Altos e baixos da Premier League #16: Leicester, Manchester City e treinadores

Confira quem mandou bem e quem vacilou na última rodada do Campeonato Inglês

Julian Finney Collection Getty Images Sport
Julian Finney Collection Getty Images Sport

Mais uma rodada se passou e o Liverpool, que agora muda seu foco para o Mundial de clubes, segue vencendo e longe de sofrer alguma ameaça pela liderança da Premier League. Após a vitória sobre o Watford, os Reds agora tem 10 pontos de vantagem em relação ao Leicester. Vamos então aos altos e baixos da Premier League #16.

Positivos:

1) A recuperação do City passa pela solidez brasileira e genialidade belga

Há pouco mais de um ano, na Rússia, brasileiros e belgas dificilmente teriam, pelo menos, um momento de amizade. Afinal, para quem não se lembra, nas quartas de final, fomos eliminados – e dominados pelos europeus, dando assim, adeus ao sonho do hexa.

Pois bem. O tempo passou, as seleções ficaram de lado e hoje brasileiros e belgas andam lado a lado para ajudar o atual campeão inglês a se recuperar. Refiro-me especificamente aos nomes: Fernandinho e Kevin De Bruyne. Destaques da grande vitória do City sobre o Arsenal, no Emirates, por 3 a 0.

Afirmar que os Citizens entraram pressionados pode soar estranho, mas é a atual realidade do time. Os comandados de Pep Guardiola vinham de uma derrota dentro de casa contra o rival de Manchester e se encontravam a 14 pontos do Liverpool.

A vitória de 3 a 0 contra o Arsenal não só traz de volta a confiança às vésperas do confronto direto contra o Leicester, mas também, mostra ainda a força e capacidade do time e, principalmente, das invenções de Pep.

Fernandinho, que virou zagueiro pela falta de opções, fez uma grande partida. O primeiro gol, logo aos dois minutos, começou com um belo lançamento do brasileiro. Homem de confiança de Guardiola, não só é o capitão do City, como também é a base da estrutura tática.

De Bruyne dispensa comentários. Na ocasião, sua genialidade foi demonstrada com participação direta nos três gols: marcou dois e assistiu o outro. E foi pouco. Ao longo do primeiro tempo dominante, o belga poderia ter marcado, pelo menos, mais uma vez, em um belo chute defendido por Leno, que ainda bateu na trave.

2) Confiança que exala da área técnica

Não demorou muito para José Mourinho assumir o comando do Tottenham após a queda de Mauricio Pochettino. Não demorou também para o Special One mudar os rumos da equipe londrina e mostrar seu cartão de visitas. A vitória no confronto direto contra o Wolverhampton, fora de casa, por 2 a 1, com gol no último lance, representa bem isso.

Desde que assumiu, apenas o líder Liverpool (5) tem mais vitórias que o Tottenham de Mourinho (4).

A forma com que o treinador passa confiança para os jogadores vai muito além da área técnica. Lucas, autor de um dos gols da vitória, é a prova concreta. Com Pochettino, o brasileiro era mais uma peça de emergência. Já com Mourinho, o jogador é levado ao seu limite, atingindo, ou ao menos tentando, sua máxima excelência.

Se por um lado temos José Mourinho, outro treinador que tem confiança de sobra é Duncan Ferguson. São apenas dois jogos como treinador do Everton, mas tais partidas foram contra Chelsea e Manchester United. Uma vitória e um empate, respectivamente.

Duncan é o treinador que ainda tem lampejos de jogador. Ídolo dos Toffees, sua motivação é o que faltava para o bom elenco do Everton que vem decepcionando na temporada, atualmente brigando contra o rebaixamento.

O empate de 1 a 1 contra o Manchester United teve como personagem principal o técnico que não sabia se ficava de paletó, ou não. Se ficava sentado ou corria para comemorar o gol com os jogadores.

3) O impecável Sheffield United

O sucesso dos Blades já não é novidade para ninguém. Os comandados pelo destemido Chris Wilder seguem na sétima colocação após vitória contra o Aston Villa, por 2 a 0, e, o mais importante, com a consistência de sempre.

Dessa vez, a equipe até teve maior volume de jogo, terminando com 57% de posse de bola. Foi apenas a quinta vez em 16 partidas que o time marcou duas vezes, a terceira vitória com pelo menos dois gols de diferença.

Rodadas passam e o time cada vez mais se torna unanimidade. Tendo mais tranquilidade e confiança, o estilo de jogo tende a evoluir também. Sua marca é a defesa, que serve como gancho para o ataque. Hoje, o ataque tem mais criação, não dependendo do adversário para servir de ameaça.

Negativos

1) Bem na hora de se consagrar…

Vice-líder com a melhor defesa da competição. Jamie Vardy marcando em oito rodadas consecutivas. Nove vitórias em sequência, somando todas as competições. Mas é claro que o Leicester iria tropeçar contra o vice-lanterna do campeonato, Norwich, dentro de casa. Empate de 1 a 1.

A partida começou de maneira surpreendente, tendo os visitantes com maior volume de jogo. Não à toa que saíram na frente com o incansável artilheiro Teemu Pukki. O gol fez com que os Foxes acordassem, e não demorou muito para que, na pressão, saísse o gol de empate. A tendência então seria uma melhora constante do time até a virada, porém, não aconteceu.

Contra um Norwich que gosta de dificultar contra grandes, Brendan Rodgers não viu meios de ajustar seu time que, normalmente, se aproveita da qualidade coletiva para alcançar o sucesso.

Cruzamentos frustrados acabaram sendo a marca do irreconhecível Leicester que deixou o Liverpool cada vez mais líder isolado.

O empate serve de alerta para o time, visto que nas próximas rodadas terá confrontos diretos pelo topo do campeonato. No sábado (21), irá para Manchester enfrentar o City, atual terceiro colocado. Depois, no Boxing Day (26), recebe o Liverpool. A partida tinha de tudo para ser um divisor de águas do campeonato. Até lá, o time pode nem estar mais na segunda colocação.

2) E agora, Chelsea?

Não faz muito tempo que o Chelsea foi liberado de sua punição que proibia o time de fazer contratações. Com a decisão, o time que vinha sustentando seu elenco na qualidade dos jovens jogadores de sua base, parece ter perdido o foco.

Duas derrotas consecutivas, três nas últimas quatro partidas, sendo a dessa rodada, em casa, para o Bournemouth, por 1 a 0, que vinha de cinco derrotas consecutivas.

A notícia parece realmente ter tirado o foco do time. O treinador Frank Lampard, em entrevista após a derrota disse que esse não é o time que quer treinar. “Na frente de nossos torcedores, é claro que não estamos jogando bem o suficiente. Os torcedores não devem ficar animados se ficarmos trocando bolas na defesa”.

O comentário pode ser um alerta para os dirigentes que agora, com dinheiro e liberdade, podem entender o comentário do treinador como um pedido para reforçar o elenco. Para um time classificado para as oitavas da Champions League, e atual quarto colocado, grandes mudanças são realmente necessárias?

Agressivo, sem medo, essa é a cara do Chelsea na temporada. A típica característica de um time jovem, em todos os sentidos, que em todo jogo entra determinado em provar que é capaz de competir em alto nível nas melhores competições do mundo. Um foco e uma qualidade raramente encontrados em um time desse tipo.