Manchester City Women, o projeto de ser uma potência no futebol feminino

Um dos maiores clubes do mundo no futebol masculino investe com força no feminino há anos

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Charlotte Tattersall Collection Getty Images Sport
Charlotte Tattersall Getty Images Sport

Em 2008, o patamar do Manchester City mudou completamente. Após a compra do clube pelo Abu Dhabi United Group, comandado pelo Sheikh Mansour bin Zayed Al Nahyan, os azuis de Manchester passaram a ganhar vários títulos em competições nacionais e se destacar também em torneios internacionais com o time masculino.

De lá para cá, entre os homens, foram vencidas quatro Premier Leagues, duas FA Cups, quatro Copas da Liga e três Supercopas – além de chegarem a uma semifinal de Uefa Champions League. Tudo isso gastando valores muito acima da realidade anterior para contar com grandes craques e treinadores de renome.

Mas o que nem todos sabem é que o projeto dos Citizens não envolve apenas o futebol masculino. Em um momento de cada vez mais crescimento na Inglaterra, o futebol feminino é visto pela equipe com um grande interesse. O objetivo do Manchester City Women é se tornar tão vencedor quanto, como mostra esse vídeo da Betway.

Estrutura de primeira linha

Assim como no futebol masculino, a estrutura do futebol feminino do Manchester City não deve em nada a nenhum clube no mundo. As jogadoras contam com um apoio ideal neste sentido, para desenvolverem o seu jogo.

A equipe manda seus jogos no Academy Stadium, inaugurado oficialmente em 2014 e com capacidade para sete mil pessoas. O estádio faz parte do City Football Academy, um grande complexo feito para homens e mulheres que contém 16 campos de futebol, academia e outras moderníssimas estruturas de preparação e alojamentos.

Dentro de campo, ninguém melhor para falar sobre isso que Stephanie Houghton. A zagueira está no Manchester City desde 2014, ano em que tornou capitã da seleção inglesa – onde já fez mais de 100 jogos. Também capitã das Citizens, ela não mede elogios à estrutura da equipe.

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“Em termos de estrutura e de estádio, o que temos aqui é surreal. Não dá para pedir mais. O sonho de qualquer jogadora profissional de futebol é chegar e ter tudo que precisa para ser a melhor jogadora que puder, e para nós sermos o melhor time que pudermos”, destaca Houghton.

Força no profissional e na base

Para uma modalidade em qualquer esporte ser fomentada, além do devido incentivo financeiro e estrutural, é mais que essencial investir na base. Se desde cedo os talentos não forem incentivados, eles não surgem, não há uma renovação e a tendência é a perda de força.

Com o boom do futebol feminino, em especial pós-Copa do Mundo de 2019, há nos países que desejam se tornar potências uma preocupação clara com a base. Basta ver o exemplo dos Estados Unidos, que há duas décadas conquistam títulos de Copas e Olimpíadas, estabelecendo-se como referências e com gerações de craques ao passar dos anos.

No Manchester City Women, há uma filosofia de cuidado com a base. O clube trabalha com futuras jogadoras desde cedo, oferecendo vários times de categorias de base e toda a estrutura necessária para uma ascensão ao clube profissional sem queimar etapas.

“Se você incluir o time principal, temos quase 220 mulheres.­ São quatro times femininos de categorias de base: sub-10, sub-12, sub-14 e sub-16, além de um time de desenvolvimento, que é o sub-19. E depois disso, temos a equipe principal. Depois que tornamos o nosso time profissional, a liga se tornou profissional”, destaca Gavin Makel, diretor do futebol feminino do Man City desde 2014.

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Bom lembrar que a Women’s Super League, primeira divisão do futebol inglês, tornou-se totalmente profissional na temporada 2018/19 – bem depois da equipe azul. Com isso, os clubes precisam oferecer garantias à FA e às suas jogadoras, que podem se dedicar exclusivamente ao futebol.

“Essa garotas que estão nas categorias de base provavelmente são melhores que eu quando era mais jovem. E isso é por causa dos treinamentos que elas têm, a estrutura que elas usam, e claro, as oportunidades que têm”, afirma Steph Houghton.

“Antes de vir para cá, eu treinava uma, duas vezes por semana no Arsenal e nos outros clubes em que já joguei. Agora posso sentar aqui e dizer que sou uma jogadora profissional todos os dias. Acho que o Manchester City ensinou isso para o resto da liga” – STEPHANIE HOUGHTON.

Sucesso de resultados e de público

Os resultados de tanto investimento e cuidado não poderiam ser outros. Dentro de campo, o Manchester City Women conquistou a WSL em 2016, a FA Cup em 2016/17 e 2018/19 e a Copa da Liga em 2014, 2016 e 2018/19. Além disso, foram duas semifinais de Uefa Women’s Champions League em 2016/17 e 2017/18. E assim como entre os homens, o título europeu é o grande objetivo do projeto Citizen para as mulheres.

A força do clube e da sua estrutura também são importantes para atrair jogadoras de renome. Além da capitã Steph Houghton, o Man City conta ou já contou com atletas como Pauline Bremer, Ellen White, Keira Walsh, Ellie Roebuck, Nikita Parris, Lucy Bronze, Carli Lloyd e Kosovare Asllani, dentre tantas outras.

Recentemente as Citizens tiveram uma baixa importante: a saída de Nick Cushing. O treinador chegou ao clube em 2013 e liderou todos os títulos citados acima, sendo peça fundamental em todo esse sucesso.

Ele saiu da Inglaterra em fevereiro deste ano para ser auxiliar técnico do New York City, na Major League Soccer masculina dos Estados Unidos. O comando ficou com o interino Alan Mahon – uma ideia de manutenção da filosofia.

“A razão por trás disso é que somos um clube de comunidade, é o nosso coração, é a nossa origem. Você pode ser homem, mulher, tanto faz, esse é um clube que coloca o coração em tudo que faz. Então fez muito sentido pra gente iniciar esse projeto”, lembra o diretor Gavin Makel.

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A torcida tem visto o sucesso e o profissionalismo da equipe, e abraçou a causa. Prova disso se deu nesta edição da WSL: na primeira rodada, o clássico contra o Manchester United foi realizado no Etihad Stadium e levou 31.213 pessoas – recorde da liga até o North London Derby entre Tottenham e Arsenal, dois meses depois.

Charlotte Tattersall Collection Getty Images Sport
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Steph Houghton, presente também no jogo entre Inglaterra e Alemanha que levou 77.768 torcedores a Wembley em novembro de 2019, lembra que ainda há o que melhorar: “O público aumenta a cada jogo que disputamos. Mas ainda temos muito trabalho a fazer, para que as pessoas passem pelos portões e venham nos ver jogar”.

Ainda segundo a própria, o preconceito da sociedade segue como uma grande barreira. Mas é importante para as atletas que o desejo de se tornar uma jogadora siga aceso desde cedo, provando aos críticos o contrário.

“Acho que estando no futebol, você vai acabar passando por alguma experiência de preconceito. Não acho que tive tantos problemas quanto algumas outras jogadoras, mas sempre há aquela dúvida se uma mulher pode jogar futebol. Você precisa ter uma mentalidade muito positiva de querer jogar e provar que estas pessoas estão erradas” – STEPHANIE HOUGHTON.

Ainda há muito a se evoluir, sem dúvida alguma. Mas na Inglaterra esse processo se dá de forma cada vez mais rápida, e com certeza o Manchester City Women tem uma grande influência nisso.

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