‘A exceção da família real’: a relação fanática de Príncipe William com o futebol

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A relação da família real com o futebol não é tão próxima, como a PL Brasil já mostrou. Mas, pela enorme popularidade do esporte, desde o século XIX, com o Rei George V, partidas pontuais tiveram a presença de membros da coroa. Quem tem a relação mais estreita com o futebol é o príncipe William.

Filho mais velho do Rei Charles III, ele é o primeiro nome na linha de sucessão do trono do Reino Unido.

Nascido e criado em Londres, o príncipe William se tornou torcedor fanático de um time de Birmingham, o Aston Villa. O príncipe, inclusive, faz questão de que a informação esteja em seu perfil oficial no site da família real britânica.

Mesmo com sua família residindo na capital inglesa, William já foi visto muitas vezes no Villa Park desde desde quando estudava em Eton, um dos centros de ensino mais prestigiosos do Reino Unido localizado em Berkshire, condado da região da Inglaterra denominada Sudeste da Inglaterra.

William nasceu quase um mês depois do maior título da história do clube inglês, a Copa dos Campeões (hoje Champions League), em 1982, conquistada numa vitória por 1 a 0 sobre o Bayern de Munique, na final disputada na Holanda.

Quando completou 21 anos, ele deu uma entrevista à imprensa britânica explicando o motivo de escolher o clube de Birmingham.

“Os torcedores do Villa são dedicados. Eles são fantásticos porque, ainda que o time não vença sempre, continuam leais.”

Além disso, William sempre comparece às finais da Copa da Inglaterra e é presidente da Associação de Futebol (FA) desde 2006. O cargo, meramente figurativo, pertence a um membro da família real desde os anos 1930. A federação conta com um CEO que é quem comanda a entidade.

Futebol no palácio?

Em 2013, o príncipe William realizou a primeira partida de futebol da história do Palácio de Buckingham, a residência oficial da monarquia britânica. O jogo foi um evento comemorativo dos 150 anos da Associação de Futebol.

Com times amadores, a partida foi um tanto confusa segundo o jornal britânico “The Daily Mail”. O primeiro na sucessão real não jogou, mas se divertiu durante o aquecimento das partidas. No intervalo, os jogadores foram servidos com sucos e frutas oferecidos em bandejas de prata.

Ausência na Copa feminina

O príncipe William foi criticado por não comparecer à final da Copa do Mundo feminina do ano passado, disputada em Sydney, na Austrália. Ele alegou ter o compromisso do combate às consequências da mudança climática e que precisaria voar para a Oceania em um período muito curto, criando uma grande emissão de carbono e poluindo o meio ambiente.

Para muitos torcedores ingleses, a ausência do príncipe significou um desinteresse de William com o futebol feminino. O secretário de Relações Exteriores, James Cleverly, representou o governo britânico na final em que a Inglaterra foi derrotada pela Espanha.

A torcida dos outros membros da família real

Rei Charles Inglaterra
Charles III, Rei da Inglaterra (Foto: Icon Sport)

A presença de um membro da família real na arquibancada se tornou fundamental para reforçar a importância da coroa bancada pelos impostos dos contribuintes. O futebol ajuda a tornar pessoas nobres em “comuns” e torcedores acabam criando uma identificação com reis, rainhas, príncipes e princesas.

Assim, membros da família real passaram a se envolver mais com o futebol. A Rainha Elizabeth II revelou ser torcedora do Arsenal, assim como o neto Harry, irmão do Príncipe William.

— Ela (Rainha) parece acompanhar o que acontece com o time e certamente sabia quem eu era — disse Cesc Fabregas após uma visita do elenco do Arsenal ao Palácio de Buckingham em 2007.

Em 2012, foi revelado que o rei Charles III (filho de Elizabeth, pai de William e atual rei da Inglaterra) é torcedor do Burnley. O membro da família real inclusive recebeu uma entrada VIP do clube para assistir aos jogos.

O Rei, no entanto, não tem comparecido aos jogos. Ele ganhou mais holofotes que o usual recentemente pelo fato de ter sido diagnosticado com câncer, algo que também chama a atenção para o fato de o príncipe William ser o próximo na linhagem.

Príncipe William contra a Superliga

Em abril de 2021, foi anunciada um plano de criação de uma nova competição europeia com os 12 principais clubes da Europa, rivalizando com a Champions League. O torneio seria composto por Manchester United, Manchester City, Chelsea, Arsenal, Tottenham, Liverpool, Milan, Inter e Atletico Madrid, bem como Juventus, Barcelona e Real Madrid.

No entanto, os clubes recuaram após receberem pressão dos torcedores e críticas intensas de políticos, emissoras, comentaristas e treinadores. O príncipe William foi um dos que criticaram a Superliga na época por meio de suas redes sociais.

— Agora, mais do que nunca, devemos proteger toda a comunidade do futebol – do mais alto nível até a base – e os valores da competição e justiça em sua essência. Compartilho as preocupações dos fãs sobre a proposta da Superliga e os danos que ela pode causar ao jogo que nós amamos.

Depois de muitos protestos ao redor do mundo, o projeto da Superliga desmoronou e o príncipe William afirmou que a voz do torcedor foi ouvida.

— Estou feliz que a voz unida dos torcedores do futebol foi ouvida e atendida. Agora é muito importante que nós usemos este momento para garantir a saúde futura do jogo em todos os níveis. Como presidente da FA, estou comprometido a fazer minha parte neste trabalho — publicou.

Romulo Giacomin
Romulo Giacomin

Formado em Jornalismo na UFOP, passou por Mais Minas, Esporte News Mundo e Estado de Minas. Atualmente, escreve para a Premier League Brasil.