Southampton: de sensação da Premier League à crise

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Time sensação da Premier League nos últimos anos, o Southampton vive uma temporada bem diferente das anteriores.

Pequeno clube do sul da Inglaterra, o time voltou a disputar a Premier League na temporada 2012-13, após o vice-campeonato da Championship, perdendo o título para o Reading por um ponto.

Em seu primeiro ano na elite inglesa, os Saints tiveram grande dificuldade e perderam oito dos dez primeiros jogos da Premier League, passando três rodadas da lanterna da competição.

O efeito Pochettino

Mauricio Pochettino ficou apenas uma temporada e meia no clube (Divulgação)

Virando o ano para 2013 sem jogar bem e com a principal contratação do time, o uruguaio Gaston Ramírez, em baixa, a diretoria resolveu demitir o técnico Nigel Adkins, que estava no comando do clube desde 2010.

A solução? Um argentino até então desconhecido que treinou o Espanyol entre 2009 e 2012: Mauricio Pochettino.

O atual técnico do Tottenham estava longe de ter credenciais para tirar o pequeno time inglês da luta contra o rebaixamento. Apesar de ter sido bicampeão da Copa do Rei com o Espanyol, como jogador, Pochettino, como técnico, não foi bem no clube catalão.

Em 161 jogos foram 53 vitórias, 38 empates e incríveis 70 derrotas. Números que o fizeram sair do clube azul.

Pochettino estreou no Southampton com um empate com o Everton, mas após duas rodadas venceu o City.

Entre altos e baixos, o time se livrou do rebaixamento terminando a Premier League na 14ª colocação.

O início da surpresa

Com Pochettino no comando, agora desde o começo da temporada, o Southampton começou a voar mais alto na Premier League.

Com os reforços como Dejan Lovren e Wanyama, o time comandado pelo argentino teve um ótimo início de temporada, chegando a ficar em terceiro lugar na classificação.

O time alvirrubro fez bons jogos, como a vitória sobre o Liverpool em pleno Anfield e a goleada por 4 a 0 no Newcastle.

O bom desempenho fez com que o Southampton terminasse a Premier League na oitava colocação, melhor posição da história do clube na época.

Todo o sucesso levou o Tottenham a pagar a multa de Pochettino e levar o treinador para Londres, onde até hoje comanda o time.

A era Koeman

O aguerrido elenco do Southampton comemora o gol sobre o Leicester City (Divulgação/Premier League)

Sem Mauricio Pochettino, que tinha ido para o Tottenham, e após ser varrido na janela de transferências pelos gigantes, perdendo Lambert e Lallana para o Liverpool, Luke Shaw para o United e Chambers para o Arsenal, o pequeno time do Sul precisava se reinventar.

O treinador escolhido para comandar o novo projeto foi Ronald Koeman. Com passagens pelo futebol holandês e pelo Barcelona, como assistente técnico, Koeman recebia um time desfigurado e que precisava ir ao mercado para repor as peças perdidas.

Entre os contratados estavam Tadic, vindo do Twente, Shane Long, do Hall City, Ryan Bertrand, do Chelsea, Fraser Forster, do Celtic, e a dupla que encantou os brasileiros pelo nome: Graziano Pellè e Sadio Mané.

Com esses novos nomes, Koeman conseguiu não só manter o nível de futebol praticado na era Pochettino, como melhorou as marcas do argentino.

Com futebol envolvente e ofensivo, o Southampton brigou nas primeiras colocações no início da Premier League, chegando a liderar o campeonato.

O time conseguiu atuações memoráveis, como o 8 a 0 diante do Sunderland e a vitória por 1 a 0 sobre o Manchester United, em pleno Old Trafford. O final da temporada acabou sendo desgastante para o elenco, que sofreu com lesões, e acabou em 7º na Premier League.

O auge

Mais experiente e com menos perdas na janela de transferências, vendendo apenas o lateral direito Nathaniel Clyne para o Liverpool, o Southampton iniciou a temporada 2015-16 com um elenco forte.

O clube do sul ainda se reforçou com Cédric Soares, Oriol Romeu, Clasie e Van Dijk.

Virgil van Dijk, um dos pilares desse novo Southampton (Divulgação/BPI/Michael Zemanek)

Porém a expectativa de disputa por uma vaga na Champions League, fato que seria inédito na história do clube, não se confirmou.

