O que aconteceu com o Sheffield United nesta temporada?

A equipe de Chris Wilder, sensação da última temporada, é a lanterna da liga

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O que aconteceu com o Sheffield United?
NICK POTTS/POOL/AFP via Getty Images

Poucos não ficavam apreensivos ao ter confrontos com o Sheffield United em 2019/2020. Ingleses até colocavam Chris Wilder entre os melhores técnicos do mundo. Conseguiriam  Manchester United e Chelsea aguentar o ritmo do Sheffield? Muitos acreditavam que não.

Mas a história do conto de fadas passou e os Blades vivem uma época dura em 2020/2021. Com aproveitamento de 3% no campeonato – um empate, 11 derrotas e nenhuma vitória – o clube amarga a lanterna da liga.

O estilo de jogo

Formação base do Sheffield e Estratégia de ataque do time

Antes de mais nada, é interessante entender como o Sheffield joga. Porque os Blades mantiveram toda a estrutura e a disciplina tática. Dos 3 zagueiros da equipe, apenas John Egan não age como uma entidade ofensiva. Dessa forma, os defensores, quando com a bola, também são laterais. E há participação, além dos três jogadores da posição, de John Lundstram, George Baldock e Jack Stevens, zagueiros em sua origem.

Ao defender, o esquema do Chris Wilder é autoexplicativo. Uma linha média, muitas vezes baixa, de bloqueio com movimentação pra impedir o adversário de transpor a primeira linha. Contudo, os zagueiros do Sheffield não têm correspondido à altura, seja tática seja tecnicamente.

Os gols sofridos pelo time revelam algumas situações individuais que podem ser destacadas. Stevens e Baldock, por exemplo, são facilmente atraídos pela movimentação do ataque, até mesmo quando há cobertura no setor. Já John Egan não pode ser confiado no um contra um, apesar de ser um pilar da defesa do United.

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Chris Wilder, treinador do Sheffield United
ADAM DAVY/POOL/AFP via Getty Images

Todavia, no ataque o esquema de Wilder é sim bem interessante. Isso porque ele usa um conceito de elemento surpresa, obviamente não nomeado dessa maneira, para dois dos três volantes atacarem a área. E assim os alas e os zagueiros também tentam chegar para surpreender. O sistema é popularmente chamado de overlapping, ou ultrapassar.

Dessa forma, é normal ver os dois centroavantes agirem como pivôs para chegada de um volante ou de um lateral. Além disso, os zagueiros que avançam têm como objetivo conseguir cruzamentos, o que libera os alas para agirem propriamente como extremos ou pontas. Eles, assim, já conseguiram muitos gols e assistências.

E tudo isso é feito com superioridade numérica nas laterais, já que praticamente todos os jogadores se deslocam para essas regiões. Defender as alas do campo como ponto foco ainda é algo complexo no futebol, porque, se você aumenta a amplitude da defesa, provoca inferioridade numérica no meio campo. E o centro do campo se torna uma região muito mais fácil de explorar quando há espaços.

Então o que aconteceu com o Sheffield United?

Oliver McBurnie: a dificuldade de marcar gols que se passa com o Sheffield United
Mike Egerton – Pool/Getty Images

Existem algumas razões pelas quais o Sheffield United caiu de produção na reta final da temporada 2019/2020, não se classificando para competições europeias, e agora segue sem vencer na atual edição da PL. Uma das mais importantes é que seu ataque tem uma extrema dificuldade em converter chances criadas.

Os Blades tiveram 15 grandes chances criadas na Premier League 2020/2021, mas 16 grandes chances perdidas. O número superior se deve a chances provenientes de rebotes, erros e lances individuais. E sete dessas 16 grandes chances perdidas passam por Oliver McBurnie. No quesito, o escocês é dono a segunda pior marca na Liga.

Mas mesmo em 2019/2020 o Sheffield também já sofria com o problema. David McGoldrick, por exemplo, teve 15 grandes chances perdidas, enquanto o já citado McBurnie teve 10. E McGoldrick, até 9 de julho, tinha xG (expected goals ou gols esperados) acumulado de 7,7, mas nenhum gol na Premier League. Dessa forma, o ataque não convertia e ainda não converte.

No mais, a adição de Ryan Brewster ao elenco não teve grande impacto e Lys Mousset não recuperou a forma do início de 2019/2020, quando fez seis gols. Assim, o setor segue sendo improdutivo. Por outro lado, a dedicação tática desses jogadores faz com que Wilder mantenha a confiança neles.

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John Lundstram
NICK POTTS/POOL/AFP via Getty Images

Além disso, os alas, zagueiros e meias que já perdiam gols anteriormente continuam perdendo. Lundstram, por exemplo, que chegou a ser importante peça ofensiva na última temporada, ainda não balançou as redes nesta PL – e perdeu algumas chances claras. Já Fleck está mal fisicamente e seus gols sempre farão falta aos Blades.

Em contrapartida, no aspecto defensivo, através do xGA (expected goals awarded ou gols esperados contra), percebemos que Aaron Ramsdale está fazendo um bom trabalho. O clube sofreu apenas a quantidade esperada de gols, 18. Por outro lado, o resultado é aquém do obtido por Dean Henderson, que na última edição ajudou o time a sofrer 6,81 gols a menos do que se esperava.

Portanto, a deficiência técnica de muitos atletas do Sheffield, que antes era compensada com dedicação, agora não está sendo suficiente. Os Blades teriam que se aprimorar na janela de janeiro, mas limitações financeiras podem impedir. Até lá, o clube precisa de gols e os números mostram que o problema está nos jogadores.

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