Fator ‘surpresa’ leva Premier League à batalha por mudança no horário dos jogos

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O futebol inglês pode passar por uma mudança importante na “Lei do Apagão”, que rege os horários dos jogos de sábado da Premier League, da FA Cup e da segunda, terceira e quarta divisões do futebol no Reino Unido.

Essa regra, vigente desde 1987, proíbe que jogos sejam transmitidos pela televisão local entre 14h45 e 17h15 (horário local).

É por isso que tantos jogos são transmitidos no mesmo horário aos sábados. Porém, há uma pressão sobre a Premier League para que isso mude, já que, no formato atual, isso pode prejudicar a receita do campeonato e o acesso do público aos jogos.

E, agora, um novo motivo está levando as entidades do futebol inglês a travarem uma batalha relacionada ao fim da Lei do Apagão.

Premier League, FA e outras entidades batalham pela Lei do Apagão

Nesta semana, o governo da Inglaterra anunciou seu apoio a uma proposta que sugere que a Women's Super League (WSL), a Premier League feminina, seja isenta desse bloqueio a partir das 15h (horário local), a fim de melhorar as receitas geradas pela transmissão dos jogos. A proposta foi criada pela ex-jogadora da seleção inglesa Karen Carney, que atua como comentarista e colunista de futebol feminino em diversos veículos britânicos.

Apesar do apoio do governo pelo fim do blecaute, a Premier League, a EFL (administradora das outras principais divisões inglesas), a SPL (Premier League escocesa) e a Sky Sports (detentora dos direitos de transmissão da PL na Inglaterra), se opõem a essa decisão.

Premier League
Foto: Icon sport

Conforme noticiou o jornal inglês “Daily Mail”, essas quatro entidades estão travando uma batalha interna contra a Associação de Futebol da Inglaterra (FA), que também apoia o fim do apagão para melhorar o Campeonato Inglês feminino.

Na Inglaterra, a maioria dos jogos da WSL são transmitidos às 11h30 de um sábado ou às 18h45 de um domingo (horário local). A análise do projeto de lei afirma que isso não tem incentivado o aumento de audiência, nem a presença dos torcedores nos estádios.

A discussão está ocorrendo nesse momento porque o contrato de transmissão da WSL, cujos detentores na Inglaterra são a Sky e a BBC, se encerra no fim dessa temporada, em julho de 2024. Agora, os organizadores buscam mudanças para que haja melhorias nesse sentido a partir de 2024/25.

Quais os argumentos contra e a favor do fim da Lei do Apagão no futebol feminino

De acordo com o Daily Mail, a FA já começou a fazer um lobby com outras partes interessadas pela mudança na regra, mas enfrenta uma difícil batalha para vencer a discussão e persuadir a Uefa a fazer a mudança histórica. 

A EFL e a SPL seguem apoiando o blecaute devido ao desejo de proteger seu público nos jogos das divisões menores e de campeonatos de base. A Premier League, por sua vez, não tem interesse em “mexer em um modelo que já está funcionando”, principalmente porque um acordo de transmissão com a Sky e a TNT Sports de 6,7 bilhões de libras acabou de ser fechado.

Sede da Premier League em Londres – Foto: Icon sport

— Uma fonte da Premier League destacou que nenhum outro esporte tem um horário de transmissão protegido e questionou por que deveria ser aberta uma exceção para o futebol feminino — relata a matéria do Daily Mail.

O jornal diz que a Sky também não tem interesse em exibir os jogos da WSL às 15h de sábado para não conflitar com o horário do seu principal programa pós-jogo, o “Soccer Saturday”. A TNT Sports, porém, estaria interessada em comprar os jogos da tarde de sábado.

A FA entende que nunca houve a intenção de aplicar o blecaute às 15h ao futebol feminino quando a lei foi introduzida no século passado. Como o cenário econômico das modalidades masculina e feminina são completamente diferentes, essa lei estaria “afetando negativamente o crescimento comercial do esporte”. 

— Se não for possível chegar a um acordo, o único outro horário de transmissão disponível para a WSL são as noites de domingo, embora isso não seja atrativo para o público familiar que constitui o seu principal mercado — finaliza a apuração do Daily Mail.

Maria Tereza Santos
Maria Tereza Santos

Me formei em Jornalismo pela PUC-SP em 2020. Antes de escrever para a PL Brasil, fui editora na ESPN e repórter na Veja Saúde, Folha de S.Paulo e Superesportes.