Lucy Bronze: a melhor jogadora inglesa da atualidade

Conheça a história da craque do Manchester City e da seleção inglesa coleciona títulos pessoais e coletivos pela Europa

Lucy Bronze
Charlotte Tattersall/Getty Images

Ela está de volta ao futebol inglês. Lucy Bronze, a melhora jogadora inglesa da atualidade e uma das maiores de todos os tempos. Eleita a melhor jogadora da Uefa 2018/2019 e melhor jogadora de 2020 pela BBC, recentemente deixou o multicampeão Lyon para regressar às Citizens. Então, vamos conhecer um pouco mais de perto a história dessa grande craque.

Nasce uma jovem promessa

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Phil Walter/Getty Images

Lucia Roberta Tough Bronze tem 28 anos, e nasceu no dia 28 de outubro de 1991 em Berwick-Upon-Tweed, uma cidade no condado de Northumberland, na Inglaterra. Filha de mãe inglesa e de pai português, tem um começo no futebol similar com o da maioria das meninas no mundo.

Jogava em casa com seu irmão Jorge, em times juvenis masculinos e também na escola. E foi no colégio que iniciou sua vida esportiva além do futebol. Ela foi finalista nacional de pentatlon e cross country, e jogadora de tênis representante do condado.

Até os sete anos viveu em Holy Island. Então se mudou para Alnwick, onde passou a jogar no Alnwick Town, também majoritamente masculino. Em um certo momento, fez uma viagem com a equipe para Blyth, porém, ao chegar lá, foi proibida de disputar uma partida por conta do regulamento que não permitia meninas.

Mesmo assim, chamou a atenção do Blyth Town, a única equipe feminina da região. Por isso se mudou para a cidade e finalmente ingressou no seu primeiro time de mulheres. Simultaneamente, por vezes foi sondada para atuar na seleção portuguesa, mas Lucy queria vestir a camisa inglesa. E assim foi. Aos 15 anos, estava convocada para as Lionesses Sub-17.

Bronze agora é profissional

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A jovem promessa se torna uma realidade. Lucy iniciou de vez a sua carreira nas categorias de base do Sunderland aos 12 anos. Em 2007, aos 16 já foi promovida para o time profissional. Na equipe, jogava junto com Jordan Nobbs e Demi Stokes, que posteriormente viraram suas companheiras de seleção.

Em 2009, Bronze foi para os Estados Unidos em intercâmbio cursar a Universidade de North Carolina por um semestre, e entrou também para o time de futebol feminino ao lado de Tobin Heath e Ashlyn Harris.

O North Carolina Tar Heels é um time muito tradicional no âmbito universitário estadunidense. Em atividade e multicampeão, já teve em seu plantel grandes atletas de nome como Mia Hamm e Kristine Lilly.

Ainda que a passagem de Lucy tenha sido curta, ela se tornou a primeira inglesa a vencer a NCAA Cup. E desenvolveu mais ainda uma das suas características principais, a versatilidade. Na época, ela ainda jogava como meio-campista, mas demonstrava qualidades para desempenhar outras funções em campo.

De volta para a Inglaterra

Enquanto a jovem jogadora dividia seu tempo entre futebol, estudos e trabalho, regressou para Inglaterra dando segmento no trabalho com as Black Cats do Sunderland. Teve uma sequência ruim de lesões no joelho, mas que conseguiu se recuperar com o passar do tempo. Até que em 2011, teve o seu primeiro convite para um time de peso com proporções internacionais.

O Everton contratou Lucy Bronze. Ao lado da craque Fara Williams e da artilheira Natasha Dowie, ela fez sua estreia na Uefa Women’s Champions League. E foi de pé direito. Ajudou a equipe a chegar até as quartas do campeonato. Naquele ano, alcançaram também a terceira colocação na FA WSL e foram até as semifinais da League Cup (atual Conti Cup).

Além disso, foi nas Blues que Bronze começou a jogar como lateral. E nas duas temporadas que esteve na equipe, teve um crescimento profissional e técnico gigantesco. Subia nas categorias de base da seleção inglesa e já integrava a equipe sub-23.

E foi no ano de 2013 que, não só sua estreia na seleção principal em um confronto contra o Japão aconteceu, mas os voos estavam cada vez mais altos. Chegou a hora de atravessar o Merseyside River e defender a camisa do rival Liverpool.

Lucy Bronze
Tony Marshall/Getty Images

Os grandes clubes ingleses e a sequência de títulos

Apesar de vermos que hoje em dia o Liverpool vive uma situação muito complicada quando se trata do futebol feminino, em 2013 a equipe era pioneira. Foi o primeiro time a funcionar de forma “full-time” na Inglaterra.

Enquanto Lucy jogava no Everton, ela dividia o seu calendário do ano fazendo partidas também pelo Sunderland quando as Blues não tinham jogos ou campeonatos. Mas com as Reds, tudo mudou. A equipe fazia uma revolução com o seu novo técnico Matt Beard, atualmente comandante do West Ham.

O trio Bronze, Fara Williams e Natasha Dowie foram contratadas quase que ao mesmo tempo. E junto com outros grandes nomes do cenário como Gemma Bonner, Amanda DaCosta e Whitney Engen, elas foram em busca de quebrar a hegemonia de títulos do Arsenal.

Leia mais: Liverpool Women: o descaso do clube com o futebol feminino

Dito e feito, o Liverpool Woman foi campeão da WSL por dois anos consecutivos. Por consequência de suas grandes atuações, Lucy foi eleita a melhor jogadora do ano pela PFA, na temporada 2013/2014.

Em segmento, deixou o Liverpool para defender a camisa do Manchester City. Com mais um projeto audacioso, as Cityzens estavam reforçadas e prontas para buscar títulos. E em mais uma temporada, Lucy Bronze vencia a WSL junto com Toni Duggan. Mas não só, a equipe também conquistou a orelhuda da Champions League.

