Após promessa de Abramovich de apoiar a Ucrânia, R$ 14,5 bilhões da venda do Chelsea podem ter outro destino

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Após polêmica envolvendo ligação com o governo russo em meio às invasões à Ucrânia, o então dono do Chelsea, Roman Abramovich, colocou o clube à venda em maio deste ano por 4,25 bilhões de libras. Na ocasião, o empresário prometeu doar parte do valor para as vítimas da guerra na Ucrânia — mas isso pode mudar.

Isso porque, segundo o jornal inglês “Telegraph”, a proposta de desviar o fundo de venda de 2,34 bilhões de libras do Chelsea de Roman Abramovich para Israel, em vez da Ucrânia, foi discutida após o ataque terrorista do Hamas.

O Reino Unido, no entanto, parece ter rejeitado a sugestão, com os ministros acreditando que era uma manobra de Abramovich para evitar condenação na Rússia. O valor da venda dos Blues ainda está em bancos ingleses.

Venda do Chelsea ajudaria vítimas na Ucrânia

Abramovich inicialmente prometeu os rendimentos para “todas as vítimas da guerra na Ucrânia” após colocar os Blues à venda em 2 de março do ano passado, oito dias antes de enfrentar sanções por supostos vínculos com Vladimir Putin.

No entanto, com o grande fundo intocado em uma conta congelada, e insistência do Reino Unido e da Europa em gastá-lo exclusivamente dentro das fronteiras da Ucrânia, foram levantadas propostas alternativas para seus ativos.

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Todd Boehly, novo dono do Chelsea (Foto: Icon Sport)

Segundo o Telegraph, fontes próximas às negociações oferecem visões divergentes sobre se a ideia de gastar o dinheiro em Israel foi apresentada pelo próprio Abramovich ou pelo país, onde ele obteve cidadania em 2018.

A potencial desaprovação em Moscou explica por que esse dinheiro permanece em um impasse em uma conta bancária congelada em Londres mesmo após 18 meses. “Abramovich não quer o desprezo na Rússia por gastá-lo na Ucrânia”, disse uma fonte do jornal.

Apesar da venda do clube londrino ter ocorrido inteiramente dentro da jurisdição do Reino Unido, os ministros assinaram uma declaração unilateral em maio com a Comissão Europeia, afirmando que o dinheiro seria gasto “exclusivamente” dentro da Ucrânia

Abramovich já tinha ligação com Israel

Outras fontes afirmam que as discussões foram lideradas por Israel, mas afirmam que Abramovich não tinha conhecimento.:

— Eu sei que durante visitas oficiais, os israelenses perguntaram ao Reino Unido, porque Roman é um grande doador em Israel, se considerariam conceder uma licença para que quaisquer ativos dele, não apenas o Chelsea, fossem doados para a reconstrução em Israel – disse uma delas.

Abramovic nas tribunas do Stamford Bridge (Foto: Icon Sport)

Antes de ser sancionado no ano passado, os laços de Abramovich com Israel haviam se estreitado. Um projeto aprovado antes da guerra da Rússia contra a Ucrânia era financiar uma floresta no sul de Israel dedicada aos judeus lituanos vítimas do Holocausto.

Os fundos teriam sido destinados a gastos em causas humanitárias no sul de Israel. “Minha compreensão é que o governo do Reino Unido disse não firmemente a Israel“, acrescentou a fonte.

Reino Unido “não apoia Israel”

Por outro lado, a posição britânica parece irredutível: o dinheiro da venda dos Blues seguirá com um único destino possível, ajudar a Ucrânia.

— Como temos mantido, os fundos devem ser liberados e devem estar disponíveis para todas as vítimas da guerra na Ucrânia – seja dentro das fronteiras geográficas da Ucrânia, apoiando refugiados ucranianos na Europa ou financiando programas de alimentos no leste da África, onde a insegurança alimentar foi exacerbada pela guerra — disse James Deneslow, chefe da equipe de conflitos da Save the Children, ao Telegraph.

A divergência de opinião remonta antes da venda do Chelsea para um consórcio liderado pelo empresário americano Todd Boehly. Fontes próximas ao processo disseram que Abramovich havia assinado um compromisso com o governo afirmando que a instituição de caridade seria para “Ucrânia e as consequências da Ucrânia”.

A licença concedida pelo governo do Reino Unido, que define a próxima fase desse processo, expira em 30 de novembro. Isso foi prorrogado por um acordo conjunto no passado e é praticamente certo que será prorrogado novamente.

Guilherme Ramos
Guilherme Ramos

Jornalista pela UNESP. Escrevi um livro sobre tática no futebol e sou repórter da PL Brasil. Já passei por Total Football Analysis, Esporte News Mundo, Jumper Brasil e TechTudo.

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