Canedo direto de Londres: que tal um playoff no Brasileirão?

6 minutos de leitura

Tive uma overdose de Wembley neste fim de semana. Estou em Londres após 11 anos para a cobertura da final da Liga dos Campeões, mas quando soube que teríamos essa dose dupla de final da FA Cup e playoff da Championship, tratei de colocar no roteiro e chegar um pouquinho antes. Deu certo.

Vi um jogaço de futebol no sábado que coroou o Manchester United, até de maneira surpreendente para o que foi a temporada, sobre o rival Manchester City. No domingo, testemunhei a classificação do Southampton para a Premier League na decisão contra o Leeds. O que posso dizer, sem medo de errar, é que o playoff mexeu muito mais comigo.

E vejam bem: estou longe do perfil que contrapõe “raiz e nutella”, primeiro porque o creme de avelã é uma das coisas mais gostosas do mundo, e segundo porque o antigo não necessariamente é melhor.

Apenas foi uma percepção construída por alguns elementos. E faria um bem danado ao futebol brasileiro adotar essa fórmula, nem que seja como teste.

FA Cup x Playoff da Championship: diferença visível entre as torcidas

No sábado, vi diversos torcedores do City dando de ombros para a final perdida para o arquirrival. Certamente porque acabaram de ganhar a quarta Premier League consecutiva e, ok, isso é maravilhoso e inédito. Mas, se muitos davam o jogo por vencido, o resultado deveria gerar ao menos alguma sensação estranha. Nas cenas que presenciei na saída do estádio e no metrô, me deparei com a indiferença.

E tampouco achei a festa do United essas coisas. Uma pena constatar que a tão tradicional FA Cup já não seja suficiente para os grandes clubes.

No domingo, além do público ter sido ligeiramente maior (85.862 x 84.814), o clima de tensão pairava no ar. O jogo já valia as dezenas de milhões de libras por conta da premiação da Premier League, mas o medo de ficar mais um ano na Segundona sem saber se conseguirá a promoção certamente é a chave de tudo.

Fiquei na torcida do Southampton, que venceu por 1 a 0, com gol de Armstrong ainda no primeiro tempo. Os ingleses ao meu lado estavam apavorados nos minutos finais, mesmo que a pressão do Leeds não tenha sido lá essas coisas.

E ver como duas cidades se mobilizaram (uma ao sul e outra mais ao norte) me conquistou.

É possível replicar no Brasileirão?

No Brasil, sei que não podemos sonhar com jogo único por questões de logística. Londres está a poucas horas de trem de praticamente todas as cidades do país. É capital, e Wembley já tem a tradição de receber não só esse playoff, como também de outras divisões.

Mas e se o Brasileirão testasse um mata-mata de ida e volta do 17º da Série A x 4º da Série B? Uma vez que termos quatro rebaixados num torneio de 20 clubes (20%) parece demais, um playoff ao menos poderia reduzir esse percentual e garantir dramaticidade ao mesmo tempo.

Fica a dica para adaptarmos o que deve ser copiado!

Victor Canedo
Victor Canedo

Victor Canedo trabalhou por 12 anos como repórter de futebol internacional no Grupo Globo. E até hoje mantém o hábito de passar as manhãs e tardes dos fins de semana ouvindo a voz de Paulo Andrade. Para equilibrar a balança dos colunistas deste site, é torcedor do Arsenal desde Titi Henry.