O papel fundamental de Patrick Vieira nos Invencíveis

Meio-campista francês desfilou classe pelos gramados ingleses

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O papel fundamental de Patrick Vieira nos Invencíveis
Patrick Vieira, o capitão Arsenal que teve uma das melhores campanhas da história da Premier League. (Foto: Neal Simpson - EMPICS/PA Images via Getty Images)

Todo time campeão precisa de um bom marcador, um bom armador, jogadores de qualidade e, acima de tudo, líderes dentro e fora de campo. Em 2004, os Invencíveis encontraram todas essas qualidades no meio campista francês, Patrick Vieira.

O jogador foi um dos franceses campeão mundial de 1998, campeão europeu de 2000 e da Copa das Confederações de 2001.

Apesar de sucesso repentino, o francês vinha de um fracasso pela seleção francesa, em 2002, na Ásia, ficando em último de seu grupo. Mas isso parecia não afetar seu desempenho nos campos ingleses, onde já atuava desde 1996.

Foram nove anos de serviços prestados para o Arsenal, com 389 partidas e nove títulos, além dos 33 gols e 34 assistências.

Dentre os nove taças conquistados, o que mais se destaca com certeza é o título nacional de 2003-04, que, caso você não saiba, foi a única temporada em que um time venceu a tão badalada Premier League de maneira invicta.

(Foto: Reprodução/Old School Panini)

Em um time tão bom, ele era só mais um pedaço do ótimo esquema, certo? Errado. Seu papel era fundamental e tinha um peso tão grande quanto o dos outros. Analisemos.

No papel…

Começamos situando a função do jogador. Vieira era um meio campista que nos dias de hoje, poderia ser chamado de box-to-box, aquele que tanto ataca quanto defende, que faz a ligação entre os dois lados do campo.

Arsène Wenger usava o clássico 4-2-2, variando para um 4-3-3 em campo. Graças à essa variação, o francês trabalhava muito com o holandês Dennis Bergkamp. Mas isso eu falaremos daqui a pouco.

Apesar de ao longo da carreira ser mais utilizado como um meio-campo defensivo, o jogador se sobressaía no Arsenal no ataque. Muito disso se deve ao brasileiro Gilberto Silva, que tinha seu jogo mais voltado para a defesa e dava mais liberdade para o francês atacar sem medo e conseguir se recuperar a tempo de não prejudicar.

O time titular dos invencíveis. (Foto: Reprodução/Football Performance Analysis)

Na prática…

Não existia medo em atacar naquele elenco dos Gunners, e Vieira era um dos que mais se aproveitava disso. Dennis Bergkamp era seu principal colaborador que, apesar de iniciar como centroavante, atuava com mais liberdade durante o jogo, agindo praticamente como um segundo atacante ou até mesmo meio-campista.

A dupla fazia jogadas infalíveis, tendo como marca registradas as enfiadas de bola em que, muitas vezes, o francês se infiltrava no meio da defesa, visto que a atenção era voltada para jogadores mais ofensivos.

Seus passes andavam em paralelo com o ótimo controle de bola e a visão de jogo invejável. Chutes de longa distância também se tornaram marca registrada. Verdadeiros “tiros” saíam de sua perna direita. 

Foram apenas três gols marcados na temporada, mas seu papel não se restringia apenas nos números. Capitão durante boa parte da campanha histórica, Vieira além de ter voz e força no vestiário, também tinha dentro de campo. Principalmente nos momentos que a situação apertava, era ele quem resolvia.

(Foto Mike Egerton – EMPICS/PA Images via Getty Images)

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Vieira foi utilizado em boa parte da carreira como meio defensivo, afinal, ele também era um marcador e tanto. Naturalmente para ser um bom marcador, é preciso ter, no mínimo, força de vontade para brigar em todas as bolas que são tidas como ameaças. Unindo o esforço com a arte de saber marcar, nos deparamos com o meia francês.

Tendo a esperteza para fazer boas leituras e a frieza para colocar o desarme em prática, era difícil superar o meio-campo franco-brasileiro que servia como proteção para a, também, forte defesa dos Gunners.

A chegada de Gilberto Silva na temporada de 2002/03, possibilitou o francês a ter mais liberdade para atuar de maneira mais ofensiva, como citado acima.

Seu papel defensivo era mais de apoio do que necessariamente de principal marcador. A dupla recém-formada parecia se conhecer há tempos. Um completava o outro.

Poderíamos chamar a dupla de Muro de Londres? (Foto: Nick Potts – PA Images/PA Images via Getty Images)

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Enquanto Gilberto contia os adversários, Patrick Vieira abusava de seu físico e qualidade para dominar os campos ingleses. Além de, claro, muita vontade. Tanta vontade se excedia em algumas ocasiões. Em 389 jogos pelo time londrino, foram 95 cartões amarelos e nove vermelhos.

O brasileiro já conversou com a PL Brasil sobre uma situação em que o companheiro perdeu a paciência em um dos jogos mais complicados de sua passagem pelo Arsenal.

Patrick Vieira era praticamente o motor de um carro tão potente como o Arsenal da última década. Sua mente genial não se satisfez em apenas ficar em campo, tanto que ao se aposentar, arriscou a vida como treinador.

Hoje, o francês serve de parâmetro para muitos meios-campistas que vem surgindo no mundo do futebol. Patrick Vieira por si só é único, seu legado sempre estará marcado na história de seu país natal e de um dos maiores clubes da Inglaterra.

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