Com Jordan Pickford, uma nova história começa a ser traçada na meta inglesa

Em sua primeira Copa do Mundo, com apenas 25 anos, Jordan Pickford mostra à torcida inglesa a confiança que tanto esperavam.

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Pickford

92 minutos de jogo. Oitavas de final. Mateus Uribe acerta um chute de rara felicidade, no ângulo esquerdo da meta inglesa. Seria o gol da Copa do Mundo de 2018 e o épico empate colombiano. Seria. A grande defesa da Copa marcou o início da história de Jordan Pickford na Inglaterra, que estreou na seleção principal apenas em novembro do ano passado, e que hoje é um dos favoritos a melhor goleiro do Mundial.

Pickford defendeu pênalti decisivo, diante de Carlos Bacca. Foto: Ryan Pierse/Getty Images.

O jogo, que foi levado para a prorrogação e depois para os pênaltis, parecia estar mais favorável psicologicamente aos colombianos, que conseguiram o gol de empate nos últimos minutos.

Porém, a pancada de Uribe no travessão, além da grande defesa de Pickford no chute de Bacca, acabaram com o sonho colombiano e aumentaram o pensamento do torcedor inglês de que a taça da Copa do Mundo “it's coming home“.

Alguns podem pensar: “Ora, é o dever de um goleiro defender pelo menos uma cobrança!”, e que Jordan Pickford não fez mais que sua obrigação nos pênaltis.

Mas aí vieram as quartas.

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Pickford teve uma atuação digna de um “Melhor Goleiro da Copa do Mundo”. Fez três lindas defesas diante do competente time sueco. Uma delas quase que como um pênalti com a bola rolando.

Claro que não devemos deixar passar a boa Copa do Mundo que o time inglês, como um todo, faz. A defesa do técnico Gareth Southgate sofreu três gols em cinco partidas e o ataque já produziu 11 gols.

Porém, é válido a discussão de que, finalmente, a seleção da Inglaterra encontra um arqueiro à altura de sua seleção.

Pickford é o terceiro goleiro da Copa com mais defesas difíceis (6), atrás apenas de Guillermo Ochoa e Igor Akinfeev.

Das seis defesas difíceis que Pickford fez, quatro vieram dos confrontos diante de Colômbia e Suécia. O goleiro tem crescido no momento mais decisivo da Copa: o mata-mata.

Na Copa do Mundo de 2010, a falha de Robert Green diante dos Estados Unidos custou uma mudança logo para a próxima partida. David James, goleiro já experiente, assumiu o posto de goleiro titular a partir de então. Não adiantou muito.

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Robert Green atuou apenas durante a partida diante dos EUA. Foto: Reuters

A seleção inglesa naquele ano não obteve bons resultados. O time treinado pelo italiano Fabio Capello parecia precisar de uma renovação. Inclusive no gol. Caiu nas oitavas de final, para a Alemanha.

Já na Copa do Mundo de 2014, o desempenho foi pior ainda. A equipe terminou em último lugar de seu grupo, com apenas um ponto em nove disputados.

O goleiro Joe Hart, que vinha de boa temporada pelo Manchester City, foi o goleiro titular nesta Copa. Apesar de não ter falhado diretamente nos gols sofridos pelos ingleses, Hart não obtinha total confiança por parte da torcida.

A Eurocopa de 2016 deixou clara a desconfiança do torcedor. O goleiro teve falhas diretas, uma delas contra a Islândia, nas oitavas de final. Culminou no que todos já imaginavam: Inglaterra fora de mais uma competição internacional.

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Gordon Banks é lembrado por defesas memoráveis até hoje. Foto: Getty Images

A Inglaterra nem sempre teve goleiros pouco confiáveis. Gordon Banks se tornou o melhor goleiro da Copa do Mundo de 1966, assim como se tornou campeão mundial. Naquele ano a Inglaterra conquistara seu único título de Copa do Mundo.

Pickford vem apresentando um nível nesta Copa do Mundo que o candidata a ser o melhor goleiro da Copa. E ajuda a seleção inglesa a se candidatar ao seu segundo título da história.

O que resta a todos nós é acompanhar mais um capítulo dessa história inglesa. Quarta-feira é um dia especial para o torcedor. A semifinal não chega há muito tempo. Assim como um goleiro com o brilho de Pickford.

It's coming home?

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