Senise: por que vender o ‘monstro’ Hojbjerg seria um erro grave do Tottenham

4 minutos de leitura

Pierre-Emile Hojbjerg é um volante na acepção da palavra. Forte fisicamente, raçudo, corre o tempo todo, desarma, grita, faz falta. Briga quando necessário. Luta o tempo todo. Mas ele está longe de ser um brucutu. Além da liderança em campo (mesmo não sendo o capitão do Tottenham), tem qualidade no passe e no lançamento.

Na última temporada, mesmo jogando em um time que não fazia questão nenhuma de ter a bola, deu 2.256 passes. Acertou 1.998. Teve 88,6% de sucesso nas tentativas. Deu ainda cinco assistências.

Hojbjerg faz gols também. Na temporada passada, foram cinco pelo Tottenham.

Aliás, foi dele o gol mais comemorado da sofrida torcida do Tottenham: contra o Olympique de Marselha, no último segundo da última rodada da fase de grupo da Champions League, que garantiu não apenas a classificação, mas também a primeira colocação.

Outro ponto positivo: ele nunca se machuca. Desde que estreou na partida contra o Everton, em 2020/21, esteve em campo em 145 das 161 partidas disputadas pelos Spurs.

Isso dá pouco mais de 90% de presença. Tente lembrar de três ou quatro atletas da elite do futebol europeu que tenham essa média e falhe miseravelmente.

Aliás, na primeira temporada no clube, Hojbjerg atingiu a inacreditável marca de jogar todos os minutos das 38 partidas da Premier League. O cara é um monstro!


As opções do Tottenham para a posição de Hojbjerg

Agora, olhemos em volta. Quais as opções de meio-campo no elenco? A primeira é Yves Bissouma, que desde que chegou do Brighton, nunca se firmou, e para piorar teve lesão mais séria na temporada passada. A segunda é Oliver Skipp, formado na base, apenas 22 anos. Jovem ainda, claro, mas já teve inúmeras chances e nunca conseguiu chegar no nível que se espera. O mesmo vale para Pape Matar Sarr, ainda mais novo, 20 anos.

Temos o retorno de Tanguy Ndombele, o homem de 55 milhões de libras. Excelente que o novo treinador está avaliando o atleta de 26 anos, mas dá para confiar? Bentancur é muito bom, sem dúvida, mas não como primeiro volante. O mesmo vale para Lo Celso (será que fica dessa vez?), e ainda mais na frente, James Maddison.

Que outro volante o Tottenham conseguirá pelo mesmo preço?

Para completar, o preço. Fala-se muito que, além de abrir espaço no elenco, é preciso equilibrar as contas. O Tottenham conseguiria cerca de 30 milhões de libras pelo dinamarquês de 27 anos. Que volante de primeira prateleira você compra com esse dinheiro? O Rice custou 100 milhões de libras para o Arsenal. O Caicedo não sai do Brighton por menos de 90 milhões.

Entendo que o novo técnico Ange Postecoglou quer ar novo, renovar o elenco e apostar mais nos jovens talentos. E acho ótimo! Entendo também que ele quer um time mais leve, de posse de bola, envolvente, técnico. E acho ótimo! Mas penso que o volante dinamarquês se encaixa nessa nova filosofia.

E tem o lado sentimental também, por que não? A torcida do Tottenham, acostumada com desilusões e decepções, enxerga em Hojbjerg um representante desse amor dentro de campo. Com a personalidade e qualidade que ele sempre mostrou, tem tudo para virar o líder dessa nova era. Dê chance para o homem, professor!

Renato Senise
Renato Senise

Renato Senise é correspondente em Londres desde 2016. São mais de cinco temporadas cobrindo Premier League e Champions League. No currículo, duas Copas do Mundo “in loco”, além de entrevistas com nomes como Pep Guardiola, José Mourinho, Juergen Klopp, Marcelo Bielsa, Neymar, Kevin De Bruyne e Harry Kane.