Altos e baixos da Premier League #11 – Liverpool, Emery e Chris Wilder

Os 'quase deslizes' dos líderes, os inconsistentes Arsenal e Manchester United e a campanha histórica do Sheffield United são alguns dos tópicos interessantes da rodada

Chelsea Jorginho Justin Setterfield Collection Getty Images Sport
Foto: Divulgação/Justin Setterfield Collection Getty Images Sport

Décima primeira rodada, segunda edição do quadro que apresenta os pontos positivos e negativos da Premier League. Esse fim de semana trouxe um frio na barriga dos dois principais times, antigos contenders decepcionando, novatos infiltrando o top 6 e muito mais. Acompanhem!

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Positivos

1) O Liverpool tem ‘sorte'?

Sábado, 13h47. O Manchester City havia acabado de virar seu jogo contra o Southampton e os Reds perdiam para o Aston Villa, já trazendo a expectativa de um inesperado deslize. Se os placares continuassem intactos, o confronto direto do próximo domingo possibilitaria até uma mudança no topo da liga.

Mas eles de novo apareceram – os laterais e Sadio Mané. Em cruzamento preciso do senegalês, Robertson invadiu a área e empatou. Sete minutos depois, às 13h55, o camisa 10 cabeceava para as redes após escanteio de Alexander-Arnold.

Os três pontos iam para o Anfield e a distância para o vice não se alteraria. A reação comum em uma hora dessas costuma ser sempre a mesma: estão com sorte.

São vários os jogos em que conseguiram o resultado nos momentos derradeiros e, de vez em quando, sem performances convincentes. Mas é exatamente isso que nos mostra a verdade. A sorte existe e faz diferença no futebol, claro, mas em casos isolados.

Se a situação se repete constantemente, há algo a mais ali. Como uma equipe bem preparada em praticamente todos os aspectos e capaz de executar seu jogo com clareza do primeiro ao último minuto. Esse é o Liverpool. E o resto corre atrás.

2) Um intruso no top 6

Ainda não é hora de tirarmos grandes conclusões olhando para a classificação, mas após 11 rodadas já é válido pegar uma noção das coisas. Quem, por exemplo, está nesse momento se classificando para as competições europeias? Liverpool e City, naturalmente; Arsenal e Chelsea, como de costume; o Leicester, que vem trabalhando forte para isso; e o Sheffield United, recém-chegado na Premier League.

Em uma temporada que foram cotados para o rebaixamento na lanterna, a sexta colocação após quase um terço do campeonato deve agradar. Ninguém espera que permaneçam tão acima até o final, mas a história está sendo escrita no Bramall Lane. Chris Wilder adaptou um time que era dominante na Championship para continuar competitivo diante de adversários superiores e está colhendo os frutos.

Tem a melhor defesa da liga, cinco clean sheets e vitórias marcantes como a desse sábado, um sonoro 3 a 0 pra cima do sólido Burnley de Sean Dyche. Até jogadores que não eram destaques individuais na segunda divisão estão surpreendendo na elite e coletivamente é difícil encontrar times tão unidos e bem treinados. Mesmo fora de casa, podem trazer complicações para o Tottenham no próximo final de semana

3) Um meio-campo renovado no Chelsea

Quando Maurizio Sarri desembarcou em Londres, a expectativa era de um trabalho muito positivo com os meias. Tanto os que já estavam ali quanto os contratados por ele – Jorginho, 57 milhões de libras – supostamente representariam o coração de uma equipe semelhante ao Napoli que chegou perto do título da Serie A. Mas as coisas não foram bem assim.

O time era previsível, fácil de ser anulado e a única coisa que se via no centro do campo era Kanté tendo que compensar todas as fraquezas alheias, individuais ou coletivas. O italiano voltou para sua terra natal, Lampard chegou e vem construindo uma revolução que você provavelmente já leu bastante sobre. Mas precisamos falar cada vez mais da forma que reviveu o que deveria ter sido o ponto forte dos Blues na temporada passada.

