Jogadores da Premier League podem ser obrigados a prestar serviço militar; entenda

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Os jogadores da Premier League e outros atletas de ponta podem ter que prestar serviço militar na Inglaterra. Isso porque o primeiro-ministro do Reino Unido, Rishi Sunak, quer recriar o serviço militar obrigatório no país caso seja reconduzido ao cargo nas eleições de 4 de julho.

Essa é uma das promessas de campanha do Partido Conservador, que disputa a reeleição no Reino Unido e começou a ser divulgada nesta terça-feira (28). Em caso de retorno do serviço militar obrigatório, estão descartadas quaisquer exceções, incluindo os jogadores de futebol.

Fontes anônimas reportaram ao jornal inglês “Telegraph” que o fato de os principais clubes terem se colocado como oposição ao novo regime foi um incentivo para que atletas não sejam considerados isentos da medida.

Além disso, o Partido Conservador entende que é uma forma de integrar a sociedade e mostrar que as normas se aplicam a todos, conforme relatado de forma anônima por uma figura importante do grupo político ao veículo inglês.

— Que oportunidade brilhante de misturar pessoas de todas as origens. São 25 dias por ano e haveria flexibilidade incorporada como existe em outros países.

Não seria a primeira vez que atletas atuando na Inglaterra precisariam se retirar por um período para servir às Forças Armadas. O coreano Heung-min Son, do Tottenham, e os ex-jogadores Paolo Maldini (italiano) e Eric Cantona (francês) são exemplos de atletas que precisaram prestar serviço militar em seus respectivos países.

Na visão de Sunak, o alistamento nas Forças Armadas “vai manter os jovens longe de problemas” e o Reino Unido precisa de mais soldados para se defender de possíveis ameaças, como a Rússia. O alistamento obrigatório havia sido abolido no país em 1960, alguns anos após o fim da Segunda Guerra Mundial.

Como o novo alistamento militar pode impactar a Premier League

Primeiro-misitro Rishi Sunak acena da arquibancada do St. Mary's Stadium
Primeiro-misitro Rishi Sunak acena da arquibancada do St. Mary’s Stadium (Foto: Icon Sport)

De acordo com o plano, que deverá entrar em vigor até 2030 caso Sunak vença as eleições, todos os jovens de 18 anos serão legalmente obrigados a se apresentar por 12 meses nas Forças Armadas ou na Defesa Cibernética.

Há ainda a opção de trabalhar de forma voluntária em entidades da própria comunidade, como na Polícia, Corpo de Bombeiros, Serviço Nacional de Saúde ou instituições de caridade que trabalham com idosos, um fim de semana por mês durante um ano, o que daria 25 dias no total.

No caso dos jogadores da Premier League, eles desfalcariam suas equipes durante um ano inteiro ou em pelo menos uma partida de fim de semana por mês, dependendo da opção escolhida.

De acordo com a “Sky Sports”, 30 mil jovens poderiam ocupar vagas para passar um ano em tempo integral nas Forças Armadas. Depois de se inscrever, será necessário passar por testes, que selecionariam os melhores candidatos.

O plano também inclui as mulheres, já que envolve todos os jovens de 18 anos do país, independente do gênero. Dessa maneira, atletas da Women’s Super League, em tese, também poderiam ser afetadas.

A boa notícia para os jogadores contrários à medida é que o Partido Conservador está bem atrás do Partido Trabalhista, liderado por Sir Keir Starmer, em todas as pesquisas de intenção de voto.

Sir Keir Starmer
Sir Keir Starmer, líder do Partido Trabalhista (Foto: Icon Sport)

Haverá punição para quem não quiser se alistar?

Caso ocorra uma reviravolta e o Partido Conservador vença as eleições e implemente a proposta, os jovens que se recusarem a participar não serão presos. A informação foi dada pelo Secretário de Estado para os Assuntos Internos, James Cleverly, ao “Sunday Morning With Trevor Phillips”, da “Sky News”.

Portanto, ainda não está claro como isso se tornará obrigatório. Em declarações à “Times Radio”, a ministra dos Negócios Estrangeiros, Anne-Marie Trevelyan, comparou a natureza obrigatória do serviço nacional proposto pelos Conservadores ao fato de os jovens terem de ir à escola até os 18 anos de idade.

Entretanto, ela não descartou a possibilidade de os pais serem multados caso os filhos não participem. Trevelyan também relatou que os detalhes dessa obrigatoriedade devem ser estabelecidos pela Comissão Real.

Romulo Giacomin
Romulo Giacomin

Formado em Jornalismo na UFOP, passou por Mais Minas, Esporte News Mundo e Estado de Minas. Atualmente, escreve para a Premier League Brasil.