Michael Carrick: o talento desperdiçado pela seleção inglesa ou superestimado?

Michael Carrick se tornou um dos jogadores mais importantes do Manchester United, mas nunca teve tamanha relevância na seleção inglesa. Talento desperdiçado ou superestimado?

Michael Carrick

O jogador de 36 anos Michael Carrick vai se aposentar no final da temporada como um dos jogadores ingleses mais condecorados da era Premier League, mas os sucessivos técnicos da seleção inglesa o negligenciaram.

Diante desta situação, chegamos a seguinte pergunta: Carrick foi o talentoso meio-campista desperdiçado da geração de ouro da Inglaterra ou sempre foi superestimado?

Michael Carrick: troféus em abundância em Old Trafford

O jogador ganhou 12 grandes troféus durante sua carreira no Manchester United, incluindo cinco títulos da Premier League e uma Liga dos Campeões.

O United encerrou um jejum de três anos sem conquistar a liga na primeira temporada de Carrick, após deixar o Tottenham por 18 milhões de libras. O então jogador de 24 anos fez 33 aparições em sua jornada de estreia com os Red Devils – mais do que qualquer outro meio-campista central.

Ele fez 58 jogos na Premier League nas duas próximas temporadas, com o United conquistando três títulos, assim como a Liga dos Campeões em 2008.

Michael Carrick é um dos jogadores mais importantes da história do Manchester United. (Foto: Getty Images)

Mais títulos seguiram em 2011 e 2013, com Carrick novamente desempenhando um papel fundamental – em particular em 2012-13, quando ele jogou em 36 dos 38 jogos do campeonato em que o Manchester conquistou o título na última temporada de Sir Alex Ferguson.

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Mike Phelan foi o técnico da equipe principal do United sob Ferguson durante esse período e descreveu Carrick como uma parte “crucial” do sucesso.

“Carrick era o maestro da orquestra”, disse Phelan à BBC Sport. “Ele trouxe uma calma ao processo. Certos jogadores são entusiasmados e expansivos, mas Michael era muito equilibrado. Ele tinha essa tranquilidade e segurança e isso refletia em muitos outros jogadores.”

“Ele está lá em cima com [Paul] Scholes, [Andrés] Iniesta e [Sergio] Busquets e é definitivamente nesse molde. Grandes elogios são necessários. Sobreviver em uma carreira como Michael fez é enorme”, concluiu Phelan.

Carrick foi peça indiscutível na temporada 2007/08 pelo United. Este é o XI inicial da final da Liga dos Campões, vencida em cima do Chelsea. (Foto: BBC)

Subutilizado ou ofuscado na seleção inglesa?

Apesar de ter jogado 463 vezes pelo United numa época em que conquistou cinco títulos em 11 anos, Carrick nunca foi regular na Inglaterra.

Ele venceu apenas 34 partidas pelo seu país entre sua estréia em 2001 e sua última convocação em 2015 – e jogou apenas uma partida em um grande torneio.

Então, por que quatro técnicos da Inglaterra – Sven-Goran Eriksson, Steve McClaren, Fabio Capello e Roy Hodgson – nunca o utilizaram de uma forma plena?

Carrick tinha forte competição pela posição central do meio-campo – Steven Gerrard e Frank Lampard, que conquistaram 220 internacionalizações entre eles. Mas outros meio-campistas sem o prestígio dele também atrapalharam sua vida na seleção.

Número de jogos pela seleção inglesa [em vermelho] e jogos em torneios [em azul]. (Foto: BBC)
Gareth Barry jogou 53 vezes pela Inglaterra, enquanto Owen Hargreaves, companheiro de equipe de Carrick em Old Trafford, ganhou 42 internacionalizações. Carrick não foi para o Euro 2012, onde Scott Parker jogou todos os jogos na sua posição.

As estatísticas parcialmente apoiam a escolha dos técnicos. Carrick tem uma taxa de vitórias de 53% com a Inglaterra. Mas, desde sua estreia em 2001, o Three Lions venceu 60% das partidas sem o meia.

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Em 2011, Carrick pediu para não ser mais chamado para o serviço internacional, não tendo participado da Copa do Mundo de 2010. Além disso, retirou-se da disputa pela Euro 2012 depois de se desencantar com a falta de oportunidades.

Hodgson persuadiu Carrick a voltar em um amistoso contra a Itália logo após a Euro e deu a ele mais 11 partidas.

“Michael foi sem dúvida azarado em sua área. Era um setor muito forte para a Inglaterra no período que estava jogando”, disse Hodgson, agora no comando do Crystal Palace.

Michael Carrick fez o suficiente? As estatísticas mostram

Azarado talvez, mas o que Carrick não tinha? Afinal, Sir Alex Ferguson o descreveu como o melhor meio-campista central do futebol inglês.

Desde que ingressou nos Red Devils, Carrick marcou apenas 17 gols – colocando-o em 29º na lista dos outros meio-campistas ingleses da Premier League e abaixo de jogadores como Barry, Steve Sidwell e Craig Gardner. Ele forneceu 21 assistências em seus 315 jogos do campeonato pelo United – 19º no quesito.

Carrick jogou em uma posição mais recuada no meio-campo durante a maior parte de sua carreira. Isso explica esses baixos números ofensivos. Mas na parte defensiva, suas estatísticas também são superadas por outros rivais ingleses.

Barry e Parker – assim como Lee Cattermole e Mark Noble – fizeram mais desarmes na Premier League. O primeiro também fez mais interceptações do que qualquer jogador inglês desde 2006-07, embora Carrick esteja em segundo lugar.

Barry também fez mais passes na Premier League, mas Carrick tem uma maior taxa de sucesso no passe. Notavelmente, um número maior de passes dados por Michael terminou no último terço do campo.

A posição de Carrick em diversos indicadores com relação aos outros meio-campistas da Premier League. (Foto: BBC)

Então, foi justo negligenciar Carrick na seleção inglesa através de suas estatísticas?

Phelan disse à BBC Sport que Carrick trouxe mais para o United do que pode ser mostrado em números.

“Michael veio com algo que passa um pouco despercebido”, disse ele.

“Ele não fez jogadas espetaculares e não era um jogador que colocaria sua cabeça em situações em que ele iria se machucar. Ele estava mais seguro do que isso e capaz de ser apenas um jogador de futebol, para poder conectar o jogo. Essas coisas passam despercebidas no tumulto de uma partida de futebol”, encerrou o técnico.

E você, acredita que Carrick foi subestimado durante seus anos à serviço da seleção inglesa ou de fato existiam jogadores melhores em sua posição durante o período?

Matéria originalmente escrita por Matthew Henry, da BBC Sport. Para conferir o texto em inglês, clique aqui.

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