Para colocar cobertura no bolo, a inglesa era eleita mais uma vez a melhor jogadora do ano pela PFA na temporada 2015/2016.

A hegemonia europeia do Lyon

CLIVE BRUNSKILL/POOL/AFP via Getty Images

E a cereja do bolo chegava agora. O time, que é considerado na atualidade como o melhor do mundo no futebol feminino, queria a Bronze. Então, ela fez suas malas e foi para França onde se consagraria, tanto no individual, quanto coletivamente. Se juntou a um time de nível de seleção para três temporadas vitoriosas.

A fase que já era boa, ficou maravilhosa. Sacramentou a famosa “lei do ex” no City na sua primeira semifinal de Champions e por esse feito, recebeu nomeação do gol da temporada. Foi também a melhor jogadora do ano de 2018 pela BBC, sendo a primeira defensora a alcançar a honra.

Não parando por aí, o Lyon de 2018/2019 conquistou o Treble, vencendo o Barcelona na final da Uefa Women’s Champions League. Ganhou também a Internacional Champions Cup contra o North Carolina Courage, o que resultou na sua primeiríssima nomeação de melhor jogadora da Uefa.

Leia mais: Lucy Bronze e as atletas inglesas no prêmio da FIFA

E a conquista foi histórica, não só pela nomeação em si, mas por ter sido eleita e ganhado o prêmio como a primeira inglesa da história e também a primeira defensora a conquista-lo.

Neste ano de 2020, a melhor jogadora inglesa da atualidade, foi nomeada mais uma vez, alcançando as 3 finalistas. Mas ficou em terceiro lugar, sendo Wendie Renard (também do Lyon) a segunda, e Pernille Harder a eleita. E um detalhe interessante é que dentre as 10 na disputa, sete jogadoras atuam no Lyon.

Ao começar essa temporada 2019/2020, a equipe francesa já tinha quatro Liga dos Campeões consecutivas, sendo duas delas com Lucy Bronze no elenco. Quebrando todos os recordes de títulos em competições disputadas, o Lyon alcançou mais um Treble. Division 1, Coupe de France e Champion.

Mais de uma década de seleção

Paralelamente, a história dentro da seleção inglesa é gigantesca. Bronze não só coincidentemente nasceu no ano da primeira Copa do Mundo Feminina oficial da FIFA (1991), como ela soma excelentes atuações com as Lionesses. São mais de 80 jogos como representante nacional, foram poucas as oportunidades que ficou de fora de algum compromisso internacional, como foi o caso da Euro 2013.

Porém, o que falta no seu currículo vencedor, é justamente este que é o principal campeonato entre seleções. As Lionesses amargaram um terceiro lugar em 2015 e um quarto lugar em 2019, mesmo com tantas atletas de alta qualidade. A última conquista foi a SheBelieves Cup do ano passado.

Leia mais: Copa do Mundo Feminina 2019: Um balanço da campanha da seleção inglesa

E falando em patamar internacional, começou a ganhar os holofotes nas eliminatórias de 2015 para a Copa no Canadá. Mas a muita atenção dos torcedores e da mídia que cobre futebol feminino veio mesmo na última Copa na França.

O mundo inteiro pôde acompanhar mais de perto sua versatilidade, leitura de jogo, passes e cruzamentos e oportunismo para gols. Como por exemplo aquele que foi nomeado para ser o mais bonito do torneio.

E, sem dúvidas, a sua atuação no Mundial Feminino de 2019 trouxe reflexos no seu prêmio de melhor jogadora da Uefa e na nomeação para melhor jogadora do mundo FIFA, ficando atrás de Alex Morgan e da eleita Megan Rapinoe. Que inclusive, falando na última, foi a Bola de Ouro da Copa. Bronze foi a Bola de Prata.

A volta às Cityzens

Lucy Bronze
Charlotte Tattersall/Getty Images

E foi nesse contexto multiplamente vencedor, que Lucy Bronze se permitiu mais um desafio. Regressar para o Manchester City, nessa nova fase de crescimento exorbitante do futebol feminino inglês e de um time com grandes contratações internacionais.

Mirando os títulos, a equipe tem nomes como Steph Houghton, Jill Scott, Alex Greenwood, Rose Lavelle, Sam Mewis, dentre outras de nível de seleção. E não só o clube trouxe novas atletas para reforçar o time, como também investe, acredita e engaja o seu futebol feminino.

Bronze foi anunciada de volta com um frisson por parte da torcida e da mídia. Todos sabem da sua qualidade absurda como jogadora. Da sua flexibilidade, do apoio defensivo que traz segurança e solidez ao time. E também do ofensivo, que vai em busca dos resultados e ocupa sua lateral direita do campo de forma a jogar o time para frente com velocidade.

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Com a bola nos pés, Lucy é excelente dribladora. Tem muitos recursos para levantamentos, cruzamentos, cavadinhas, passes rasteiros e precisos. Além disso, suas bolas batidas à distância da meta têm força e qualidade técnica para buscar o sentido do gol.

Sem a bola nos pés, os combates são limpos e providenciais. Bronze deixa qualquer sistema defensivo mais tranquilo de que o ponto fraco não estará ali. O que obviamente pode complicar o outro lado, caso não esteja em um patamar técnico como o dela, mas isso já é outra conversa.

Jovem, vivendo uma fase de bons resultados, altíssimo rendimento e reconhecimento internacional. Lucy Bronze é a melhor jogadora inglesa da atualidade, mas também uma das grandes estrelas do futebol feminino de todos os tempos. E, com certeza, podemos esperar muito mais dela ainda.