Quem é Felipinho, a joia brasileira que joga na 2ª divisão da Inglaterra e pode parar na seleção argentina

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Uma pequena cidade no noroeste da Inglaterra, acima de Liverpool e Manchester, abriga um time da Championship, a segunda divisão do país, e uma promessa brasileira de 16 anos que já encanta os maiores clubes da Premier League e pode pintar na seleção da Argentina.

O jovem se chama Felipe Rodriguez Gentile, é conhecido como Felipinho, nasceu no Brasil, tem pais argentinos e foi recentemente promovido para o time principal do Preston North End, que terminou em 12º lugar na última temporada da Championship.

Felipinho entre Brasil, Argentina e Inglaterra

Felipinho passou a chamar a atenção no fim do ano passado quando, competindo pelas equipes sub-17, sub-18 e sub-19 do Preston, marcou 18 gols em 10 jogos. Apareceu como um atacante ambidestro que pode ser tanto um centroavante como um jogador de lado do campo. Na oportunidade, a imprensa britânica divulgou que ele estava sendo monitorado por clubes do tamanho de Liverpool, United, City, Chelsea e Arsenal.

Nesta semana, ele estreou no time profissional num amistoso contra o amador Bamber Bridge, marcou um golaço e voltou a ser notícia até fora da Inglaterra. O diário argentino “Olé” publicou uma matéria sobre Felipinho ressaltando o fato do brasileiro “ter o sonho de vestir a camisa da Argentina”.

A afirmação tem base em publicações do próprio jogador, que comemorou nas redes sociais o título mundial conquistado pela seleção de Messi no Catar, no fim de 2022, e numa entrevista que seu pai, Fernando, deu para o site argentino “Infobae”.

Seu sonho é jogar pela Argentina. Se chegar algo, ele ficará muito feliz. Já estivemos em contato com Juan Martin Tassi (diretor das seleções de base da Argentina), que pediu mais informações sobre ele. Veio ver um jogo dele na Inglaterra e seguimos nos falando — contou o pai de Felipe.

O sonho é possível porque Felipinho nasceu no Brasil, mas tem nacionalidade argentina e espanhola. Ele é fruto do casamento de Fernando e Agustina, que se conheceram na Argentina, mas se mudaram para o Brasil em 2001, ano em que seu país natal passou por uma grave crise econômica.

A família se instalou em Vinhedo, no interior de São Paulo (a 80 quilômetros da capital), onde cresceram Felipe e seu irmão mais velho, Mateo. Lá também o agora jogador ganhou o apelido que o acompanha até no interior da Inglaterra. A família se mudou para Milão, voltou para o Brasil e desembarcou na Terra da Rainha em janeiro de 2020, pouco antes da pandemia.

“Infraestrutura no Brasil é precária”, diz pai de Felipe

O brasileiro chegou a fazer testes no Liverpool, mas o processo foi interrompido pela covid-19. Ele fechou, então, um acordo com o Preston North End, que também inclui uma bolsa de estudos. Seu pai ainda deixou claro que a mudança para a Inglaterra foi fundamental para o progresso esportivo do filho que, segundo ele, não teria sido possível nos clubes do Brasil.

Sempre soubemos que ele se daria bem. Mas também sabíamos que na América Latina seria mais difícil, porque o Brasil tem muitos meninos que jogam futebol e a infraestrutura, tirando os grandes clubes, é precária. Aqui encontramos uma mega estrutura até em times de segunda divisão. O Preston tem dinheiro, tem bons profissionais, tem a bolsa de estudo… O nível é muito bom e tem muitas oportunidades — justificou Fernando.

No Preston, Felipinho joga com algumas promessas de grandes clubes ingleses. No elenco da temporada passada estavam Calvin Ramsay, emprestado pelo Liverpool, e Alvaro Fernandez, que pertence ao United. Também atua lá Ben Woodburn, revelado pelo LFC. Felipinho, no entanto, ainda não tem convocações para as seleções de base da Argentina.

A expectativa é que Felipe permaneça no clube da segunda divisão pelo menos por mais dois anos. Esta é a duração da bolsa de estudos que ele tem com o clube e também o prazo para que ele possa assinar um contrato profissional. A partir daí, o atacante deve aparecer mais frequentemente nas manchetes dos jornais — seja na Inglaterra, na Argentina ou no Brasil.

Diogo Magri
Diogo Magri

Jornalista formado pela ECA-USP, campineiro e repórter na PL Brasil. Passagens por EL PAÍS, Revista Veja e Futebol Globo CBN.

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