O Brighton é o time mais azarado da Premier League?

Falta de sorte ou ausência de competência?

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O Brighton é o time mais azarado da Premier League?
John Sibley - Pool Getty Images

O Brighton and Hove Albion é o time mais azarado da Premier League. Verdade ou mito? Desde que Graham Potter assumiu os Seagulls em 2019, um problema crônico é observado no clube: a dificuldade para marcar gols.

Para se ter uma ideia, até agora, em 17 jogos disputados na atual edição da Premier League, o Brighton está entre os dez times que mais finalizaram (216 chutes), mas por outro lado está entre os dez que menos marcaram gols – apenas 21. O aproveitamento é muito baixo.

O estilo de jogo que Potter aplica otimiza a criação de chances. Este Brighton é um time que constrói suas jogadas desde a defesa, com saída apoiada, troca de passes curtos, aglomeração de jogadores por um lado para inverter a jogada e encontrar o homem livre do lado oposto.

Alex Livesey/Getty Images

Quem alarga o campo geralmente são os alas. Tariq Lamptey ou Joel Veltman pela direita e Solly March pela esquerda. Aliás, a ausência de Lamptey está sendo sentida nesse momento. Veltman não tem a mesma capacidade ofensiva, muito menos criativa que o garoto que veio da base do Chelsea.

Os meio campistas são bons passadores (Yves Bissouma), assim como participam ativamente da recuperação da posse. Na frente, o belga Leander Trossard encosta em dois atacantes que também sabem sair da área para jogar, como, por exemplo, Aaron Connolly e Neal Maupay.

Para entender, então, o problema do Brighton profundamente vamos levantar as estatísticas. O tal dito “azar” parece estar nelas.

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Os números do Brighton na Premier League

O time cria chances, tanto que é o sétimo em finalizações por jogo na Liga. Porém, das 34 grandes chances criadas, 21 delas foram perdidas. Sem contar outras nove bolas na trave, perdendo apenas para o West Ham neste quesito.

Segundo o Sofascore, os Seagulls possuem uma média de posse de bola de 53,5% por jogo, trocando, em média, 400 passes a cada 90 minutos. Estes números só são menores que os do Big Six, Leicester e Leeds.

Ou seja, a posse de bola é direcionada para criação de finalizações, não é estéril. Os números são proporcionais se analisarmos o quadro geral. Por exemplo, Liverpool e Manchester City estão no top 3 de percentual de posse assim como no número de chances criadas.

E como se não bastasse, o Brighton é o quarto time que mais acerta cruzamentos por jogo na Premier League (4,9). Todos esses números e percentuais renderam, por enquanto, 8,8 finalizações a cada 90 minutos. Entretanto, apenas 3,6 delas são na direção do gol.

Portanto, para aprofundar mais ainda e encontrar (talvez) a raiz do problema, precisamos apelar para mais uma estatística: os expected goals (xG), cada vez mais famosos na análise estatística do jogo. Esse índice mede a probabilidade de uma finalização ser gol ou não, basicamente.

Expected goals do Brighton

A tendência, segundo os especialistas do The xG Philosophy, é que os times marquem o mesmo número de gols ou se aproximem ao máximo de seus respectivos xG tanto no curto quanto no longo prazo.

É possível avaliar esse índice jogo a jogo também. E aí aparece o sinal que levanta a discussão entre desempenho e resultado: o Brighton acumulou mais xG que o adversário em 11 das primeiras 17 partidas da Premier League, mas venceu apenas duas vezes.

O time criou chances boas o suficiente para marcar mais gols que o adversário em 11 oportunidades. Só conquistou duas vitórias. E uma delas veio justamente numa partida em que teve menor xG – contra o Aston Villa (1,41 contra 2,35 dos Villans). O jogo terminou 2 a 1 a favor dos Seagulls.

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Nos últimos cinco jogos, a realidade trouxe quatro empates e uma derrota. Contudo, se fosse pela teoria dos xG, seriam, no mínimo, duas vitórias. O grupo de Graham Potter desempenhou melhor que Wolverhampton (2,70 a 2,04) e – o caso mais absurdo – Sheffield United.

O confronto contra os Blades terminou empatado em 1 a 1, mas o Brighton criou chances para marcar mais de três gols naquela partida. Além do xG alto, amassou em praticamente todas as outras estatísticas ofensivas (73% de posse de bola, 21 finalizações, quatro grandes chances criadas e uma bola na trave).

Outro bom exemplo da falta de competência (ou de sorte mesmo) foi observado na terceira rodada do campeonato. Mesmo perdendo para o Manchester United por 3 a 2, quem criou mais chances e teve maior xG foi o Brighton (3,03 contra 1,91). Além disso, foram 18 finalizações – cinco certas e quatro bloqueadas, além de cinco bolas na trave.

JOHN SIBLEY/POOL/AFP via Getty Images

Quem é o vilão da campanha dos Seagulls?

Os atacantes podem ser considerados os grandes “vilões” da campanha do time na competição, afinal, somados, perderam 12 chances claras. Maupay perdeu seis enquanto Connolly e Danny Welbeck perderam três cada.

E baseado na teoria dos xG, existem também os expected points (xP). Esse índice conta a pontuação dos times na tabela de acordo com os expected goals, não com a realidade. A intenção é mostrar como seria a tabela se todas as chances de gol avaliadas pelo xG fossem convertidas.

Tim Keeton – Pool Getty Images

Nesse cenário, o Brighton poderia, pela teoria dos xP, estar na 8ª colocação, com 27 pontos, à frente de times como Arsenal e Wolverhampton. Porém, hoje o Brighton ocupa a 17ª colocação na tabela com 14 pontos. Seria isso apenas azar ou falta de competência dos jogadores? Qual é a solução?

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