Millwall e suas noites europeias na Copa da Uefa 2004/2005

Vice-campeonato na FA Cup garantiu participação dos Lions no torneio continental

Millwall em ação pela Copa da Uefa 2004/2005
Mark Thompson/Getty Images

A temporada 2003/2004 teve um sabor especial para o Millwall e seus torcedores. Isso porque, mesmo figurando na segunda divisão – competição na qual terminou na modesta décima posição – a equipe do sudeste de Londres fez história ao chegar à decisão do torneio de futebol mais antigo do mundo, a FA Cup.

Consequentemente, os Lions ganharam a oportunidade de disputar uma competição europeia, tendo assegurado, assim, pelo menos, duas partidas internacionais oficiais.

A trajetória do Millwall na Copa da Uefa 2004/2005 

Vaga garantida mesmo com derrota

Os Lions conquistaram o direito de disputar a Copa da Uefa (atual Liga Europa) da edição 2004/2005 graças à campanha vice-campeã da FA Cup na temporada anterior, de derrota por 3 a 0 para o Manchester United na final. Assim, o Millwall só ficou com a vaga na Copa da Uefa porque os Red Devils já estavam garantidos na Champions League.

Na sequência, o clube londrino, que à época contava com Dennis Wise acumulando as funções de jogador e treinador, iniciaria a disputa do torneio em sua fase preliminar, tendo como rival a equipe do Ferencvárosi, tradicional clube da Hungria.

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Primeiro jogo em casa

Ferencvarosi foi o adversário do Millwall em 2004 na Copa da Uefa
Alex Livesey/Getty Images

A partida de ida do confronto ocorreu em 16 de setembro de 2004. Naquele dia, o The Den contou com a presença de 11,667 torcedores, cuja maioria demonstrava todo seu apoio ao clube londrino, que fazia história ao integrar aquela edição do torneio da Uefa.

Para tanto, o Millwall entrou em campo com a seguinte escalação: Graham Stack, Kevin Muscat, Matt Lawrence, Darren Ward, Josh Simpson, Marvin Elliott, David Livermore, Jody Morris, Dennis Wise, Neil Harris e Stefan Moore.

Nesse primeiro duelo, o clube inglês buscou partir para cima do adversário, criando diversas chances. No entanto, mesmo com todo o volume de jogo, as chances dos Lions esbarravam nas boas defesas do goleiro Lajos Szücs.

Além disso, a equipe poderia ter encontrado uma maior facilidade no jogo caso o zagueiro romeno Sorin Botis tivesse recebido o cartão vermelho ainda na primeira etapa após violenta entrada em Muscat, o capitão dos Lions.

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Assim, sem balançar as redes nos 45 minutos iniciais, os dois times voltaram do intervalo em busca da vantagem para o segundo jogo. O clube inglês seguiu tendo as maiores chances, levando perigo à meta rival. Contudo, as oportunidades ainda esbarravam em Szücs, que fazia uma atuação muito segura.

Após várias tentativas, o Millwall viu surgir em uma bola parada a chance de finalmente vencer o goleiro rival. E coube a Dennis Wise a cobrança da falta. Em uma batida ao lado oposto à barreira, o meia surpreendeu o goleiro do Ferencvárosi, com a bola indo na direção que ele deixava. Dessa maneira, os Lions saíam na frente do duelo.

Dennis Wise
Mark Thompson/Getty Images

Entretanto, os húngaros não se deixaram abater, indo em busca do empate – e ele veio, pouco depois, na mesma moeda. Em uma cobrança perfeita, Peter Lipcsei mandou a bola por cima da barreira, sem chances de defesa para Stack. Com isso, 1 a 1 no placar.

Ciente de que devia ir para o segundo jogo com a vantagem, a equipe londrina buscou ficar na frente novamente – aliás, esteve próxima disso. Já nos minutos finais, Elliott teve uma excelente oportunidade. Contudo, mais uma vez o goleiro rival impediu que o Millwall saísse do The Den com a vitória.

Festa e confusão da torcida do Millwall pelas ruas de Budapeste

Para a segunda partida do confronto, marcada para duas semanas depois, os torcedores do Millwall seguiram a equipe até a Hungria. Mas, conhecida por seu temperamento pouco calmo, a torcida enervou os ânimos com a polícia de Budapeste nos momentos que antecederam ao confronto.

Ainda assim, a festa protagonizada pelos 15,229 torcedores do Millwall naquela noite de 2004, dentro no antigo estádio Albert Flórián – popularmente conhecido por Ulloi ut – não sairá da memória dos ingleses.

O final da aventura europeia do Millwall em 2004

No confronto decisivo, a equipe do técnico/jogador Wise foi à campo com os seguintes atletas: Graham Stack, Kevin Muscat, Matt Lawrence, Darren Ward, Josh Simpson, Marvin Elliott, Paul Ifill, David Livermore, Jody Morris, Dennis Wise e Neil Harris.

Diferentemente da partida de ida, o Ferencvárosi, dessa vez time da casa, tratou de dominar o jogo desde seu início, dando poucas chances para o Millwall buscar a vitória. Dessa maneira, os mandantes praticamente resolveram a partida ainda nos 45 minutos iniciais, em um primeiro tempo bastante movimentado.

O placar foi aberto quando Denes Rosa aproveitou cruzamento e, de cabeça, não deu qualquer chance para o goleiro Stack. Em seguida, mesmo na frente, a pressão do time da casa continuou, dobrando a vantagem logo cinco minutos depois.

Sorin Botis, aquele que poderia ter sido expulso no primeiro confronto, mandou também de cabeça em direção ao gol do Millwal. A bola, com uma dose de capricho e crueldade, ainda bateu no travessão e na trave direita de Stack, para então timidamente ultrapassar a linha.

Sorin Botis, do Ferencvarosi, marca contra o Millwall
ATTILA KISBEDENEK/AFP via Getty Images

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Nesse momento, precisando de três gols para avançar à próxima fase, os Lions acabaram cedendo espaços para contra-ataques. Como consequência, os húngaros se aproximaram ainda mais da classificação. Após roubar a bola no campo de defesa, o Ferencvárosi deu o contragolpe fatal quando chute de Robert Vágner desviou na defesa adversária e encobriu o goleiro.

Apesar do sufoco, o Millwall conseguiu diminuir a desvantagem ainda antes do intervalo, novamente por meio de Dennis Wise. 3 a 1, portanto. No entanto, o clube londrino realmente não encontraria forças para reacender o duelo.

Desse modo, ao final da primeira etapa da partida em Budapeste, a classificação do Ferencvárosi e o fim da linha para o Millwall já estavam mesmo decretados. Para os 45 minutos finais, poucas emoções sobraram em campo, com as equipes tendo as chances mais claras de marcar novamente já nos acréscimos.

Assim, com um placar agregado de 4 a 2, os Lions e seus torcedores se despediam da histórica e inesquecível aventura na Copa da Uefa, colocando um fim às curtas, porém agitadas, noites europeias do clube.