Sporting x Manchester United: o dia em que Cristiano Ronaldo garantiu ida para a Inglaterra

Ainda jovem, jogador português se destacou na partida contra os Red Devils

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Sporting x Manchester United: o dia em que Cristiano Ronaldo garantiu ida para a Inglaterra
Francisco Leong/AFP via Getty Images

Já pensou que determinado dia da sua vida pode ser um ponto chave para uma mudança drástica? Tanto para melhor, quanto para pior? Mas com certeza não foi essa segunda opção que fez parte da vida de Cristiano Ronaldo. Aquele Sporting x Manchester United no dia 6 de agosto de 2003 foi mágico, para o português.

Sporting x Manchester United: o dia em que Cristiano Ronaldo garantiu ida para a Inglaterra 

Mas antes desse dia, voltemos um pouco mais. Não foi, de certo, apenas um dia e um jogo que fez com que Cristiano chamasse atenção. Desde jovem, sempre se destacou. Ao ponto de ter estreado nos profissionais do Sporting com apenas 17 anos.

Sempre com muita habilidade técnica, acompanhada de grande força física, Ronaldo sempre teve olheiros de diversas equipes o acompanhando, desde as categorias de base em Lisboa.

O Arsenal, de Wenger, quase conseguiu levar Cristiano. Segundo o técnico francês, Cristiano tinha uma camisa do Arsenal com o número 9 e o nome “Ronaldo”. Outro gigante que passou perto foi o Real Madrid, que chegou a oferecer 8 milhões de euros. Porém, sem sucesso.

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O Manchester United já observava o garoto desde 2002 e o monitorava sempre de perto. O mais conclusivo para um clube fechar seu posicionamento sobre um jogador era enfrentá-lo como adversário. E foi aí, que os caminhos de Cristiano Ronaldo e de Manchester United se cruzaram.

A parte alviverde de Lisboa estava em festa no dia 6 de agosto de 2003. Aquela data marcaria a reinauguração do Estádio José Alvalade, que no ano seguinte viria a sediar a Eurocopa. Para comemorar, o Manchester United foi convidado pelo Sporting para uma partida festiva.

O United, é claro, já acompanhava de perto Cristiano Ronaldo e naquele dia, Sir Alex Ferguson deve ter com certeza dividido as atenções entre sua própria equipe e o até então camisa 28 do Sporting. O lendário treinador do Manchester gostava de assistir presencialmente partidas de possíveis reforços.

Como o futebol muitas vezes é feito de coisas opostas, assim foi a noite. A felicidade e alegria de ver Cristiano Ronaldo jogar era totalmente oposta ao sacrifício e a dificuldade de John O’Shea, lateral do United, na marcação de Cristiano Ronaldo. Para o português, era uma espécie de vestibular para entrar em uma das maiores instituições do mundo.

“Ficou claro, com o decorrer da partida, que estávamos testemunhando algo especial”, disse o irlandês John O’Shea.

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O Sporting concentrava quase todas suas ações pelo flanco esquerdo, o mesmo setor que seria consagrado por Cristiano Ronaldo no restante de sua carreira.

Recentemente, em um programa de televisão da Inglaterra, o zagueiro Rio Ferdinand, companheiro de O’Shea naquela época no United, brincou dizendo que o lateral irlandês “chegou ao vestiário precisando de uma máscara de oxigênio”, pois estava com respiração ofegante depois de marcar Cristiano no primeiro tempo.

A cada ação de Cristiano, o Manchester United tinha certeza que uma aposta em Cristiano teria um altíssimo retorno. O alto repertório de Cristiano naquela partida teve drible, passe de calcanhar e finalização perigosa de longe.

Cristiano criava sequências de lances positivos para o Sporting, sendo os mais perigosos duas finalizações muito fortes em direção ao goleiro Barthez. Cristiano não marcou gol e nem deu assistência e isso impressionava ainda mais pelo seu nível de exibição.

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Além da grande partida em contribuição tática e para o resultado, Cristiano tinha ali um diferencial mágico. Conseguia dar show, ele fazia do futebol para quem o assistisse um legítimo entretenimento.

Naquela noite de festa e empolgação em Lisboa, a torcida do Sporting nem imaginaria que toda aquela felicidade se transformaria apenas seis dias depois em tristeza e eternas saudades por Cristiano.

Depois da partida, no vestiário, os atletas do Manchester United se reuniram e disseram a Sir Alex Ferguson que Cristiano Ronaldo poderia ser um jogador fundamental para a equipe. Especificamente, Roy Keane e Solskjaer pediram ao treinador que ele tinha que contratar Cristiano.

Aquela partida tinha um peso importante não só para o Manchester, mas também para outros clubes interessados em Cristiano. Logo, Alex Ferguson teve que agir rápido, e agiu, ainda no estádio, como contou Cristiano Ronaldo em entrevista ao DAZN.

“Foi logo depois do jogo. Chegou até mim um diretor do Sporting e disse que Alex Ferguson queria falar comigo. Fui até o vestiário dele junto com um intérprete e ele demonstrou interesse em contar comigo e eu fiquei muito feliz”, afirmou Ronaldo.

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Francisco Leong/AFP via Getty Images

Segundo Ferguson, aquela noite no José Alvalade foi uma das grandes noites de sua carreira como técnico, como lembrou em sua biografia.

“Você está assistindo a um jogo quando vê um George Best, um Ryan Giggs, um Bobby Charlton. Isso que eu senti naquele dia em Lisboa. Uma revelação. Foi o maior surto de empolgação que eu experimentei como técnico de futebol”, escreveu Ferguson.

Para o até então treinador de Cristiano no Sporting e hoje treinador na seleção portuguesa, Fernando Santos, ficou um gosto saudável de arrependimento.

“Se eu soubesse disso em 2003, quando aconteceu, eu não teria colocado o Cristiano para jogar. Digo isso em tom de brincadeira também. Pois, de alguma forma, esse jogo contribuiu para fazer com que Cristiano seja o melhor do mundo”, disse o treinador.

Exatamente uma semana depois de sua mágica noite em Lisboa, Cristiano sairia de Portugal e iria até a Inglaterra, mais precisamente para Manchester, assinar com os Red Devils e ser apresentado, numa transação que custou 19 milhões de euros ao United.

Na estreia de Cristiano com a camisa de número 7 vermelha, no dia 16 de agosto, a torcida do Manchester United se empolgou, assim como a imprensa inglesa. O The Guardian esqueceu rápido o antecessor da camisa 7, David Beckham, a fazer o comentário: “David quem?”. O resto foi história. E muita história.