Manchester City na Champions League: análise do duelo contra o Borussia Mönchengladbach

Como favoritos no confronto, ingleses desafiam alemães

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Manchester City Mönchengladbach Champions
MICHAEL REGAN/POOL/AFP via Getty Images

O Manchester City começa, nesta quarta-feira, dia 24, às 17h (de Brasília), mais uma jornada em busca do inédito título da Champions League, tendo pela frente o Borussia Mönchengladbach, sensação da última Bundesliga, mas que não vem repetindo na atual temporada a regularidade de 2019/2020.

A partida acontecerá na Puskás Arena, em Budapeste, capital da Hungria. Em virtude da nova variante da Covid-19, o jogo de ida não acontecerá na Alemanha, pois o país restringiu a entrada de pessoas vindas da Inglaterra. A volta acontece no Etihad Stadium, em Manchester.

Extremamente vencedor na Inglaterra durante a década que se passou, os Citizens buscam a “orelhuda” para se firmarem como gigantes da Europa. Os comandados de Pep Guardiola irão enfrentar o organizado time de Marco Rose, mas não deverão ter muitas dificuldades em alcançar o triunfo.

Manchester City x Mönchengladbach: análise do duelo da Champions

Mönchengladbach já não é mais o mesmo

Os Potros, como são conhecidos os alemães, não estão conseguindo repetir a boa campanha de 2019/2020. Enquanto na última temporada eles chegaram a liderar o campeonato de forma isolada e figurar frequentemente entre os quatro primeiros, agora estão apenas na 8ª posição.

Nove pontos atrás do Eintracht Frankfurt, primeiro time dentro da zona de classificação para a Champions, o time não deve conseguir se classificar novamente para a competição mais importante do continente. Para além disso, já se sabe que Marco Rose não mais será o treinador do clube, tendo sido confirmada a sua transferência para o Borussia Dortmund.

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Marcus Thuram e Alassane Pléa, atacantes que comandaram o time na marcante temporada, não estão repetindo as grandes atuações de outrora. Thuram, inclusive, não tem mais o posto de titular absoluto da equipe.

Haja vista a queda de rendimento de algumas peças, Rose tem alternado bastante as escalações em busca de um novo padrão ideal. Já jogou no 3-5-2, no 4-2-3-1 e também no 4-4-2. Em um modelo de jogo marcado pela velocidade, a equipe alemã costuma marcar e tomar muitos gols, tendo no atacante Lars Stindl a grande esperança de gols.

Jonas Hofmann é a grata surpresa da temporada

O meio-campista de 28 anos, Jonas Hofmann, é o vice-líder de assistências da Bundesliga ao lado de Filip Kostic e Kingsley Coman, sendo também o vice-artilheiro do clube na liga. São nove assistências para sua conta e quatro gols anotados.

Atuando pelos lados e também por dentro, atleta tende a ser um dos pontos de incômodo para o City. Ele não costumava ter destaque em números pela equipe, que costumeiramente tinha em Pléa, Thuram e Stindl como os líderes de grande parte dos quesitos. Todavia, com a temporada de baixa, aproveitou o espaço e tem mostrado boas valências em favor de sua equipe.

Fique de olho

Primordialmente, Lars Stindl sempre deve ser um nome a se ater. Com 32 anos, segue sendo a referência da equipe. São 10 gols e cinco assistências para o experiente atacante na Bundesliga. Na Liga dos Campeões foi as redes duas vezes, também servindo seus companheiros em duas oportunidades.

Além dele, Florian Neuhaus, jovem meio-campista alemão, é outro nome interessante desse time. Com apenas 23 anos, promete ser mais um grande meio-campo formado na Alemanha. Tem quatro gols e quatro assistências no Campeonato Alemão e é o pilar da área central do time de Rose.

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Por último, Alassane Pléa e Marcus Thuram. Eu sei, neste mesmo texto foi dito que eles não vivem boa fase se comparado com o último ano, o que não é mentira. Entretanto, a dupla teve seus melhores em 2020/2021 justamente na Champions League.

Matthias Hangst/Getty Images

O Mönchengladbach, que chegou a ser líder isolado num grupo com Real Madrid e Inter de Milão, teve nesses dois boa parte de seus gols e assistências. Pléa é o líder de gols e assistências, enquanto Thuram é o vice-líder em ambos os aspectos ao lado de Stindl. Caso a estrela dos atacantes volte a brilhar, os Potros poderão ter motivos para sonhar.

Manchester City chega na sua melhor fase da temporada

Quando o sorteio foi feito, já se imaginava que o roteiro pudesse ser de facilidade para os Citizens, mas não com tanta intensidade. Naquela época, o líder da Premier League era o Liverpool e o time comandado por Pep Guardiola ainda não despontava como favorito ao título.

Reflexo disso, por exemplo, foi o empate diante do West Bromwich, um dos piores times da liga nesta temporada, um dia após o sorteio – 15 de dezembro de 2020.

