O MNM não é um trio, é apenas um conjunto de letras

MNM

O PSG montou o trio mais estrelados dos últimos anos. A equipe já contava com Neymar, um dos melhores do mundo, e Kylian Mbappé, Golden Boy de 2017 e o principal candidato a herdar o protagonismo do futebol no futuro. Todavia, os Bleus resolveram reforçar ainda mais seu ataque e contrataram Lionel Messi, a custo zero, do Barcelona. O craque argentino, seis vezes melhor do Mundo, após 21 anos no Barça, rumou para Paris em busca de dar a sonhada Champions League aos parisienses. Assim, se formou o trio MNM.

Os fãs aguardavam ansiosamente a estreia dos três, imaginando uma chuva de gols, mas não foi o que aconteceu. O primeiro compromisso juntos foi contra o Club Brugge, pela Champions League, e o trio MNM foi bem discreto e amargou o empate em 1 x 1. Na sequência, recebeu o Lyon, no Parque dos Príncipes. Com muita emoção e uma boa atuação de Neymar, o plantel venceu de 2 x 1. Entretanto, sem brilhantismo de Messi e Mbappé, sumido em grande parte do confronto. Por fim, a melhor atuação do triplete foi a vitória sobre o Manchester City 2 x 0.

UM TRIO NÃO É SIMPLESMENTE TRÊS ATLETAS JUNTOS

Na história do futebol existem muitos trios marcantes, entretanto nem todos eram um trio realmente. Na Seleção Brasileira de 2002, Rivaldo, Ronaldo e Ronaldinho não eram um trio. Os craques foram muito importantes para a grande conquista, mas na verdade era uma dupla e o Ronaldinho os auxiliando com muita qualidade.

O BBC, tetracampeão da Champions League, formado por Karin Benzema, Gareth Bale e Cristiano Ronaldo jogaram poucos jogos juntos. Além disso, foi a grande fase do português que “levou” esse trio adiante. O camisa 9 viveu um de seus piores momentos técnicos, mas era muito importante taticamente. Por outro lado, o galês teve uma caída brusca de rendimento com o passar dos anos. Marcelo, lateral-esquerdo deste esquadrão, foi muito mais “parceiro” de Ronaldo do que os outros citados. Os melhores jogos de cada um do trio foram quando estavam sozinhos.

Por fim, um exemplo negativo, Sávio, Edmundo e Romário. A trinca foi contratada pelo Flamengo, no ano de 1995 (ano de centenário do clube), em busca de dominar o cenário nacional e até mesmo sul-americano. O Baixinho era o melhor do mundo na época e retornava ao Brasil em seu auge na Europa. O Anjo Loiro, Sávio, era uma das grandes revelações da época e se destacava por sua habilidade. Para completar, o Animal fechava o ataque. Todavia, o estrelismo fez com que o “melhor ataque do mundo” se tornasse o pior e mais decepcionante da história.

É PRECISO SINTONIA

Os exemplos de Real Madrid e Seleção Brasileira, a não formação de trios não foi problema. O Brasil tinha uma dupla extraordinário e muito talentosa. Ademais, contava com Ronaldinho para auxiliá-los. Os Galácticos contavam com um meio-campo sensacional, e Marcelo e Carvajal em grande fase para abastecer o imparável Cristiano Ronaldo. Sem sombra de dúvidas, a melhor versão do português. Por outro lado, a trinca do Flamengo só ficou lembrado pelas polêmicas e pelos socos.

Para que três jogadores formem, de fato, um trio é preciso sintonia. Os atletas devem se procurar a todo momento e entender os movimentos do outro. Por isso que é necessário que todos sejam da mesma “prateleira”. Quando Dybala disse “não é fácil jogar com Messi“, ele estava 100% correto. Para jogar com um gênio, você precisa ser inteligente para pensar junto com ele.

