Um golpe duro contra a luta LGBT no futebol inglês

O futebol é um dos esportes mais preconceituosos em relação às diferenças

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Um golpe duro contra a luta LGBT no futebol inglês
Crédito: Reprodução

Uma data nesse ano de 2019 poderia ter mudado o mundo do futebol para sempre. O dia 24 de julho deveria ter servido como um marco para a quebra do preconceito contra o grupo LGBT.

O futebol é um dos esportes mais preconceituosos em relação às diferenças. Nele, o grito de “bicha” ainda parece uma ofensa normal e, muitas vezes, sem punição. E isso acontece mesmo com punições severas aos torcedores e clubes, além de campanhas que se arrastam por anos.

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Neste dia, uma conta no Twitter chamada @FootballerGay (com mais de 40 mil seguidores) havia sido criada por um suposto jogador da segunda divisão do futebol inglês, sem nome divulgado, que assumiria ser homossexual.

Conforme o caso ganhou notoriedade, o dono da conta desistiu da decisão, o que levantou debates sobre LGBTs no futebol.

Um jogador da Championship revelando sua opção sexual teria dado coragem a outros. Mas, sua falta de força, como declarado em um de seus últimos tweets, acabou apenas por deixar intacta a homofobia praticada atualmente.

A data de 24 de julho seria um golpe contra a discriminação. Assunto que vem sendo discutido desde 1990, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) deixou de tratar a homossexualidade como uma doença. Ano também em que Justin Fashanu se tornou o primeiro jogador homossexual do futebol inglês.

O dia 24 também poderia ter apaziguado a alma de Fashanu. Jogador que, após assumir sua homossexualidade, teve a carreira estilhaçada como um copo de vidro caído no chão. Oito anos após abrir seu coração, essa implosão em sua vida profissional seria um dos motivos para o ex-jogador acabar com a própria vida.

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Essa mesma quarta-feira de julho também poderia ter sido de enorme ajuda para Collin Martin, atual único jogador assumido gay em uma liga de relevância (Major League Soccer) no mundo. O americano levantou a bandeira e com auxilio de um centro maior, como é a Europa, poderia atingir feitos muito mais importantes para a luta contra a homofobia.

A data iria desmentir a frase de Olivier Giroud de que “É impossível se declarar homossexual no futebol”, coisa que o jogador adoraria que o fizessem.

Giroud é um dos jogadores defensores da comunidade LGBTQ+ e participa de movimentos contra o preconceito desde a época em que jogava na França.

Daria vozes a prováveis centenas de jogadores que se escondem atrás de máscaras por temerem não conseguir mais um lugar ao sol apenas pela sua orientação sexual. Com medo de serem repudiados por aqueles que consideram amigos e irmãos dentro do esporte.