Manchester United deve se endividar com empréstimos para reforma de R$ 12,5 bilhões do Old Trafford

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Após a chegada do novo dono do clube, o empresário Sir Jim Ratcliffe, o Manchester United passou a debater com mais afinco uma questão que divide opiniões no: a reforma do seu estádio, Old Trafford, ou a construção de um novo.

Reconstruir o Old Trafford, segundo o clube, custaria aproximadamente 2 bilhões de libras (R$ 12,5 bilhões). Segundo o “The Athletic”, o novo dono vê esse tópico como prioridade e construiu uma força-tarefa para discutir a origem desse dinheiro. Uma das opções mais viáveis seria por meio de empréstimos, o que pode aumentar a dívida dos Red Devils.

A dívida do Manchester United

Em 2005, o United foi comprado por uma família de empresários americanos, os Glazers. Antes disso, o clube estava livre de dívidas. Agora, deve 653,3 milhões de libras e gastou outros 772,5 milhões em juros provenientes de empréstimos.

Muito criticados, os Glazers também não vinham tirando dinheiro do seu próprio bolso para investir no clube. Pelo contrário, eles receberam pagamentos anuais de dividendos, totalizando mais de 150 milhões de libras. entre 2016 e 2022.

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(Foto: Icon Sport)

Ainda assim, criar mais dívidas para financiar um novo estádio, ou a reforma do atual Old Trafford, é uma opção viável para o clube, segundo o site. A chance de ter ajuda pública no que diz respeito a investimento também é considerada, o governo de Grande Manchester deve ter um papel pequeno no processo — se tiver alguma participação de fato.

A reforma ou reconstrução do estádio tem sido um tema importante desde o início da revisão estratégica do United para encontrar novas fontes de investimento, que foi anunciada em novembro de 2022.

Embora Ratcliffe tenha delegado assuntos que tratam da parte de dentro de campo do clube a outros membros de sua equipe, ele está interessado em assumir um papel de liderança nas decisões quando o assunto é o futuro de Old Trafford.

Por que se endividar não seria ruim

Quando empréstimos são usados para um projeto de infraestrutura, o valor da dívida pode retornar mais rápido do que se imagina. O Tottenham é um exemplo próximo na Premier League.

O novo estádio dos Spurs, que custou 1,2 bilhão de libras e foi inaugurado em abril de 2019, é tido como o melhor da Premier League devido à sua versatilidade comercial — o clube faz dinheiro com o estádio o ano inteiro, não só quando joga em casa.

Uma arena moderna, o Tottenham Hotspur Stadium também gera receita com aluguel do espaço para eventos, compras nas lojas que estão nas dependências do estádio e, inclusive, recebe jogos da NFL.

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Tottenham Hotspur Stadium (Foto: Icon Sport)

Para financiar a reconstrução do antigo White Hart Lane, o clube londrino fez um empréstimo de 637 milhões de libras, parcelados em várias prestações, dos bancos Goldman Sachs, Bank of America e HSBC.

De acordo com a Swiss Ramble, uma respeitada analista de finanças do futebol, nas contas do clube para a temporada 2021/22, mais de 90% de sua dívida estava relacionada ao estádio.

No entanto, um relatório divulgado em fevereiro pela Uefa destacou que o Tottenham ganha mais dinheiro por partida do que qualquer outro clube da Premier League. No cenário europeu é o terceiro: fica atrás apenas do Paris Saint-Germain e do Barcelona.

Os Spurs arrecadam cerca de 5 milhões de libras em cada dia de jogo, levando em conta a receita de bilheteria e o dinheiro gasto pelos torcedores no estádio. O próximo time da Premier League na lista é o Arsenal, que ganha cerca de 4,2 milhões.

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(Foto: Icon sport)

Os Gunners, inclusive, inauguraram o Emirates Stadium em 2006 a um custo de 357 milhões, e para isso fizeram um empréstimo de 260 milhões de um consórcio de bancos.

Em comparação, o United gera cerca de 3,2 milhões de libras por dia de jogo, apesar de ter uma capacidade maior do que o Emirates e o Tottenham Hotspur Stadium. Isso é um indício de que a modernização do estádio traz lucros, apesar do alto custo.

Guilherme Ramos
Guilherme Ramos

Jornalista pela UNESP. Escrevi um livro sobre tática no futebol e sou repórter da PL Brasil. Já passei por Total Football Analysis, Esporte News Mundo, Jumper Brasil e TechTudo.

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