Como o Leicester escapou do rebaixamento antes de ser campeão inglês

Uma temporada antes de ser campeão o Leicester lutou muito para não ser rebaixado

Clive Rose Getty Images
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Todos já conhecem a linda história sobre o título da Premier League do Leicester City em 2015/2016. Linda porque o clube chegou à conquista em sua segunda temporada após voltar à elite do futebol inglês. Mas há outro fator que torna o título dos Foxes ainda mais impressionante. Na temporada anterior, o Leicester esteve muito próximo do rebaixamento.

O time era o último colocado na 31ª rodada. Foi necessária uma arrancada histórica nas rodadas finais para garantir seu lugar na Premier League e a chance de fazer história no ano seguinte.

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O objetivo era não cair

A temporada de 2014/2015 era a primeira do Leicester na Premier League após 10 anos. O clube havia conseguido retornar à primeira divisão após ser campeão da Championship em 2013/2014. A permanência na elite era o objetivo da equipe comandada pelo técnico Nigel Pearson.

Após as primeiras cinco rodadas, os torcedores tiveram a falsa sensação de que atingir tal objetivo, talvez, não fosse requerer tanto sofrimento.

Depois de estrear com empate, em casa, diante do Everton e perder, fora de casa, para o Chelsea, o Leicester conseguiu um empate com o Arsenal e duas vitórias consecutivas. Diante do Stoke, por 1 a 0, e o surpreendente 5 a 3 em cima do Manchester United.

Os resultados colocavam a equipe em 7º lugar, com oito pontos. Mas a relativa confiança iria mudar completamente nas próximas semanas.

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Clive Rose Getty Images
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Após a vitória sobre o United, na 5ª rodada, o time ficou 13 jogos sem vencer. Foram 11 derrotas (seis consecutivas, entre as rodadas 13 e 18) e dois empates. Essa sequência negativa afundou os Foxes na última colocação da tabela. Já eram seis pontos atrás do primeiro time fora da zona de rebaixamento.

As próximas rodadas trariam algum alento. Uma vitória, fora de casa, contra o Hull City. Empate, também como visitante, diante do Liverpool. E mais uma vitória, em casa, sobre o Aston Villa.

Os resultados não eram suficientes para tirar o time da lanterna. Mas foi possível diminuir para três pontos a distância para fora da zona de rebaixamento. O problema é que, após essa pequena bonança, veio mais uma tempestade pesada.

Foram oito partidas consecutivas sem vitória. Seis derrotas (quatro seguidas) e dois empates. Com 29 jogos disputados, o Leicester tinha apenas quatro vitórias e 19 pontos. Estava sete pontos atrás do Sunderland, primeira equipe fora da zona de rebaixamento.
A volta do clube para Championship parecia uma questão de tempo. Com nove rodadas a serem disputadas, o campeonato entrava em sua reta final.

O fator Nigel Pearson

Mesmo com o time afundado na lanterna e, aparentemente, sem perspectivas de reverter a situação, o clube não demitiu seu treinador Nigel Pearson.

A imprensa chegou a noticiar que ela havia sido demitido, após a derrota para o Crystal Palace, na 24ª rodada. Na ocasião, o técnico discutiu com o jogador James McArthur, do Palace, chegando a colocar suas mãos no pescoço do atleta. O próprio Pearson acreditou que estava fora.

No entanto, o clube divulgou uma nota oficial afirmando que a demissão não passava de rumor infundado. O técnico continuaria até o final da temporada.

Tony Marshall Getty Images
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O fato de a diretoria do Leicester ter acreditado que a permanência de seu treinador era a melhor decisão para evitar o rebaixamento, mesmo que os resultados não apontassem para isso, foi interessante. Mas quais razões teriam convencido o clube a manter o técnico naquele momento?

Talvez um certo senso de gratidão fosse um motivo. Pearson estava em sua segunda passagem pelo Leicester. Em sua primeira vez como treinador do time, conquistou a League One (2008/2009). Em sua volta, a equipe conquistou a Championship (2013/2014), garantindo vaga na Premier League.

Mas é possível que a continuidade do trabalho de Pearson estivesse relacionado com o que se via em campo. É preciso lembrar que, mesmo com os resultados muito ruins, o Leicester fazia jogos duros e competitivos com praticamente todos os seus adversários. Não sofreu nenhuma goleada e não perdeu nenhuma vez por mais de dois gols de diferença.

É possível que a diretoria tenha avaliado que havia sinais que demonstravam que os resultados poderiam começar e melhorar. Pelo menos o suficiente para não estar entre os rebaixados daquela temporada.

Fato é que após a derrota por 4 a 3 para o Tottenham, na 29ª rodada (oitava partida seguida sem vitória), a sorte do Leicester mudou completamente.

A arrancada do Leicester para evitar o rebaixamento

A partir da 30ª rodada, o Leicester iniciou uma sequência de quatro vitórias consecutivas. A quarta, por 1 a 0, fora de casa, diante do Burnley, foi a que finalmente tirou o time da zona de rebaixamento. Os Foxes estavam entre os três últimos colocados desde a 12ª rodada.

A derrota na partida seguinte (3 a 1), em casa, contra o Chelsea, não tirou a equipe da 17ª colocação. As duas vitórias seguintes, contra Newcastle e Southampton, fizeram o time subir mais duas posições. A salvação estava próxima.

O empate por 0 a 0 contra o Sunderland, na penúltima rodada, foi o suficiente para que o Leicester abrisse quatro pontos de vantagem para o primeiro time na zona de rebaixamento. A permanência na Premier League estava confirmada.

A goleada por 5 a 1 diante do Queens Park Rangers, em casa, serviu como coroação da grande virada que o time conseguiu para evitar a volta à segunda divisão.

Dan Mullan/Getty Images
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Nas nove últimas partidas do campeonato, o Leicester venceu sete, empatou uma e perdeu outra, escapando do rebaixamento. Saiu da 20ª para a 14ª colocação. Os rebaixados naquela temporada foram Queens Park Rangers, Burnley e Hull City.

Com a vaga garantida na Premier League da temporada seguinte, mal poderiam esperar, o clube e seus torcedores, que o Leicester faria história, conquistando o título.

Tal história seria feita com muitos dos jogadores que participaram da campanha de 2014/2015. Entre eles, Jamie Vardy, Riyad Mahrez, Danny Drinkwater, Wes Morgan e Kasper Schmeichel.

O técnico Nigel Pearson não continuaria. Ele foi demitido ao final daquela temporada. Em nota oficial, o clube afirmou que o relacionamento entre Pearson e a diretoria não era mais viável. O italiano Claudio Ranieri foi contratado para a vaga.