Com um começo irregular, a equipe passou grande parte da competição no meio da tabela, conseguindo apenas um gás final nas últimas dez rodadas, quando conquistou sete vitórias, dois empates e apenas uma derrota.

O sprint final fez com o que Southampton terminasse a Premier League na 6ª colocação e quebrasse mais uma vez a marca de melhor posição na história do clube.

Além disso, o time conseguiu uma classificação inédita para a UEFA Europa League.

As saídas de pilares

O que parecia ser apenas uma brincadeira nas transmissões esportivas se tornou realidade. Mané e Pellè eram as referências do time do Ronald Koeman.

Após uma proposta do Everton, o técnico holandês decidiu deixar o Southampton para assumir um novo desafio na cidade de Liverpool. Junto com ele, a dupla de ataque destaque do clube também saiu.

Mané também foi para Liverpool, mas para jogar no time rival de Koeman, se tornando a transação mais cara da história do clube na época: 35 milhões de libras. Já Pellè decidiu explorar o novo e milionário futebol chinês.

Como se não bastasse perder as duas referências do ataque, os Saints ainda perderam um dos pilares da defesa do time: José Fonte. Insatisfeito com as propostas de renovação, Fonte se sentia pouco valorizado pelo clube que defendia desde 2010.

O zagueiro, que tinha acabado de conquistar a Eurocopa com Portugal, ficou no banco no início da temporada e acabou indo para o West Ham.

Leia mais: Arsenal Women e a conquista inédita da Champions League em 2007

Para assumir o time, a diretoria apostou em Claude Puel, técnico que vinha fazendo um bom trabalho no Nice, da França.

Sem grandes contratações, Puel contou apenas com os jovens Redmond, Hojbjerg e Sofiane Boufal.

Durante toda a temporada 2016-17 a equipe de Puel não encontrou uma forma de jogo. As saídas de Pellè e Mané foram muito sentidas e o ataque não teve tanto destaque.

No meio da temporada, os Saints tentaram apostar em Manolo Gabbiadini, vindo do Napoli, mas após um bom início com gols, o italiano não conseguiu manter a forma.

Com uma campanha regular na Premier League e as eliminações precoces na Copa da Inglaterra e na UEFA Europa League, o ano do Southampton se resumiu ao grande feito de Claude Puel: a final da Copa da Liga Inglesa.

Em jogo eletrizante, a equipe do Sul jogou de igual para igual com o United, mas Ibrahimovic, em dia inspirado, decidiu e deu o caneco para os Red Devils. O vice foi o ponto final da passagem de Puel no Southampton.

Van Dijk e a temporada 2017-18

Mesmo com uma lesão que o afastou da metade final da temporada, o zagueiro holandês Van Dijk foi o grande alvo dos grandes times ingleses na janela, principalmente Liverpool e Manchester City.

Após muita novela e capas de jornais, o Southampton segurou o zagueiro no elenco, indo contra a vontade do jogador, que queria jogar no Liverpool.

Contratado para o lugar de Puel, o técnico Mauricio Pellegrino chegava após uma boa temporada no Deportivo Alavés, levando o pequeno time espanhol a uma final de Copa do Rei, mas com a missão de remontar o Southampton.

Com Van Dijk afastado, o treinador deu mais minutos a Stephens, jovem revelação do clube, e contratou Hoedt, da Lazio. Além do zagueiro holandês, os Saints trouxeram Lemina, da Juventus.

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Afastado da pré-temporada e do elenco principal, Van Dijk acabou não sendo negociado na janela de inverno e voltou ao time com Pellegrino. A expectativa para o time com o novo treinador era muito alta, mas não houve novidade.

As fracas atuações e o péssimo desempenho ofensivo fizeram a equipe, que brigava na parte de cima da tabela, começar a fazer as contas para fugir do rebaixamento.

Pellegrino, que veio como aposta, conseguiu igualar o recorde de mais partidas sem vencer e agora é alvo da torcida para deixar o clube.

Mesmo após a venda de Van Dijk para o Liverpool por 75 milhões de libras, o Southampton não fez os grandes investimentos em contratações.

Agora sem pilares do clube e passando por uma crise de identidade, o Southampton tenta se reconstruir em meio a uma transição de diretorias. O time que encantava pelo jogo ofensivo tenta voltar a figurar entre os primeiros da Premier League.

por Rodrigo Jufo

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