O que leva o Leicester a ter mais um bom início de Premier League

Brendan Rodgers está perto de completar dois anos de trabalho e a sequência ajuda no ótimo desempenho até aqui

Leicester Premier League
Catherine Ivill/Getty Images

Desde que foi campeão da Premier League na temporada 2015/2016 sob o comando de Cláudio Ranieri, o Leicester virou a chave e se tornou uma “nova equipe”. Os olhos do mundo do futebol se voltaram para aquele time que desbancou Arsenal, Tottenham, Manchester City, Chelsea e Manchester United.

O que muitos achavam ser apenas um conto de fadas, uma temporada atípica, não se concretizou. Nas temporadas seguintes, os Foxes seguiram na mesma pegada. Se em alguns anos não brigaram diretamente por vagas em Liga dos Campeões e Liga Europa, ao menos incomodaram os times do Big Six.

Em janeiro de 2019, Brendan Rodgers, com passagens marcantes por Swansea City e Liverpool, deixou seu ótimo trabalho no Celtic da Escócia para retornar à Inglaterra. Na temporada 2019/2020, em alguns momentos chegou a ser o principal candidato a tirar o título do Liverpool. Contudo, os Reds estavam em uma daquelas jornadas nas quais nenhum time consegue bater o favorito.

Agora, em 2020/2021, Rodgers, Jamie Vardy, Kasper Schmeichel e companhia estão iniciando novamente de uma ótima maneira. Hoje, a PL Brasil vai te trazer um pouco sobre esse bom momento dos Foxes.

Os motivos que levam o Leicester a ter um novo bom início de Premier League

Mercado de transferências: as mudanças no poder de compra

Após a conquista da Premier League em 2015/2016, o Leicester começou a ter um poder maior no mercado de transferências. Isso não somente em valores financeiros, mas, também, no quesito de convencer atletas jovens e experientes a aceitarem seu projeto.

Se na temporada 2019/2020 Harry Maguire deixou os Foxes a peso de ouro, Ben Chilwell fez o mesmo agora em 2020/2021. O Leicester faz muito bem esse tipo de transferência. Investe em jogadores baratos e depois os vende por altas cifras, como foi o caso de N’golo Kanté em 2016/2017.

Mas, nas contratações, a equipe também começou a tirar a grana do bolso. Na janela do último verão europeu, Wesley Fofana foi contratado por 35 milhões de euros, Timothy Castagne, um dos destaques da campanha quadrifinalista da Atalanta na última Liga dos Campeões, chegou por 24 milhões de euros, e, por fim, Cengiz Ünder desembarcou no King Power Stadium por empréstimo. Os jogadores têm 19, 24 e 23 anos respectivamente.

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Na última temporada, outros nomes promissores e que agora começam a trilhar um caminho promissor no Leicester também chegaram por cifras não tão altas. James Justin deixou o Luton Town por 6,7 milhões de euros e se tornou uma peça importante nas ausências de Ricardo Pereira; Dennis Praet, mais um daquela geração promissora da Bélgica saiu da Sampdoria da Itália por 19,2 milhões de euros.

Em 2018/2019, o turco Caglar Söyüncü, com então 22 anos, deixou o Frieburg da Alemanha por 21,1 milhões de euros, um valor que pode ser considerado baixo tendo em vista o desempenho dele em campo. Não sentiu o peso de substituir Maguire quando este se transferiu ao Manchester United.

Foi também há duas temporadas que James Maddison, de 21 anos na época, deixou o Norwich City por 25 milhões de euros. O atual camisa 10 dos Foxes é uma das principais peças ofensivas da equipe, acumula convocações para a seleção inglesa e também gera muitos rumores em outras equipes.

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Os líderes

Já dizia um dos maiores ditados do futebol mundial: “Todo grande time começa por um grande goleiro”. No Leicester isso não é diferente. Kasper Schmeichel deixou de ser apenas o filho de Peter Schmeichel para se tornar um dos melhores em sua posição dentro da Premier League.

Aos 34 anos, o norueguês está em sua décima temporada com os Foxes. Já tendo superado a marca de 380 partidas pela equipe. Na última temporada, ele disputou todas as 38 partidas do campeonato e em 13 não sofreu gols. Em 2020/2021, em nove já são três sem ser vazado.

