Teve até milagre no caminho do Liverpool para a 9ª final de Champions League

Reds vão em busca do sexto título da competição continental

Teve até milagre no caminho do Liverpool para a 9ª final de Champions League
Reprodução/UEFA

O Liverpool está novamente na final da Champions League. A equipe buscará o sexto título europeu no próximo sábado (1) no Wanda Metropolitano, diante do Tottenham, em Madri. Esta será a nona participação em final de Champions para os Reds, maior marca entre clubes ingleses.

Jurgen Klopp repete o feito de outros dois treinadores: Joe Fagan (1983-84 e 1984-85) e Bob Paisley (1976-77 e 1977-78). Porém, apenas o alemão levou o clube a três finais continentais de maneira consecutiva, já que o Liverpool fez a final da Europa League, na temporada 2015-16, diante do Sevilla.

Sob a batuta de Klopp, a equipe voltou a ser respeitada em competições continentais e o retrospecto recente mostra isso. A caminhada para a final mostra que o clube passou por muitos desafios no caminho e, frente aos Spurs, tem mais um gigante adversário em busca da glória na Champions, que não vem desde 2005.

A fase de grupos

O caminho para final foi tortuoso já na fase de grupos. O Liverpool foi sorteado no encardido Grupo C junto de Paris Saint-German, Estrela Vermelha e Napoli. Nas três primeiras partidas, duas vitórias em casa e a derrota como visitante para a equipe italiana deixava o Liverpool em boa condição na tabela.

As partidas seguintes mostraram um Liverpool inconstante: foram derrotas contra o Estrela Vermelha, em Belgrado (2 a 0) e PSG (2 a 1), em Paris. Após essa sequência de resultados, o clube chegou na última rodada precisando da vitória, em casa, diante do Napoli para se classificar.

O gol foi marcado por Mohamed Salah, aos 34 minutos do primeiro tempo. Os Reds criavam chances, mas não conseguiam ampliar a vantagem alcançada com o gol do egípcio. O drama aumentava com o passar do tempo: o Liverpool desperdiçava chance atrás de chance e ficava por um fio, já que com o empate seria eliminado da competição.

Aos 46 do segundo tempo, Milik saiu cara a cara e Alisson fez a defesa mais importante no torneio, que manteve o placar em 1 a 0 e o clube na disputa. O Liverpool se classificou em segundo lugar no grupo, com nove pontos e mantinha vivo o desejo de reconquistar a Europa.

Defesa incrível do brasileiro Alisson classificou o Liverpool (Reprodução/AFP)

A ‘tranquilidade' das fases seguintes

Nas oitavas de final, os ingleses foram sorteados para enfrentar o Bayern de Munique, primeiro colocado do Grupo E. A equipe alemã oscilou bastante durante a temporada e o Liverpool, mesmo após a maratona de dezembro/janeiro conseguiu se impor. Empate por 0 a 0 em casa, vitória por 3 a 1 na Alemanha e classificação para os vermelhos da Terra da Rainha.

Na fase seguinte, o Liverpool foi sorteado para enfrentar o Porto, equipe que havia enfrentado na última temporada. O resultado foi o mesmo, com facilidade semelhante. O primeiro confronto foi vencido em Anfield por 2 a 0 e a partida de volta viu uma goleada: 4 a 1 e passagem carimbada para a semifinal contra o Barcelona.

Confronto das oitavas e quartas-de-final foram caminhadas tranquilas (Colagem sobre fotos da UEFA/Action Images)

A histórica semifinal e o ‘Milagre de Anfield'

O último obstáculo antes da final foi também o mais complicado. O Liverpool tinha estado numa situação complicada apenas na fase de grupos, mas se viu numa dificuldade ainda maior quando perdeu por 3 a 0 no Camp Nou. A maratona de jogos nacionais e o nível de exigência, física e mental, levaram a equipe ao limite.