A sensação que se tinha era de que o City dependia muito de Kevin De Bruyne, que mesmo jogando em altíssimo nível, não era o suficiente para a equipe brilhar como outrora. Fator agravante, aliás, a dificuldade do belga em fazer gols. Apesar de muito familiarizado com as assistências e em ser importante durante momentos decisivos, não faz parte do seu estilo de jogo ser um meio-campista artilheiro.

Entretanto, Pep, mais uma vez, soube se revolucionar. Mesmo com as lesões de Laporte, Aké, Aguero, e o próprio De Bruyne, o time de Manchester construiu uma invencibilidade que já dura dois meses, sendo a última derrota para o Tottenham, em 21 de novembro de 2020.

JON SUPER/POOL/AFP via Getty Images

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No meio dessa sequência, inclusive, eliminou o maior rival, Manchester United, na Copa da Liga. 2 a 0 dentro do Old Trafford. Ao mesmo tempo que não é um feito tão enorme, evidencia mais uma das diversas expressividades dessa temporada de renascimentos – do time, do técnico e dos atletas.

Rúben Dias, contratando junto ao Benfica, assumiu a posição de titular na defesa e deu uma solidez que há muito não se via. Guardiola, que costumeiramente fazia a saída de bola com dois defensores, adicionou mais um jogador nessa estrutura que já durava – e dava resultados – há muitos anos. Com o nome certo e a ideia que melhor se aplicou ao contexto, Dias e Stones protagonizaram uma dupla praticamente impenetrável.

Invencibilidade. Chuva de gols. Defesa blindada. Tudo isso sem o melhor zagueiro do time da última temporada – Laporte; o maior artilheiro da história do clube – Aguero; e o melhor jogador desse elenco – De Bruyne. Através de muito trabalho e ideias que se ligam, o City é hoje o líder da Premier League, com 10 pontos de vantagem para o segundo colocado, o Manchester United.

Gundogan renasceu das cinzas

Lesões, atuações apagadas, sensação de limitação. Até aqui, essas eram as constantes palavras ligadas ao meia İlkay Gündoğan, contratado a peso de ouro do Borussia Dortmund logo na primeira temporada de Pep.

O jogador, que havia se destacado bastante na Inglaterra, sofria para render em tão alto nível na terra da rainha. Para compor elenco, ok, estava sendo uma boa peça, mas não era para isso que fora contratado.

Eis então que, talvez no momento de maior necessidade, a estrela do alemão voltou a aparecer. Dentro de um contexto de desfalques no meio-campo, a falta de gols de Gabriel Jesus e Sterling e a lesão de Kun, Gündoğan se tornou o jogador mais importante do time.

São 11 gols na Premier League, incluindo dois contra o Liverpool e dois contra o Tottenham. Ambos os times já foram líderes da liga na temporada, e o meia foi extremamente crucial para o sucesso frente esses gigantes.

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Fique de olho

Para além do meia alemão, três nomes são passíveis de destaque para este confronto. Riyad Mahrez, Phil Foden e Ferran Torres.

Todas as vezes que se criou alguma expectativa de sequência de Mahrez na sua passagem pelo City, o argelino decepcionou. Fez gol e assistência nos últimos dois jogos e foi uma ótima peça de escape pela direita. É o terceiro em gols do time na PL, com seis marcados; também o terceiro com mais passes para gols, soma três assistências.

Foden, entre idas e vindas no time titular, parece cada vez mais pronto. Marcou gols contra Liverpool e Everton e aparenta entender cada vez mais as ideias de Pep. Caminha para ser um jogador completo, dentro de um contexto que o favorece bastante.

Por fim, a menção a Ferran Torres. Ainda que tenha tido bons momentos em 2020/2021, não teve muitas oportunidades desde que perdeu três partidas por conta da covid-19. Mas, é o artilheiro do City na Champions League com quatro gols. Pode voltar a brilhar.

O que esperar da partida?

Por fim, o domínio tem tudo para ser do Manchester City. Praticamente sem desfalques e com um futebol cada vez mais encaixado, dificilmente os alemães conseguiram surpreender os ingleses.

Em síntese, De Bruyne pode voltar a liderar o meio-campo justamente no momento onde temos visto Bernardo Silva novamente desempenhar em alto nível. As curiosidades e atrativos do jogo ficarão, muito provavelmente, no quanto os Citizens terão a oferecer para o espetáculo.

Portanto, em caso de se manter a excelente fase da Premier League, poderemos ter um jogo extremamente agradável de se ver. Muita gente boa inserida numa ótima fase coletiva.

Prováveis escalações para o primeiro jogo:

Manchester City: Ederson; Kyle Walker, Stones (Laporte), Rúben Dias e Cancelo; Rodri, Gündoğan, De Bruyne; Mahrez (Foden), Sterling e Gabriel Jesus. Técnico: Pep Guardiola.

Borussia Mönchengladbach: Sommer; Ginter, Zakaria, Bensebaini; Kramer, Lainer, Lazaro, Hofmann e Neuhaus; Stindl e Pléa. Técnico: Marco Rose.