10 anos de Robinho no Manchester City: alta expectativa, baixo desempenho

Rei das Pedaladas não teve grande passagem e deixou poucas saudades

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Robinho no Manchester City em 2009
Robinho chegou com enorme status ao City, mas não correspondeu (Foto: Jamie McDonald/Getty Images)

Em 1º de setembro de 2008, Robinho foi oficializado como o reforço de um clube que surgia na época como novo rico do futebol mundial: o Manchester City.

Por isso relembramos, 10 anos depois, como foi a sua transferência ao City (quando tudo parecia que seu destino seria o Chelsea) e a passagem do rei das pedaladas pelo lado azul de Manchester.

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AFP/Getty Images

Robinho esteve a um passo do Chelsea, mas foi parar no City

Após três anos no Real Madrid, Robinho demonstrava o desejo de sair da equipe merengue.

Mesmo sendo um dos artilheiros do time nas três temporadas completas em que jogou por lá (12 em 2005-06, oito em 2006-07 e 15 em 2007-08), ele não se firmou como o esperado. Além disso, acabou tendo problemas com o alemão Bernd Schuster, seu último treinador em Madri.

O clube mais interessado no brasileiro era o Chelsea, na época comandada por Luiz Felipe Scolari, que declarava abertamente o desejo de contar com o Rei das Pedaladas.

O atleta também tinha interesse público de ir aos Blues e acabou rejeitando a possibilidade de renovar com os merengues. Os londrinos chegaram a mandar uma proposta de £ 28 milhões, mas de última hora o Real Madrid rejeitou a oferta.

Depois de quase parar no Chelsea, Robinho estreou pelo City justamente contra os Blues (Foto: Alex Livesey/Getty Images)

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No fim das contas, Robinho foi jogar em um time azul da Inglaterra, mas não o Chelsea. Ao fechamento da janela, o brasileiro foi anunciado como reforço do Manchester City por £ 32 milhões.

No mesmo dia, foi confirmada a venda do clube para o Abu Dhabi United Group (ADUG). O grupo árabe, que até hoje mantém 86% das ações da equipe, tornou-a uma das mais ricas do mundo.

Anos depois, Robinho afirmou à revista Four Four Two que um erro do Chelsea ao vender suas camisas antes da hora e a Champions League foram os grandes motivos para que o Real Madrid mudasse sua postura:

Meu objetivo era ir ao Chelsea. Mas o Real não gostou de vê-los vendendo camisas com meu nome antes da negociação ser encerrada. Estou certo de que esse erro foi uma das principais razões da transferência não ter acontecido, era uma questão de orgulho para o Real Madrid. Eles também relutaram em me deixar ir a um clube que jogava a Champions League, já que o Chelsea estava lá e o City não. Fui para um grande clube e eles me recepcionaram da melhor maneira possível. Tive um ano e meio de alegria em Manchester, mesmo com a cidade sendo muito mais fria que Madrid!”.

Primeira temporada é marcada por artilharia e críticas à vida noturna

Robinho chegou com a camisa 10 e status de primeira estrela contratada com a nova gestão dos árabes do ADUG.

O elenco contava com outros dois brasileiros, que segundo ele, influenciaram em sua chegada: e Elano.

Por chegar já com a temporada em andamento, ele estreou apenas na quarta rodada, e justamente contra o Chelsea. O brasileiro fez um lindo gol de falta, mas não impediu a derrota de virada por 3×1.

O começo foi muito bom, com seis gols nos seis primeiros jogos (incluindo um hat-trick contra o Stoke City) e um protagonismo assumido no elenco.

Na primeira temporada, o atacante foi o artilheiro do time com 15 gols – 14 na Premier League e um na Copa da UEFA. Ele marcou contra os três principais times de Londres (Chelsea, Tottenham e Arsenal) e, apesar de ver o clube chegar apenas em 10º no Campeonato Inglês, foi eleito o melhor jogador do mês de outubro e terminou a época bem requisitado pela torcida.

O brasileiro terminou a primeira temporada os Citizens como artilheiro da equipe (Foto: Alex Livesey/Getty Images)

Mesmo assim, a sempre implacável imprensa inglesa já tecia críticas. O camisa 10 era comentado pela oscilação em campo, que gerava alguns desempenhos ruins para um atleta tão caro, e principalmente pela agitada vida noturna. Tempos depois, já no Atlético Mineiro, Robinho falou ao Daily Mail sobre o assunto.

Gostava de Manchester, do clube, dos restaurantes… mas nos esqueçamos das baladas (risos). Eu tinha fama de festeiro, e gostava de me divertir. Mas os ingleses saíam mais que os brasileiros. Joe Hart saía sempre, Micah Richards e Shaun Wright-Phillips também. Mas quando saíamos, os brasileiros os pilhavam”, afirmou.

Lesão e segunda temporada abaixo da média provocaram saída

Para a temporada 2009/10, já se esperava um desempenho melhor de Robinho. Mas após apenas três jogos na Premier League, sofreu uma lesão no tornozelo durante os compromissos internacionais. Acabou ficando fora por três meses e disputou apenas 12 jogos da liga até janeiro de 2010.

O único gol do rei das pedaladas pelo Manchester City naquela temporada foi contra o Scunthorpe United, pela quarta rodada da FA Cup. O camisa 10 caiu bastante de rendimento na época, especialmente após a troca de treinadores.

Com a saída de Mark Hughes para a chegada de Roberto Mancini, ele despencou e até chegou a não ser relacionado em alguns jogos. Com isso, parecia iminente a saída do brasileiro.

Visando um bom ritmo de jogo para a Copa do Mundo, ele pediu para sair e acabou sendo emprestado para o Santos.

Com um bom futebol na Vila Belmiro e sendo um jogador importante na Seleção no Mundial, Robinho voltou ao Manchester City. Mas nem o clube, nem o jogador desejavam mais a permanência.

Com isso, os Citizens abriram espaço para propostas. O jogador recebeu ofertas de equipes em vários países, mas no fim das contas acabou indo para o Milan.

O camisa 10 foi emprestado e negociado posteriormente após uma temporada 2009/10 ruim (Foto: Michael Regan/Getty Images)

Robinho no Manchester City mudou o patamar do clube e do mercado

A contratação de Robinho não teve o retorno esperado e, dessa forma, gerou certo prejuízo para o clube.

Mas o simbolismo da negociação que colocou Robinho no Manchester City foi importante. Na época, o brasileiro era camisa 10 do Real Madrid. Tirá-lo do clube merengue em disputa com o Chelsea por um valor alto, além de surpreender o mundo, mostrou a todos que, com os novos donos, os Citizens viriam fortes.

Em entrevista à Sky Sports em 2017, o coordenador de contratações do time na época, Mike Rigg (que esteve no cargo entre 2008 e 2012), afirmou que aquela transferência por um preço tão elevado ajudou a modificar o mercado. “Se nós formos de volta para 2008, quando o City comprou o Robinho, aquilo teve um efeito cascata, inflacionou os preços”, declarou.

Dez anos e muitos investimentos depois, o Manchester City atingiu o patamar de grande força da Inglaterra e agora busca voos maiores no futebol europeu. E era justamente isso que se desejava com a contratação de Robinho há uma década.