A partida em si não teve essa superioridade do Barcelona. Os visitantes também pressionaram, buscaram o gol, tentaram impor o seu jogo ante um clube forte, sólido e que tinha uma estratégia bem desenhada. Além disso, a equipe catalã contou com uma noite especial de Messi e do goleiro Ter Stegen.

Placar da ida foi sacramentado com um golaço de falta de Lionel Messi (Reprodução/UEFA)

O que aconteceu, no dia 7 de maio de 2019, entrou para história não só do Liverpool, mas também do futebol. O clube protagonizou mais uma virada incrível numa Champions League. Precisando de uma vitória de, no mínimo 3 a 0, para se manter vivo na competição, os Reds lutaram.

“Vamos tentar. Se conseguirmos, será maravilhoso. Se não, falharemos da maneira mais bonita” – JÜrgen klopp, treinador do liverpool

Essa frase foi dita por Klopp no dia anterior ao jogo. Uma noite de terça-feira que para muitos, até hoje, não existe explicação lógica. Roberto Firmino, peça vital do forte ataque, fora da partida.

Salah, que havia sido essencial para o clube na fase de grupos, também não estava em campo. O Liverpool não iria com força máxima para um dos jogos mais importantes da temporada.

Os substitutos seriam, respectivamente, Divock Origi e Xherdan Shaqiri. Os dois entraram em campo dispostos a deixar tudo dentro das quatro linhas e, logo de início, fizeram uma jogada que quase resultou em gol. Aos sete minutos, coube a Origi abrir o placar empurrando um rebote pro fundo do gol.

O jogo seguiu equilibrado, com as duas equipes criando chances. Alisson conseguia fazer as defesas e o ataque inglês parava, novamente, em Ter Stegen. Assim o primeiro tempo terminaria mesmo 1 a 0, contudo, havia esperança.

Precisando de ter uma solidez defensiva maior no lado esquerdo e de mais chegada ao ataque dos homens de meio, Klopp realizou no intervalo a mudança que iniciaria o inacreditável. O lateral-esquerdo Andrew Robertson foi sacado para entrada do meio-campista Gini Wijnaldum, James Milner foi deslocado para a lateral. A sorte estava lançada.

Aos oito minutos Wijnaldum fez o 2 a 0 completando jogada pela direita de Alexander-Arnold. Sem deixar o Barcelona respirar, o novamente Wijnaldum cabeceou cruzamento de Shaqiri para completar o 3 a 0. O Anfield era palco de uma das partidas mais impressionantes da Champions League. O resultado levava o jogo para a prorrogação.

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Em dez minutos, Wijnaldum repetiu o que havia conseguido apenas pelo PSV: marcar gols em competições continentais (Clive Brunskill/Getty Images)

Assim como na partida de ida, a equipe que estava perdendo não se entregava. Quando via espaço, Messi criava chances e infernizava a defesa do Liverpool. Os esforços esbarravam no forte sistema defensivo vermelho e nas mãos do goleiro Alisson, que terminaria a partida com, pelo menos, cinco intervenções que deixaram a equipe adversária zerada.

Foi aos 33 minutos que o estádio veio abaixo. O escanteio marcado no lado direito foi batido de maneira rápida por Alexander-Arnold, que quase desistira de realizar a cobrança. Ao perceber a desorganização da zaga adversária, efetuou a cobrança rasteira, a bola rasgou a área catalã até achar os pés de Origi que estufou as redes do Anfield.

Origi comemora o gol que deu números finais a partida, em Anfield (Reprodução/LFC)

“Foi instintivo”, disse o lateral após a partida. “Um daqueles momentos em que você vê a oportunidade. Foi daqueles dias onde todos se lembrarão”, completou, ainda na beira do campo.

O histórico estádio – e praticamente todo o mundo – via uma das viradas mais improváveis do futebol acontecer. Detalhe, novamente o Barcelona era quem sofria o revés. As imagens rodaram o mundo da equipe celebrando com a torcida mais uma ida à final da Champions League.