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Ainda na defesa, Caglar Söyüncü é quem mais se destaca. Na atual temporada disputou apenas quatro partidas da PL, contudo, tem uma média de 4,3 disputas de bola vencidas por jogo. O turco não sentiu o peso de substituir Harry Maguire.

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Passando para o setor de meio campo, dois nomes merecem destaque especial, Youri Tielemans e James Madison. O camisa oito é um dos jogadores mais participativos em campo. Podendo atuar em todas as posições do setor, Tielemans esteve em campo em nove jogos na atual Premier League e balançou as redes três vezes.  Ele tem ainda uma eficiência de 87% nos passes por partida.

Já o camisa 10, que joga tanto como meia armador como ponta esquerda, ainda não vive a melhor fase em números. Em sete jogos, sendo apenas dois como titular, marcou um gol. Madison sofreu com problemas físicos na última temporada e quando estiver com o melhor condicionamento, certamente será uma das principais peças. A queda de rendimento da equipe em 2019/2020 passou muito pela sua ausência.

Por fim, a peça mais importante da equipe, Jamie Vardy. Aos 33 anos, o veterano atacante inglês segue sendo um dos melhores em sua posição na Premier League. Na atual temporada já são oito gols em sete partidas, além de uma assistência. Muito do que o Leicester se tornou nos últimos cinco anos, Vardy esteve envolvido.

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A atual temporada

Ao bater o Wolverhampton no King Power Stadium no último dia 8 de novembro, o Leicester de Brendan Rodgers assumiu a liderança da Premier League. Com então seis vitórias e duas derrotas, os Foxes contavam com uma das melhores defesas da competição, tendo sofrido apenas nove gols. Em contrapartida, o ataque é o terceiro melhor, com 18 gols marcados.

Na atual temporada, Rodgers tem variado o esquema da equipe. Em muitos jogos, tem sido comum ver uma linha com três zagueiros, Fofana, Evans e Fuchs – substituindo Söyüncü lesionado. Uma primeira linha de quatro no meio, na qual Tielemans e Nampalys Mendy fazem as vezes de volante, com Justin e Castagne abertos pelos lados como alas. A segunda linha de meio costuma ter Madison e Praet, com Vardy no ataque. O esquema é uma adaptação do 3-5-2.

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Contudo, um 5-4-1 também pode fazer parte dos esquemas de jogo dos Foxes. Foi assim no dia 27 de setembro quando goleou o Manchester City no Ettihad Stadium por 5 a 2. Naquela ocasião a equipe foi a campo com Schmeichel; Castagne, Amartey, Evans, Söyüncü e Justin; Praet, Tielemans, Mendy e Barnes; Vardy. O Leicester até saiu atrás logo aos quatro minutos, porém, com um hat-trick de Vardy e gols de Maddison e Tielemans, a partida ficou fácil no segundo tempo.

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Catherine Ivill/Getty Images

Outro confronto contra equipes do Big Six que chamou atenção foi contra o Arsenal em 25 de outubro. Com um 3-5-2, no qual Barnes iniciou fazendo de falso nove, o Leicester teve calma para amarrar a partida. Aos 80 minutos, após sair do banco, Vardy deu a vitória por 1 a 0.

Os comandados de Brendan Rodgers ainda golearam o Leeds United fora de casa em 2 de novembro. Em uma partida que teve somente 32% de posse de bola, os Foxes jogaram no erro do adversário.

No dia 22 de novembro, o Leicester visitou o Liverpool em Anfield Road. Com um gol contra de Jonny Evans e bolas na rede de Diogo Jota e Roberto Firmino, os Reds venceram por 3 a 0. Com isso, os Foxes caíram para a quarta posição, pois pontos atrás de Tottenham e Liverpool.

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Mesmo assim, com um trabalho que está chegando próximo aos dois anos de continuidade, o Leicester tenta novamente surpreender na Premier League. Ou melhor, reconquistar o torneio, afinal, seu poder dentro e fora de campo já está mais do que comprovado.

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