Jornal inglês chama Fluminense de ‘time de aposentados’ e erra ao julgar carreira de Diniz

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Ambos estreantes como campeões continentais, Manchester City e Fluminense disputarão pela primeira vez em suas histórias a final do Mundial de Clubes da Fifa nesta sexta-feira (22). O favoritismo do time de Pep Guardiola sobre o de Fernando Diniz foi assunto na imprensa inglesa, que derramou críticas sobre o time brasileiro.

O jornal britânico “The Telegraph”, por exemplo, diz que “para vencer o Mundial, o Manchester City só precisa vencer um time titular mais adequado ao Soccer Aid“, que é uma iniciativa beneficente da Unicef em que jogam ex-atletas e outras personalidades do esporte.

Artigo do respeitado jornal inglês “The Telegraph”, em que Fluminense é chamado de “time para evento beneficente”

Fernando Diniz ‘rodado demais' e elenco ‘velho'

O Telegraph destacou a confiança do técnico brasileiro em jogadores experientes e lembrou que “o grande Marcelo, aos 35 anos, não é nem o mais velho” da equipe. “Felipe Melo, ex-Juventus e Inter de Milão, tem 40 anos. O goleiro do Fluminense, Fabio, tem 43 anos – estreou como profissional em 1997”, ressalta o jornal.

Fernando Diniz, também o técnico interino da seleção brasileira, teve seu estilo de jogo comparado à abordagem de posse de bola de Guardiola. “Mas em uma nação que é uma das maiores produtoras de jovens talentos, ele tem uma forte fé na experiência”, diz o Telegraph.

— Ele (Diniz) também tentou persuadir Thiago Silva, outro graduado da famosa base de Xerém do Fluminense no Rio de Janeiro, a retornar. O zagueiro do Chelsea tem 39 anos – cutucou.

Além disso, o jornal fez uma análise injusta sobre o treinador da Seleção. Sem considerar o contexto do futebol brasileiro — e da própria carreira de Diniz –, o Telegraph diz que “o fato de o Fluminense ter chegado tão longe é notável”.

— Diniz, de 49 anos, teve 17 empregos em 14 anos como treinador. Seu 18º é assumir o comando do Brasil. Ex-meio-campista cuja carreira de jogador foi passada no Brasil, ele disse aos grandes nomes que voltaram ao clube que terão que aprender uma nova abordagem e todos compraram a ideia – opinou o jornal.

É importante contextualizar que Fernando Diniz começa sua carreira em clubes pequenos do interior de São Paulo, como Votoraty, Botafogo-SP, Audax e Oeste. Na maioria dos seus trabalhos, seu calendário consistia em, basicamente, as divisões inferiores do Campeonato Paulista.

Depois de uma Série A2 do estadual — ou até mesmo A1, com o Audax, que impulsionou sua popularidade em 2016 –, os times mudam bruscamente em termos de plantel, um claro dificultador para o trabalho nas até mesmo nas divisões inferiores.

fernando diniz fluminense
Foto: Icon Sport

Dessa forma, a “conta” de trabalhos feita pelo Telegraph é evidentemente injusta. Diniz trabalhou no Guarani do dia 30 de novembro de 2017 ao dia 2 de janeiro de 2018. O clube sequer teve jogos disputados nesse período, o que exatamente isso quer dizer?

É justo julgar passagens mais “encorpadas”, como no Athletico-PR, Santos e Vasco, por exemplo, apesar da pouca amostragem (21, 31 e 12 jogos, respectivamente). Isso sem querer que o jornal britânico entenda o contexto demissional e de pressão exacerbada de dirigentes que ocorre no Brasil.

Manchester City ‘intocável' perto do Fluminense

O Manchester City, na visão do periódico inglês, não deve ter grandes dificuldades ao enfrente o tricolor carioca, que é visto como “pouco preparado” para o desafio:

— O Fluminense terminou em sétimo lugar no Brasileirão da Série A neste mês e pode se parecer mais com uma formação do Soccer Aid do que uma equipe pronta para enfrentar a força dos campeões europeus de Guardiola.

O estilo de Diniz também foi questionado pelo jornal: o quão fiel às suas identidades será o time brasileiro? “O Fluminense, treinado por Diniz para ser uma equipe de passes abertos, agora precisa decidir se seguirá essa crença em uma final contra a equipe mais formidável do futebol mundial“, diz o Telegraph.

— Quanto à redução da diferença de qualidade entre as equipes europeias e o resto do mundo, esse é um problema que uma Copa do Mundo de Clubes maior fará mais para enfatizar do que corrigir – pontua o jornal.

Os ingleses ainda pontuaram que apenas três das últimas 18 edições do Mundial foram vencidas por sul-americanos – brasileiros em todas as ocasiões – e as demais foram conquistadas por equipes europeias.

guardiola manchester city
Foto: Icon sport
Guilherme Ramos
Guilherme Ramos

Jornalista pela UNESP. Escrevi um livro sobre tática no futebol e sou repórter da PL Brasil. Já passei por Total Football Analysis, Esporte News Mundo, Jumper Brasil e TechTudo.

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