O que nunca te falaram sobre Gerrard e Lampard na seleção inglesa

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Que uma das maiores gerações da história do futebol inglês teve grande sucesso nos seus clubes, mas fracassou na seleção é senso comum. Lampard, Gerrard, Rooney, Scholes, Ferdinand, Terry … muitos jogadores talentosos em campo pela Inglaterra, mas nada de troféu, nem final disputada. Mas o que muita gente não lembra é que, pelo menos quanto aos meio-campistas e ídolos de Chelsea e Liverpool, foram poucas competições disputadas pela dupla lado a lado.

Nos grandes torneios, Lampard e Gerrard atuaram juntos no meio-campo da Inglaterra apenas em 14 oportunidades sendo quatro edições. Destes, 10 foram em Copas do Mundo (5 em 2006, 4 em 2010 e 1 em 2014) e quatro na Eurocopa (2004). Eles foram titulares juntos 12 vezes. A grande maioria das partidas em que os dois jogaram aconteceu em amistosos e eliminatórias.

Dupla Gerrard e Lampard mal jogou em Copas do Mundo

Na Copa do Mundo 2002, a primeira chance dos dois atuarem juntos, o ídolo do Liverpool, com apenas 21 anos, foi cortado. Ele se lesionou na última rodada da Premier League 2001/2002 e ficou fora já que o tempo de recuperação da lesão muscular na coxa era de seis semanas.

Ele se consolidava como um dos bons nomes da seleção, inclusive tendo marcado um belo gol no atropelo da Inglaterra sobre a Alemanha por 5 a 1, em Munique, em 2001.

Lampard nem foi convocado. Ele teve boa temporada e sua atuação na final da FA Cup contra o Arsenal foi bastante elogiada. Mas o garoto de 23 anos perdeu a concorrência para atletas mais experientes. Ficar fora da seleção em um torneio tão importante mexeu com o meia, como ele revelou em várias entrevistas.

“Fiquei chateado por perder a Copa do Mundo e não queria ter aquela sensação de novo”, disse a repórteres às vésperas do Mundial de 2006.

A Copa da Alemanha enfim foi a primeira de Gerrard e Lampard juntos. Mas a escalação contou com mudanças em quase toda a campanha. Beckham, Lampard e Gerrard montaram o trio de meio-campistas na estreia contra o Paraguai e na segunda rodada diante de Trinidad e Tobago.

No fechamento da fase de grupo, Hargreaves começou jogando na vaga de Gerrard, que só entrou nos 20 minutos finais do empate em 2 a 2 com a Suécia. Na fase seguinte, o técnico Sven-Goran Eriksson alternou taticamente o time para quatro atletas no meio. Beckham, Carrick, Gerrard e Lampard começaram jogando e ajudaram a Inglaterra a bater o Equador por 1 a 0.

No complicado duelo contra Portugal, novo ajuste na escalação. Sai Carrick e entra Hargreaves. A equipe foi a campo com Robinson; Neville, Terry, Ferdinand e Ashley Cole; Hargreaves, Beckham, Gerrard e Lampard; Joe Cole e Rooney. Na disputa de pênaltis, Gerrard e Lampard escolheram o mesmo canto nas cobranças nada precisas e facilitaram as defesas do goleiro Ricardo.

Em 2010, Gerrard virou capitão depois que o então dono da braçadeira, Rio Ferdinand, se lesionou. Na estreia contra os Estados Unidos, atuou com Lampard e Milner no meio e anotou o único gol inglês da partida no frustrante empate em 1 a 1.

Diante da Argélia, em um fraco 0 a 0, Gareth Barry fez a função de “5” ao lado das lendas de Chelsea e Liverpool. Já na vitória magra sobre a Eslovênia, o trio no meio virou quarteto com Barry, Milner, Lampard e Gerrard. Os quatro jogadores voltaram a ser titulares na sofrida goleada para a Alemanha por 4 a 1 nas oitavas de final no jogo marcado pelo frango do goleiro Green e do gol mal anulado do ídolo do Chelsea.

Já em 2014, no Brasil, os dois não começaram juntos nenhuma partida da péssima campanha inglesa, que terminou na lanterna do seu grupo, com um empate e duas derrotas. Eles atuaram apenas por 17 minutos no frustrante empate com a surpreendente Costa Rica.

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Sem sucesso em Eurocopas

Em Eurocopas, só podemos apreciar os dois em uma delas. Na Euro 2004, o meio-campo inglês titular foi formado por quatro jogadores: Scholes, Gerrard, Lampard e Beckham. O quarteto atuou junto em todas as partidas da competição.

A equipe foi dolorosamente eliminada pelo anfitrião Portugal nos pênaltis em uma grande partida nas quartas de final. Metade dos 10 gols do time na campanha saíram de três dos quatro meio-campistas (Lampard fez três, enquanto Scholes e Gerrard marcaram um cada).

A reedição da dupla, no entanto, nunca aconteceu na história da competição. Na Eurocopa de 2008, a Inglaterra não se classificou. Quatro anos depois, a dupla não atuou junto, já que apesar de Gerrard ser chamado, o ídolo do Chelsea foi cortado por lesão da lista, sendo substituído por Jordan Henderson.

Faltou alguém no meio-campo?

Um dos problemas enfrentados era a montagem e organização do meio-campo. Para Lampard, o grande problema da Inglaterra foi a ausência de um meio-campista mais marcador para atuar com Gerrard na seleção.

“Olhando para trás não consigo entender por que não jogamos com três jogadores no meio-campo. Eu jogaria (além de mim e Gerrard), com Carrick, Hargreaves ou Scholes. Quando jogávamos sem um meio-campista mais marcador, eu e Gerrard tínhamos que nos preocupar para saber onde o outro estava. A pior coisa é quando você pensa duas vezes na hora de fazer uma jogada. O futebol é muito rápido”, analisou em 2018, em entrevista ao “Daily Mail”.

Pedro Ramos
Pedro Ramos

Editor da PL Brasil entre 2012 e 2020 e subcoordenador na PL Brasil desde 2023. Passagens pelo jornal Estadão e o canal TNT Sports. Formado em Jornalismo e Sociologia. Ex-pesquisador do GEMAA (Grupo de Estudos Multidisciplinar da Ação Afirmativa).

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