Muitos contestam, mas o trio ‘MSN‘ foi o melhor da história. Nunca se viu um trio de ataques se entender tanto como Lionel Messi, Luis Suárez e Neymar. Os três se completavam, se procuravam e sabiam muito bem o lugar de cada um. Além disso, não existia estrelismo entre eles, algo muito raro hoje. Aliás, isso pode se tornar um problema no Paris Saint-Germain, principalmente com o trio MNM.

UM BOM TREINADOR É A CHAVE DE TUDO

Sempre que um time atinge o sucesso e apresenta um futebol bonito, nunca se lembra do treinador. O comandante só é lembrado quando encontra o caminho das derrotas. Entretanto, todos os grandes trios, times e seleções que se formaram durante os anos tinham um grande técnico.

O Real, tricampeão da Champions League, tinha Zinédine Zidane “no banco”. O francês assumiu o comando do time em janeiro de 2016, com o plantel em baixa e conquistou três Ligas do Campeão e uma La Liga até junho de 2018.

A Seleção Brasileira vinha um momento delicado. O esquadrão já havia sido comandado por Vanderlei Luxemburgo e Emerson Leão, mas não “dava liga”. Até que Luis Felipe Scolari ajustou o time e trouxe o Penta.

Atrás de um grande times existe um gênio, que é o treinador. Como diz aquele velho ditado, “não adianta ter uma Ferrari na garagem se não tem carteira de motorista“. O trio MNM exige um treinador com mais “peito”.

POCHETTINO NÃO É O NOME CERTO

Maurício Pochettino foi contratado em janeiro deste ano para substituir Thomas Tuchel. O argentino é um bom treinador, entretanto não está preparado para esse objetivo. Nem todos admitem, mas comandar um time com Neymar, Mbappé, Messi, Di Maria, Sergio Ramos, Marquinhos, Keylor Navas e Achraf Hakimi  é muito difícil.

As pessoas costumam dizer: “com aquele time, até eu coloco para jogar“. Essa frase é uma das mais hipócritas do futebol. O PSG sofre do mesmo problema do Real Madrid dos Galácticosmuitos egos para lidar.

O esquadrão possui três atletas com potencial de ser Melhor do Mundo. Além disso, conta com três zagueiros de alto nível – e, caso o esquema não for de três zagueiros, um deles vai para o banco. Sergio Ramos, ex-capitão da Espanha e do Real Madrid, Marquinhos, atual capitão do time e da Seleção Brasileira, e Presnel Kimpembe, lidera a França. Portanto, é preciso um bom gestor para que os egos não atrapalhem e os resultados cheguem.

O TRIO MNM PODE SER O RETRATO DO PASSADO PARISIENSE

Esse não é o primeiro trio de destaque do PSG. Quando Neymar e Mbappé chegaram, existia uma grande expectativa para o ataque formado entre eles e Edinson Cavani. O uruguaio, que viria a se tornar o maior artilheiro da história do Paris, era a estrela do clube. Ele era o responsável pelas faltas próximas ao gol e também pelos pênaltis. Entretanto, com a chegada do craque brasileiro, isso mudou.

Neymar foi para Paris com o intuito de ser a referência do esquadrão. Todavia, como citado anteriormente, em um time com grandes jogadores é preciso um treinador da mesma categoria. Unai Emery não soube coordenar o esquadrão e isso resultou em um conflito entre o brasileiro e Cavani por conta de uma penalidade.

Agora, é preciso um comandante que especifique muito bem o que cada um terá que fazer. Angel Di Maria precisa saber que para ser titular será preciso se sacrificar três vezes mais. Neymar terá que reeditar aquela versão do Barcelona. A defesa terá que ser cirúrgica, porque o clube estará muito com a bola e isso pode deixá-lo exposto.

O QUE POCHETTINO PODE FAZER PARA SALVAR O SEU EMPREGO?

