Premier League vira referência em campanhas contra racismo e LGBTfobia

Liga realiza papel importante de educação e combate ao preconceito

Premier League vira referência em campanhas contra racismo e LGBTfobia
Foto: Premier League

A Premier League não é um show apenas nos gramados. A responsabilidade social que a melhor liga do mundo tem é de tirar o chapéu. A liga se destacou nisso mais uma vez, promovendo campanhas como a #DigaNãoAoRacismo e #LaçosDeArcoÍris, onde os clubes e boa parte dos torcedores abraçaram as causas contra o racismo e a lgbtfobia.

Foto: Premier League

Laços de Arco Íris

A campanha Laços de Arco Íris é lançada todo ano desde 2013, em parceria com a Stonewall, entidade que defende a igualdade nos estádios.

O intuito é bem simples: apoiar a causa LGBT e repudiar qualquer tipo de preconceito que existe no futebol, avisando que o esporte é um lugar de diversidade e para todos.

Para o sucesso de campanhas como essa, os clubes são fundamentais no apoio. E eles não se omitem. Nessa última temporada, a iniciativa começou no dia 30 de novembro e foi até o dia 5 de dezembro, onde cada time e jogadores demonstraram a sua solidariedade.

E o apoio começa desde a decoração das bandeirinhas do escanteio com as cores do arco íris, passando pelas mensagens no telão de cada estádio e indo até a braçadeira dos capitães de cada clube. Uma aula de diversidade.

O diretor executivo da Premier League, Bill Rush, destacou o apoio dos clubes nessa causa.

“Nossos clubes fazem um trabalho fantástico para reforçar a mensagem de que o futebol é para todos. Estamos orgulhosos de fazer nossa parte e usar nosso alcance para celebrar a campanha.”

A diretora de esportes da Stonewall, Kirsty Clarke, quer que a parceria com a Premier League sirva de inspiração para outras organizações esportivas.

“Trabalhamos em parceria com a Premier League, criando programas transformadores em áreas-chave de suas operações. Estamos entusiasmados e orgulhosos dessa parceria e queremos que ela inspire outras organizações esportivas e órgãos governamentais nacionais.”

Não há espaço para o racismo

Xô, racismo! Foto: Premier League

A campanha não há espaço para o racismo foi lançada em parceria com a organização Kick It Out, que trabalha há 25 anos pela inclusão de todos no futebol, seja dentro ou fora dos gramados.

A iniciativa teve início no dia 30 de abril e foi até o dia 5 de maio, onde os capitães dos clubes entraram com a braçadeira da Kick It Out e o inventário da campanha estava presente nas arquibancadas.

O intuito da campanha era simples: repudiar qualquer tipo de ato racista que ainda é, infelizmente, muito visto nos estádios de futebol. E os alvos vão de torcedores até os próprios jogadores.

O diretor-executivo interino da Premier League, Richard Masters, afirmou na época do lançamento da campanha que estava muito feliz com a iniciativa e por todo o apoio que a Kick It Out deu em todos esses anos.

“JUNTAMENTE COM OS NOSSOS CLUBES, ESTAMOS ORGULHOSOS DA DIVERSIDADE EM TODA A PREMIER LEAGUE, NAS ARQUIBANCADAS, EM CAMPO E DENTRO DE NOSSAS COMUNIDADES. TRABALHANDO COM A KICK IT OUT DESDE 1993, GRANDES PROGRESSOS FORAM FEITOS NO COMBATE AO RACISMO ATRAVÉS DE UMA SÉRIE DE INICIATIVAS E PARCERIAS DE CLUBE.”

O diretor ainda completou afirmando que, mesmo com todas essa iniciativas, ainda há muito a se fazer, especialmente para aqueles que naturalizam à discriminação.

“TAMBÉM ESTAMOS CIENTES DE QUE MUITO MAIS PRECISA SER FEITO, E A PREMIER LEAGUE ESTÁ COMPROMETIDA EM PROMOVER AINDA MAIS A INCLUSÃO E A DIVERSIDADE EM TODA A COMPETIÇÃO E ALÉM.

É EVIDENTE QUE AINDA EXISTE UMA MINORIA DE PESSOAS QUE ACHA QUE O COMPORTAMENTO DISCRIMINATÓRIO É ACEITÁVEL, MAS A CAMPANHa não há espaço para o racismo DEIXA CLARO QUE NÃO SERÁ ACEITO PELA PREMIER LEAGUE E POR NOSSOS CLUBES.”

Uma liga para todos

Não há espaço para o preconceito. Foto: Getty Images

Além de ser destaque dentro dos gramados, a Premier League quer se tornar cada vez mais protagonista no âmbito social.

Por isso, cada vez mais campanhas estão sendo feitas para transformar os estádios ingleses em locais agradáveis a todos.

Claro que o caminho não é fácil. Mas os primeiros passos estão sendo dados. As campanhas cada vez mais frequentes e que contam com o apoio dos clubes são fundamentais na tentativa de tornar da arquibancada um lugar melhor.

Além das campanhas, os clubes também estão apoiando torcidas organizadas LGBTS. Já são mais de 40 grupos espalhados, inclusive do Big 6. Liverpool e Arsenal, por exemplo, divulgam seus torcedores nas paradas da diversidade que acontecem no norte da Inglaterra e em Londres.

Além de acolher os torcedores, as campanhas promovidas pela Premier League querem encorajar aqueles atletas que possuem medo de revelar sua verdadeira sexualidade. O estigma de que o futebol ainda é um esporte masculino infelizmente ainda está presenta na sociedade e amedronta esses jogadores.

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O jogador americano Adam McCabe, com passagem pelo Bradford, deu um depoimento em 2017 ao The Guardian onde expõe essa problemática.

“QUANDO AS PESSOAS USAM PALAVRAS COMO “BICHA” OU “VIADO”, É GERALMENTE EM UMA DECISÃO EM FRAÇÃO DE SEGUNDOS. ELES NÃO ESTÃO REALMENTE PENSANDO NO QUE DIZEM. MAS QUANDO VOCÊ É UM ATLETA “DENTRO DO ARMÁRIO”, SENTADO ALI, OUVINDO SEU TREINADOR E COMPANHEIROS DIZENDO, VOCÊ ACABA RECUANDO (…) VOCÊ PENSA: “ELES NÃO GOSTAM DE ALGUÉM COMO EU.”

Ainda há muito preconceituoso que se esconde nas redes sociais. Quando os clubes da Premier League apoiaram à causa LGBT, foram alvos de inúmeros ataques. Mas isso não pode ser motivo para os clubes se omitirem.

A Premier League pede a todo torcedor que identifique algum ato de discriminação – seja no estádio ou nas redes sociais – para denunciar imediatamente as autoridades. A partir daí, com certeza os infratores serão rigorosamente punidos.

Nessa temporada, por exemplo, Raheem Sterling foi alvo de xingamentos racistas na partida entre Chelsea x Manchester City, no Stamford Bridge. Quando os Blues identificaram os torcedores que fizeram as ofensas, imediatamente expulsou-os do clube.

O caminho é longo, mas com o apoio dos clubes, torcedores e cada vez mais campanhas, dá para transformar o futebol em um lugar de todos. Já passou da hora de chutar bem longe a homofobia, o racismo e qualquer discriminação.