Mesmo sem Kanté, lesionado, encontra diferentes maneiras de fazer do meio um setor de atividade constante e progressão de jogo. A marcação ainda é um problema, mas no geral já é um avanço. Ainda mais considerando que, finalmente, Jorginho e Kovacic são úteis. O ítalo-brasileiro na distribuição e o croata conduzindo como o elo entre defesa e ataque. Sete vitórias consecutivas fora de casa e, crucialmente, evolução em praticamente todos os sentidos em relação a 18/19.

Negativos

1) O Arsenal continua perdido

No post da semana passada, falei sobre como a situação de Xhaka havia trazido mais um problema para a coleção de Unai Emery. A expectativa não era das mais positivas, mas  não se esperava que uma das possíveis soluções fosse deixar Guendouzi, Ceballos, Saka e Ozil como quarteto de meio-campo diante de um time que confronta todos do top 6.

Foi o que aconteceu em determinado período do jogo. O Wolves era derrotado no Emirates, mas o treinador espanhol conduziu mal as substituições e perdeu o jogo das mãos. Sem peças de alta capacidade de marcação a frente da defesa, espaços maiores se abriram e os comandados de Nuno Espírito Santo aproveitaram. Não é um resultado surpreendente, só que empatar em casa nunca é suficiente.

E só nos lembra do tanto que o Arsenal regrediu após a saída de Wenger. É ainda mais exposto atrás e produz menos na frente. O que Emery está tentando fazer ninguém conseguiu descobrir. Pelo visto, nem ele mesmo. Os Gunners sofreram 25 chutes e Leno trabalhou bem mais que Rui Patrício. Falta muito para enxergarmos alguma evolução no Norte de Londres.

2) Pellegrini precisa entregar mais

A falta de identidade e desempenho não vem só do Norte da capital. Um pouco mais ao leste, no estádio Olímpico, o West Ham ainda não empolga o torcedor e os planos de incomodar o top 6 continuam distantes de se tornar realidade. Ao contrário do Leicester, o investimento parece ter sido feito por pura qualidade individual, sem pensar no coletivo e em como encaixar as peças com coerência.

Mauricio Pellegrini sempre gostou de estilos muito mais voltados ao jogador do que ao sistema, mas sem a mínima organização a situação não vai melhorar. O nível da Premier League só cresce e todos estão preparados para punir quem não se importa com um plano de jogo sensato. O Newcastle tem em seu ponto forte os contra-ataques rápidos com Almirón, Saint-Maximim e companhia; os donos da casa facilitaram esse tipo de lance.

A última vitória foi contra o Manchester United, em 22 de setembro. Derrotas para os Magpies, o Oxford (4 a 0!), Crystal Palace e Everton seguiram, além de empates com Bournemouth e Sheffield. O próximo jogo é no Turf Moor contra o Burnley, uma visita que ninguém gosta de fazer, e em diante uma sequência contra Tottenham, Chelsea, Wolves e Arsenal. Não vai ser fácil sair da parte de baixo da tabela. Ou mostrar alguma evolução.

3) Uma pausa na empolgação

O Manchester United vinha de duas atuações extremamente sólidas (contra Norwich e Chelsea), três vitórias (somando ao jogo com o Partizan, pela Europa League) e uma semana que voltou a animar o torcedor. Os ares por Old Trafford eram positivos depois de algum tempo, jogadores importantes se recuperaram de lesão e todos esperavam um triunfo sobre o Bournemouth.

Mas Eddie Howe tinha outros planos. Teve dificuldades no início, quando Solskjaer claramente instruiu seus comandados a usarem o ótimo jogo de costas de Martial para atrair o agressivo Aké e aproveitar o espaço em profundidade com a infiltração de James e Rashford. Mas as chances passaram sem se transformar em gols e os anfitriões ganharam confiança.

Foram pra cima, abriram o placar com King e seguraram até o final. E os Red Devils mais uma vez não encontraram alternativas para clarear uma partida que se tornou difícil. É nessa hora que a falta de criatividade de Fred e McTominay se torna evidente, assim como a incapacidade de Andreas em transformar boas jogadas em oportunidades de perigo. O elenco é enxuto em qualidade e quantidade, então situações como essa vão se repetir.