É complicado questionar um treinador com apenas dez jogos oficiais e apenas três com todo o trio MNM. Todavia, algumas atitudes dele comprometeram o seu trabalho logo cedo. Foram duas situações que pesaram, um delas com a torcida e outra com o elenco, como tirar Neymar para colocar o Messi e substituir o argentino no jogo contra o Lyon, quando estava 1 x 1. O camisa 30 não costuma demonstrar seus sentimentos, no entanto ficou nítido a insatisfação.

O treinador precisa de mais uns jogos e que os jogadores se conheçam melhor em campo. Mbappé é craque demais para ficar o jogo todo entre os zagueiros. É preciso dar mobilidade para os três e que eles participem bastante do jogo. Se os três ficarem em lugares fixos é mais fácil de anular. O meio-campo é pouco criativo e isso afeta o ataque. Marco Verratti retornou muito bem e provou que será o ponto de equilíbrio da equipe. O Fratello precisa fazer com que a bola chegue com qualidade no ataque, para que o gênios possam fazer “mágica”.

A defesa aos poucos está melhorando. Após sofrer gols em três jogos seguidos, o clube conseguiu passar os dois últimos duelos ileso. Ainda está no começo, muita coisa vai mudar, mas o Paris já tem um grupo da Champions League bem equilibrado. Assim, a equipe tem que se acertar logo para superar os primeiros grandes objetivos.

O CONFLITO POR EGOS VÃO SER FREQUENTES

No último sábado (25), após ser substituído, Kylian Mbappé saiu reclamando bastante, dizendo: “ele não toca mais a bola para mim“. Muitos acreditam que o camisa 7 estava se referindo a Neymar. Isso foi uma bomba na mídia e começaram a publicar diversas especulações.

De acordo com Pochettino, os dois já conversaram e está tudo alinhado. Todavia, esses duelos de egos não será o último no clube. Por conta de ter um elenco com muitos jogadores “de nome”, é difícil todos ficarem satisfeitos. Muitas vezes uma briga por posição interfere na relação pessoal entre os jogadores. Além disso, vale ressaltar que todos os setores têm uma grande concorrência por vaga.

Keylor Navas e Gianluigi Donnarumma brigam pela vaga de goleiro titular. Essa disputa é a mais forte do elenco, porque é impossível usar os dois no mesmo jogo. Kimpembe não ficou contente com a chegada de Sergio Ramos, porque, se o treinador seguir atuando com dois zagueiros, ele irá para o banco. Angel Di Maria quer ser titular e talvez não aceite bem a reserva. Portanto, o trio MNM pode ser o menor dos problemas quanto a ego.

O MNM NÃO SERÁ UM TRIO DE “JANTAR”

Após o sucesso do MSN, as pessoas passaram a achar que um trio brilhante dentro de campo tinha que ter uma amizade forte fora dele. Todavia, isso não é um regra. Para que um trio dê certo é preciso profissionalismo e comprometimento. Além disso, também é necessário deixar de se importar com números individuais e focar no coletivo. O MNM deve seguir essa linha. Eles não farão jantares na casa do outro, no entanto vão buscar bons resultados dentro de campo.

Os três estão se entendendo, aos poucos, dentro de campo. Os craques devem conversar bastante, porque um precisa do outro. A partida contra o City foi empolgante e pode ter sido o início de uma grande temporada. Neymar e Mbappé deixaram de lado toda a polêmica do último fim de semana, e Messi está cada vez mais adaptado ao Paris. Além disso, o retorno de Verratti e as evoluções de Gana Gueye e Ander Herrera serão importantes para a sequência da época.

Maurício Pochettino tem a missão de montar uma tática que seja em função dos três e que favorece o futebol do trio e do PSG. Nenhum deles pode ficar mais de cinco minutos sem relar na bola – isso é um desperdício de genialidade. Pelo pouco entrosamento e falta de comando, até o momento o MNM é apenas um conjunto de letras e não um trio. Para que isso mude, os atletas precisam de minutos e que o treinador se acerte. Ademais, o estrelismo não pode existir entre eles e todo o elenco do Paris Saint-Germain.

Foto Destaque: Divulgação/ Neymar Jr Site