A caminhada de Paul Pogba para ter sua melhor temporada da carreira

Francês vive grande fase após saída de José Mourinho

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MANCHESTER, ENGLAND - JANUARY 19: Paul Pogba of Manchester United celebrates after scoring his team's first goal during the Premier League match between Manchester United and Brighton & Hove Albion at Old Trafford on January 19, 2019 in Manchester, United Kingdom. (Photo by Gareth Copley/Getty Images)

Desde estar em um cenário dos sonhos, até passar por dias e noites de pesadelo no clube que foi revelado. O trajeto para Paul Pogba atingir seu melhor nível nos Red Devils não foi nada fácil, mas parece que, finalmente, ele encontrou o caminho certo.

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O cenário era de um ídolo do clube que, havia atingido o auge do futebol nacional ao vencer a Copa do Mundo pela França. Na Rússia, Paul atingiu um nível admirável, não só nas quatro linhas, mas também além delas, surpreendendo como um dos líderes do time. Uma maturidade que era pouco vista nele.

A expectativa para seu retorno à Inglaterra era alta, afinal, se ele conseguiu vencer com seu país, por que não com o United? Porque Paul Pogba não foi Paul Pogba durante determinado período. O período da Era Mourinho

José Mourinho e Paul Pogba, tá aí uma dupla que não dava certo. (Foto: Matthew Ashton – AMA/Getty Images)

Nem nos melhores dias a dupla conseguia se entender, seja na questão de relacionamento ou dentro do campo. A maior preocupação nessa altura não era como o meia rendia, mas sim quem duraria mais: ele ou o treinador.

Para a alegria de muitos, o francês se saiu como vencedor. Sem José Mourinho, o céu abriu para o meia.

Pogba com Mourinho: 91 jogos – 15 gols (0.16 por jogo) e 18 assistências (0.19)

(Na temporada) Pogba com Mourinho : 17 jogos – 3 gols (0.17) e 4 assistências (0.17)

Pogba sem Mourinho: 10 jogos – 8 gols (0.8) e 5 assistências (0.5)

(Foto: Gareth Copley/Getty Images)

A mudança radical se deve a dois fatores: confiança e esquema tático. A questão da confiança é sabida por todos, visto que o jogador tinha inúmeros problemas com o antigo treinador. Com Ole Gunnar Solskjaer, Paul recebeu o apoio e o voto de confiança que precisava.

A parte tática também mudou. Quando jogava com Mourinho, Pogba fazia, e muito, o papel de meio-campista recuado que ligava a defesa com o ataque. Hoje, o francês atua com mais liberdade, podendo colocar seu bom futebol em prática.

Com Mourinho, na 4-2-3-1, ele era uma espécie de volante ao lado de Nemanja Matic e ficava restrito devido à necessidade de marcar. Com o novo técnico, na mesma formação, ele só foi utilizado como armador.

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Ole vem variando muito seus esquemas táticos. Em 10 jogos, foram cinco formações diferentes, e em todas, Pogba teve função ofensiva.

Pogba foi usado como volante em nove jogos na temporada, sendo avaliado com 7.18 de nota e não contribuindo com gols e assistências. Em quatro jogos como armador, o francês tem média de 8.78 e contribuiu com 4 gols e 2 assistências. (dados do WhoScored Statistics)

Outro esquema muito utilizado é o clássico 4-3-3. Mourinho usava muito a formação, mas nem sempre com os mesmos jogadores, fazendo com que, além da irregularidade, a desorganização fosse muito grande. E na maioria das vezes, Pogba seguia atuando como o homem de ligação.

Pogba usa e abusa de sua liberdade na atual 4-3-3 de Solskjaer

O sucesso do francês também se deve a um companheiro: Ander Herrera. O espanhol é um jogador versátil, que apesar de não ter muita técnica, ajuda muito na reconstrução do time quando o adversário tem a bola. Sendo assim, Pogba tem mais liberdade para focar em seu trabalho com a bola.

Um bom exemplo do bom uso dele na 4-3-3 é o jogo da temporada passada no Etihad contra o clássico local com o Manchester City. Mourinho entrou na 4-3-3, tendo o meio-campo formado por Pogba, Matic e Herrera.

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Perdendo no intervalo, Pogba voltou dos vestiários como armador e teve uma das, quiçá, melhor atuação dele desde que voltou ao United.

Com pelo menos 14 jogos restando, o francês, se seguir no ritmo, pode almejar os 20 gols, o que seria um feito inédito para ele. Em sua passagem pela Juve, a última temporada foi a que ele teve mais participação para gols, com 10 gols e 16 assistências. Já são 13 gols e 9 assistências na atual temporada.

Paul Pogba caminha com passadas largas para ter sua melhor temporada da carreira, e não ficamos apenas nos números.

Time usado pela Juventus na final da Champions League de 2015, em que o time foi derrotado por 3 x 1 pelo Barcelona.

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Na época de Turim, o francês era um jovem promissor em um time muito técnico, que tinha nomes maiores na posição, como Andrea Pirlo, Arturo Vidal e até Claudio Marchisio. Sua qualidade era um encaixe no bom sistema de Massimiliano Allegri.

Comparado ao United, seu papel é muito diferente. Por lá, mais organização e qualidade, a bola rodava mais. Em Manchester, sua importância é muito maior, sendo a principal válvula de escape. Sem ele, dificilmente o time funciona.

Pogba hoje é a cara de um dos maiores clubes do mundo, o líder dentro de um elenco recheado de jovens e incertezas. Muito além de cortes de cabelo, dancinhas e postagens em redes sociais, seu papel de aluno passou a ser de professor, um maestro que era esperado desde seu retorno.

Claro que a paciência é a amiga da perfeição. Vimos na terça-feira, contra o Paris Saint-Germain, que Pogba ainda comete grandes erros, e isso é normal. São apenas 25 anos com uma responsabilidade muito grande nas costas.

Confiança e habilidade, a junção perfeita para um jogador que, apesar de altos e baixos, começa a traçar seu caminho no, quem sabe, clube que ama. Vida longa ao Pogboom na Inglaterra.

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