Santíssima Trindade: o trio do Everton que ganhou estátua no Goodison Park

No fim dos anos 1960, a torcida dos Toffees assistiu a um dos melhores trios da história do futebol inglês

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Santíssima Trindade: o trio do Everton que ganhou estátua no Goodison Park
Alex Livesey/Getty Images

Em maio de 2019, o Everton inaugurou uma estátua que homenageia sua Santíssima Trindade (Holy Trinity), composta pelos ídolos Alan Ball, Colin Harvey e Howard Kendall. O monumento está nos arredores do Goodison Park, em Liverpool.

No evento de inauguração, Harvey disse ser incomum ganhar uma estátua enquanto se está vivo. “O sentimento é fantástico e a escultura também! Todos os meus netos estão aqui hoje, tiraram folga da escola. Eles leram histórias sobre mim, mas nunca me viram jogar. Eu sabia que as pessoas estariam aqui, mas não tantas assim.”

O ex-jogador, cria das categorias de base dos Toffees, iniciou sua carreira profissional em 1963 e chegou a ser apelidado de “Pelé Branco”, por sua elegância e habilidade. Em 1964, viveu um de seus momentos mais especiais: marcou o terceiro gol do Everton no clássico contra o Liverpool numa goleada por 4 a 0.

Ainda que o Liverpool estivesse 14 posições abaixo do seu rival na tabela, o resultado foi considerado surpreendente. Os Reds contavam com várias figuras lendárias do clube, como Ron Yeats, Ian Callaghan, Roger Hunt e Ian St John.

Posteriormente, o habilidoso meia foi peça-chave na conquista da Copa da Inglaterra, na temporada 1965/1966.

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A SANTÍSSIMA TRINDADE! ⠀ Em maio de 2019, o Everton inaugurou uma estátua que homenageia sua Holy Trinity, composta pelos meio-campistas Alan Ball, Colin Harvey e Howard Kendall. O monumento está nos arredores do Goodison Park, em Liverpool. ⠀ Harvey, cria da base dos Toffees, iniciou sua carreira profissional em 1963 e chegou a ser apelidado de "Pelé Branco". O habilidoso meia foi peça-chave na conquista da Copa da Inglaterra, na temporada 1965/66. A revista Goal descreveu o atleta como um "excelente jogador para se assistir". Mas o elegante centrocampista do Everton ainda atingiria seu auge técnico ao ganhar as companhias de Alan Ball, vindo do Blackpool em julho de 1966 e Howard Kendall, do Preston North End, em março de 1967. ⠀ Pelos Toffees, o trio atuou entre 1967 e 1971, conquistando o Campeonato Inglês de 1969/70 e a Supercopa da Inglaterra de 1970/71. ⠀ A conquista da liga foi marcada pela vitória por 2 a 0 contra o West Brom. Nessa partida, Colin Harvey marcou depois de uma arrancada extraordinária. O lance entrou para a história do futebol inglês. ⠀ A Santíssima Trindade se desfez em dezembro de 1971, quando o Arsenal investiu 220 mil libras (um recorde, na época) para contar com Alan Ball. O histórico jogador inglês, campeão do mundo em 1966, deixava o Everton depois de 208 jogos e 66 gols. ⠀ Em 1974, três anos após a saída de Ball, Harvey e Kendall também deixaram o clube — para Sheffield Wednesday e Birmingham City, respectivamente. Mas aquele não seria o final dessa história… ⠀ Em 1981, Kendall retornou ao clube como técnico, levando Harvey como auxiliar. Com a dupla no comando, os Toffees viveram seus melhores momentos: venceram o Campeonato Inglês em 1985 e 1987, a Copa da Inglaterra em 1984 e a Recopa Europeia em 1985 — o único título de relevância continental na história do Everton. ⠀ ???? Divulgação/Everton ⠀ #efc #everton #evertonfc #toffees #coyb #plbrasil

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Mas o elegante meio-campista do Everton ainda atingiria seu auge técnico ao ganhar as companhias de Alan Ball, vindo do Blackpool em julho de 1966 e Howard Kendall, do Preston North End, em março de 1967. O primeiro foi contratado por 112 mil libras, numa transferência de valor recorde. Kendall assinou com o clube azul de Liverpool por 85 mil libras.

O início da configuração que viria a ser batizada como Holy Trinity contou com um episódio frustrante. Harvey, Ball e Kendall amargaram o vice-campeonato da Copa da Inglaterra em 1968, contra o West Bromwich em Wembley.

A equipe de Liverpool era considerada favorita ao título, principalmente por ter vencido o adversário da final nos dois encontros da liga, pelos placares de 2 a 1 e 6 a 2. Mas o gol único de Jeff Astle para os Baggies, na prorrogação, deu números finais ao duro confronto. Os momentos de glória da Santíssima Trindade ainda estavam por vir.

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Pelos Toffees, o trio atuou entre 1967 e 1971, vencendo o Campeonato Inglês de 1969/70 e a Supercopa da Inglaterra de 1970/1971. Ironicamente, a conquista da liga foi selada na vitória por 2 a 0 contra o West Brom, adversário da final da Copa dois anos antes.

Nessa partida, Colin Harvey marcou após uma arrancada extraordinária, naquele que foi considerado como o gol da temporada. Partindo do lado direito, o meia driblou dois marcadores e finalizou a jogada com uma pancada, a mais de 20 metros do gol.

O lance entrou para a história do futebol inglês. Naquela campanha, os comandados de Harry Catterick venceram a liga com 66 pontos, nove pontos a mais que o Leeds, vice-campeão.

Fim do trio

Alex Livesey/Getty Images

A Santíssima Trindade se desfez em dezembro de 1971, quando o Arsenal investiu 220 mil libras (um recorde, na época) para contar com Alan Ball. O histórico jogador inglês, campeão do mundo em 1966, deixava o Everton depois de 208 jogos e 66 gols.

Em 1974, três anos após a saída de Ball, Harvey e Kendall também deixaram o clube — para Sheffield Wednesday e Birmingham City, respectivamente. O primeiro encerrava uma passagem de 11 anos pelo clube, com 384 aparições e 24 gols marcados. Kendall, em oito anos, atuou 229 vezes e somou 21 tentos. Mas aquele não seria o final dessa história.

Em 1981, Kendall retornou ao clube como técnico, levando Harvey como auxiliar. Com a dupla no comando, os Toffees viveram seus melhores momentos: venceram o Campeonato Inglês em 1985 e 1987.

Nas duas oportunidades, o arquirrival Liverpool foi vice, o que certamente conferiu um gosto especial para aquelas campanhas. Além disso, o esquadrão liderado por Kendall e Harvey conquistou a Copa da Inglaterra em 1984 e a Recopa Europeia em 1985 — o único título de relevância continental na história do Everton.

Por Lucas Bretas