Marians Pahars, o “Michael Owen” da Letônia que fez história no Southampton

Entre 1999 e 2006, jogador vestiu a camisa da equipe da costa sul da Inglaterra

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(Foto: Neal Simpson/Getty Images)

A Letônia nunca foi um país tradicional no futebol. A nação báltica tem como grande feito ter disputado a Eurocopa em 2004, em que foi eliminada ainda na primeira fase, com apenas um ponto, fruto de um empate sem gols diante da poderosa Alemanha. Porém, o país revelou um dos grandes ídolos recentes da história do Southampton: Marians Pahars, que entre 1999 e 2006, vestiu a camisa da equipe da costa sul da Inglaterra.

Quem é Marians Pahars?

Atacante de muita velocidade e faro de gols, mas que também sofreu com inúmeras lesões em sua carreira, Pahars recebeu o apelido de Michael Owen da Letônia, em referência ao jogador inglês e por características em comum em seus estilos de jogo.

Marian Pahars comemora gol diante do Wimbledon em jogo válido pela Premier League em outubro de 1999 (Foto: Alex Livesey /Allsport)

Infância na Ucrânia e primeiros passos no futebol

Filho de país letões, Marians Pahars nasceu no dia 5 de agosto de 1976 em Chernobai, cidade ucraniana que fazia parte da antiga União Soviética. Após se mudar para a Letônia, desde cedo o jovem mostrava habilidade no futebol, mas não em sua posição que o consagrou.

Aos 18 anos, ele assinou com o Pardaugava, em Riga, passando para o Skonto Metal e depois para o principal time do país na época, o Skonto FC, em 1995. Inicialmente ele começou jogando como meio-campista, antes de mudar de posição e se converter em um atacante.

Em sua melhor temporada no clube, marcou 19 gols em 26 jogos da equipe na liga nacional, em 1998, atraindo a atenção de equipes como Werder Bremen e Salertiana, mas foi Gary Johnson, hoje treinador do Torquay United e que na época era treinador da seleção da Letônia, que recomendou Marians Pahars a Dave Jones, técnico do Southampton.

Hat-trick no teste e início promissor no Southampton

Antes de ser integrado ao elenco dos Saints, Pahars marcou um hat-trick em jogo-treino diante do Oxford United. Um gol de cabeça e um com cada pé.

Pela taxa de 800 mil libras, o jogador foi contratado, mas só obteve um visto de trabalho em março de 1999, sendo o primeiro jogador do país báltico a jogar na Premier League.

Sua estreia foi vindo do banco, em derrota para o Coventry City pela diferença mínima e seu primeiro gol foi no dia 17 de abril de 1999, no empate crucial diante do Blackburn Rovers.

Vale lembrar, que naquela temporada, o time lutou contra o rebaixamento, mesmo contando com bons nomes no elenco, entre eles Mark Hughes, James Marsden, James Beattie e Matt Le Tissier.

No último jogo da temporada, já livre do fantasma do rebaixamento, Marians Pahars marcou os dois gols da vitória diante do Everton, em The Dell, antiga casa dos Saints. Ele encerrou a temporada com três gols em seis partidas disputadas.

Matt Le Tissier comemora com Pahars, o segundo gol diante do Everton, na última partida da temporada 1998/99 (Foto: Steve Mitchell/Getty Images)

Temporadas de sucesso e lesões

Nas temporadas seguintes, Pahars passou a ser figura essencial na equipe do Southampton. Durante a temporada 1999/00, marcou 13 gols em 33 partidas disputadas na Premier League.

Após a saída de Jones, Glenn Hoddle assumiu os Saints e passou a utilizar Marians Pahars não como centroavante, mas sim aberto pelos lados de campo, explorando seus recursos de drible e velocidade.

Após uma temporada 2000/01 irregular, onde marcou apenas nove gols em 31 partidas, voltou a sua melhor forma em 2001/02, onde ao lado de James Beattie, formou uma dupla que marcou 30 gols combinados na temporada: 14 de Pahars e 16 de Beattie.

A temporada foi marcante, apesar da 11ª colocação na Premier League, visto que foi a última de Matt Le Tissier pelo Southampton.

Pahars em ação diante do Manchester United em 2002 (Foto: Mike Hewitt/Getty Images)
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Em 2002/03, Marians Pahars sofreu com as lesões, muito em virtude de uma cirurgia de hérnia, realizada antes da temporada. Após se recuperar, foi expulso em partida diante do Manchester City em outubro e, em novembro, sofreu uma grave lesão no tornozelo que praticamente o tirou da temporada, em que o clube seria vice-campeão da Copa da Inglaterra, perdendo a decisão para o Arsenal.

Na temporada seguinte, mais lesões e, quando não estava lesionado, ficava no banco de reservas. Após participar da repescagem da Euro com sua seleção, Pahars voltou ao elenco titular. Recuperou a confiança com três vitórias consecutivas com o letão em campo, sendo a mais marcante diante do Portsmouth, onde os Saints venceram o Pompey por 3 a 0. 

Novamente os problemas no tornozelo prejudicaram Marians Pahars, que não fez nenhuma aparição e não pode evitar a queda do time para a Championship.

Em 2005/06, na segunda divisão, em que o clube amargou uma 12ª posição, não voltou a repetir o sucesso de outras temporadas, sendo dispensado ao final de seu contrato.

Foram 45 gols em 156 partidas com o Southampton. Além disso, teve despedida emocionante no dia 30 de abril de 2006, após vitória contra o Leicester por 2 a 0.

Passagem pelo Chipre e fim de carreira na Letônia

Após o final de seu contrato com o Southampton, Pahars assinou com o Anorthosis Famagusta do Chipre, e novamente sofreu com as lesões e irregularidade. Em duas temporadas, apenas 19 jogos e quatro gols marcados.

Retornando ao Skonto, o atacante foi importante na temporada do clube com oito gols em 19 partidas. Seus problemas físicos ainda eram frequentes e, em 2009, encerrou sua carreira profissional pelo Jurmala.

Pela seleção da Letônia, foram 75 jogos e 15 gols marcados, entre 1996 e 2007. Foi o 13º com mais partidas e o quarto maior artilheiro da sua equipe nacional.

Carreira de Marians Pahars como treinador

Pahars comandando a seleção da Letônia em 2015 (Foto: Charles McQuillan/Getty Images)

Atualmente, Marians Pahars treina o FK Jelgava, equipe que disputa a Virsliga, elite do futebol da Letônia.