. Ele levou a equipe a uma semifinal de Eurocopa após eliminar a badalada seleção da Bélgica nas quartas de final.

Para um jogador em especial, a chegada do novo treinador é empolgante. O meia recém-chegado do Crystal Palace, o galês Jonathan Williams, sempre foi figura constante nas convocações de Gales e mostrava-se ansioso para trabalhar novamente com o treinador, assim como Coleman estava também empolgado.

No entanto, Jonny sempre teve problemas sérios de lesão e antes mesmo de Coleman assumir, ele acabou tendo uma grave lesão no ombro e os planos do novo técnico do Sunderland acabaram mudando.

(Foto: Divulgação/Sunderland AFC)

Leia mais: Nottingham Forest: 10 jogadores que passaram pelo time que você nem sabia

Com a chegada de Coleman, o Sunderland consegue até melhorar o seus resultados, mas sempre figurou na parte de baixo da tabela. No final da janela de transferências, o treinador galês e o diretor Martin Bain são informados de que o dono do clube, Ellis Short, não irá mais investir no clube. Assim, o clube fica sem dinheiro.

No Deadline Day, as contratações de Lee Camp, do Cardiff, Ovie Ejaria, do Liverpool, e de Ashley Fletcher, do Middlesbrough, são anunciadas, todas por empréstimo ao fim da temporada.

Com isso, o Sunderland consegue até demonstrar bons lampejos em alguns jogos, como no empate contra o Bristol City por 3 a 3, onde a equipe perdia por 3 a 0 e também na vitória de 4 a 1 contra o Derby County no Pride Park. Mas os maus resultados sempre prevaleciam e o time se afundava cada vez mais.

O rebaixamento do clube foi confirmado em um confronto direto contra o Burton Albion no Stadium of Light. Os Black Cats venciam até os 40 do segundo tempo, mas sofreram a virada e perderam as chances matemáticas de permanência na Championship.

Após o rebaixamento, Coleman até demonstra interesse em ficar e ajudar na reconstrução do clube, mas com todas as incertezas que pairavam ao redor do clube, ele acabou sendo mandado embora antes do jogo final da temporada.

(Foto: Reprodução/Netlix)

Polêmicas mostradas ao longo da série

Em toda a série, mostra-se que o clima de alguns jogadores do clube acabam se desgastando com o tempo e muitos deles acabaram saindo como os grandes vilões. Separamos alguns casos que revoltaram os fãs da série e queimaram o filme de alguns atletas com os torcedores.

Darron Gibson

(Foto: PA)

Revelado pelo Manchester United, o meia Darron Gibson era uma das figuras mais experientes do elenco do Sunderland. No entanto, cometeu atos imperdoáveis que acabaram resultando na rescisão de seu contrato ao longo da temporada.

Gibson foi flagrado por torcedores do clube completamente alcoolizado em um bar local. Ao ser cobrado por eles, o jogador afirma que gostava de jogar no Sunderland, mas que possuía companheiros que não se importam com o clube e acabou citando os nomes do zagueiro Laminé Kone e do atacante Jermain Lens.

O jogador se desculpou pelo ato e acabou sendo multado pelo clube, mas as polêmicas de Gibson não terminaram por aí.

O meia foi flagrado pela polícia local dirigindo completamente alcoolizado, o que fez Darron colidir o seu carro com vários outros veículos que estavam estacionados na rua, destruindo-os completamente.

O volante do Sunderland acabou sendo preso, foi liberado sob fiança, mas o clube optou por encerrar o seu contrato. Hoje, Darron Gibson é jogador do Wigan, da segunda divisão inglesa.

Lewis Grabban

(Foto: Getty)

Contratado por empréstimo junto ao Bournemouth no começo da temporada, o atacante Lewis Grabban foi o nome mais importante do Sunderland na primeira parte da temporada. Com 12 gols, o atacante era o artilheiro isolado da equipe e figurava entre os principais goleadores da Championship.

Porém, com a chegada da janela de janeiro e a troca de treinador, Grabban pediu ao Bournemouth que encerrasse o seu empréstimo junto ao clube do Nordeste inglês.

Na série, o atacante alega que permaneceria no clube se necessário. Mas o fato de não conversar muito com o novo treinador, que sempre o sacava dos jogos, acabou influenciando na decisão de querer deixar o clube.

Com isso, Grabban foi emprestado pelo Bournemouth ao Aston Villa até o fim da temporada. Em seu retorno ao Stadium of Light, fez um dos gols da vitória sobre o Sunderland e acabou provocando a torcida na comemoração.

Em entrevista após o jogo, o atacante não escondeu a felicidade em marcar contra o seu ex-clube. Isso acabou revoltando os torcedores e fãs da série.

Hoje, Grabban está atuando pelo Nottingham Forest, da segunda divisão inglesa.

Jack Rodwell, odiado em Sunderland

Foto: Divulgação/Sunderland AFC

Contratado pelo Sunderland em 2014, Jack Rodwell pode ser considerado sem dúvidas o pior investimento financeiro da era Ellis Short.

Após iniciar sua carreira como uma grande revelação no Everton, Rodwell atraiu o interesse do Manchester City. Pelos Citizens, acabou fazendo poucas aparições pelo clube devido a opções do treinador e contusões. Foi contratado pelo Sunderland em um contrato de 5 anos e ganhando 70 mil libras por semana.

Com nenhum dinheiro em caixa, a diretoria do clube via a liberação de Rodwell com ótimos olhos. Ela se reuniu com o jogador no último dia da janela de transferências tentando convencê-lo a deixar o clube.

Ao longo da série, o meia é tratado como um jogador patético. Não participa dos jogos e acaba sendo um gasto financeiro enorme para o clube.

No fim, Rodwell toma a decisão de permanecer no clube com o seu salário de 70 mil libras por semana. Isso revolta o diretor de futebol do clube Martin Bain.

Com o rebaixamento, o contrato de Rodwell foi encerrado pelo clube e hoje o atleta defende o Blackburn Rovers, da segunda divisão.

(Foto: Divulgação/Netflix)

Uma nova era com Stewart Donald

(Foto: Chronicle)

O último episódio da série é marcado pelo clima de despedidas. Alguns jogadores não terão os seus contratos renovados ou terão que retornar aos seus clubes de origem após serem disponibilizados por empréstimo. São os casos do zagueiro e capitão John O'Shea e do meia Jonny Williams, que demonstram tristeza ao deixar o clube.

É também mostrado como se desenrola a venda do clube para a Bridle Insurance, que possui como proprietário o empresário Stewart Donald, que decide tomar a frente nos negócios da equipe.

Durante a sua aparição, Stewart Donald demonstra enorme entusiasmo em poder reconstruir um clube de tradição como o Sunderland. Ele promete que seus investimentos no clube de futebol serão consideráveis.

Ao contrário do antigo dono, mal era visto em público e se recusava a falar com a imprensa, Stewart concedeu entrevistas a vários veículos de comunicação locais.

Com uma nova diretoria sob o comando do clube, muitas figuras marcantes que são retratadas na série acabam tendo que sair do clube. Uma delas é o diretor de futebol, Martin Bain. Ele demonstrou um esforço incansável em ajudar o clube ao longo da temporada. No entanto, a nova diretoria optou por encerrar o seu contrato em junho de 2018.

(Foto: Rex Features)

1 COMENTÁRIO

Comments are closed.