O maior reforço para o Manchester City é ter Kevin De Bruyne saudável

Meia belga é um dos principais nomes do time de Pep Guardiola

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Kevin de Bruyne Manchester City Premier League Shaun Botterill Collection Getty Images Sport
(Crédito: Shaun Botterill Collection Getty Images Sport)

Nesta temporada, ao que tudo indica, o Manchester City poderá ter Kevin De Bruyne saudável. O camisa 17, em 2018/19, teve três lesões que o tiraram dos gramados, fazendo com que ele jogasse apenas 23 jogos entre Premier League e Champions League.

O atleta, considerando as duas competições acima citadas, marcou apenas dois gols e concedeu seis assistências; números baixos, fruto das poucas partidas jogadas e da consequente falta de ritmo.

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Ainda assim, o time de Pep Guardiola foi muito consistente e sagrou-se campeão de tudo na Inglaterra, além de por pouco não ter chegado às semis da Champions.

Recuperado, o atleta participou de toda a pré-temporada e já tem feito a diferença dentro de campo. Em apenas quatro jogos de Premier League, cinco assistências e um gol na conta do belga. O City, que não trouxe reforços para o setor ofensivo, “ganha” mais uma peça para o seu arsenal.

Para analisar a influência do belga dentro de campo, nós, da PL Brasil, analisamos a influência dele em todas as fases de jogo. Além disso, coletamos os números dele por Premier League e Champions League – competições foco do clube – desde a chegada de Pep Guardiola.

Os números da última temporada não foram levados em conta, haja vista o baixo número de jogos, o que geraria uma análise com baixa amostragem.

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Como ele atua?

De Bruyne
Kevin de Bruyne em ação contra o West Ham (Shaun Botterill/Sport/Getty)

Meio-campista, De Bruyne possui como característica a sua versatilidade. Consegue contribuir na marcação jogando um pouco recuado na linha de meio-campo; atua muito bem quando é deslocado pelos flancos, principalmente como meia-direita; e em destaque, a sua atuação como típico camisa 10, atuando como um meia-atacante que participa de todas as fases do jogo.

Extremamente criativo, destaca-se pela técnica apurada. Com 1,81m de altura, ele não deixa de ser um jogador veloz, o que contribui para que ele atue com facilidade em mais de uma área do campo.

KDB sempre está dentro do jogo. Detentor de um alto nível de concentração, tem boa participação defensiva, principalmente como peça que exerce a pressão alta – uma das características do estilo de Pep, o que faz dele peça-chave no elenco.

Além disso, arma com a precisão de poucos e possui no chute de longa/média distância uma das suas principais características. Também encontra no drible, na bola parada e nos cruzamentos armas fortes para criar chances fatais. Em suma, Kevin De Bruyne é um atleta completo.

Na defesa

de Bruyne
Belga em trabalho defensivo contra o Bournemouth (Glyn Kirk/AFP/Getty)

Obviamente, a atuação defensiva de De Bruyne não é a sua maior virtude. Ainda que participe muito da marcação, ele não é detentor de grandes números neste quesito. Isso porque a sua importância é muito mais tática como peça de um conjunto do que necessariamente um homem marcador.

Em números, teve em 2016/17, somando PL e UCL, média de 2.9 desarmes por jogo; 1.8 interceptações; duas faltas e três dribles sofridos. Já em 2017/18, 3.3 desarmes; 2.2 interceptações; 1.9 faltas e 3.4 dribles sofridos.

A partir dos números, enxerga-se um jogador que se entrega na marcação. No entanto, pelo alto índice de faltas cometidas e dribles sofridos em detrimento das ações de defesa, compreende-se que Kevin peca na execução.

Todavia, isso não chega a ser um defeito para ele. Toda essa intensidade faz parte dos ideais do seu treinador – e o empenho implicado por ele é crucial. Isso porque o City é um time que deseja a posse a todo momento, e quando não a detém, pressiona o adversário até possuí-la.

Com muita aplicação, De Bruyne é um dos responsáveis por realizar a pressão de Pep no campo de defesa adversário com intensidade. Sendo assim, não é necessário que detenha números estrondosos, pois o seu papel principal em campo não é este, mas o executa em bom nível e beneficia o conjunto dos Citizens.

No ataque

Durante a fase ofensiva, podemos ver o meio-campista do City exercer a sua maior influência dentro de campo. Detentor de basicamente todas as qualidades de um atleta ofensivo – ágil, driblador, passador e finalizador – o camisa 17, saudável, possui números que destoam no cenário mundial.

Ele não só cria chances para os companheiros com eficácia, como também as define. Aliado a mentalidade do seu treinador de sempre atacar e ter a posse, produz com muita consistência chances que mudam o jogo.

Em 2016/17, teve sete gols marcados e 19 assistências num total de 42 jogos. Participação direta em 26 gols. Ou seja, KDB esteve envolvido de forma protagonista em um lance que originou gol em mais da metade dos jogos da primeira temporada de Pep.

Além disso, 4.1 chutes por jogo; 4.4 passes chave; 2.7 dribles executados e 2.3 faltas sofridas. 96.1 passes executados por jogo, com média de 83% nos acertos. 3.1 cruzamentos e 4.8 lançamentos de média.

Durante 2017/18, nove gols e 20 assistências em 45 partidas. Total de 29 participações em gols. Novamente ultrapassando a metade das partidas jogadas, exercendo influência direta na criação ofensiva.

Em números, 4.6 chutes por jogo; 4.5 passes chave; 3.8 dribles efetuados e 2.3 faltas sofridas. 144 passes por partida, repetindo a média de 83% de acerto. Novamente com 3.1 cruzamentos e 7.9 lançamentos.

Ele não só contribuiu sendo protagonista, como aumentou seus números de forma exponencial. Em um conjunto mais encaixado, Kevin foi peça-chave na histórica campanha de 100 pontos dos Citizens. Ele é o atleta que realiza tudo o que o treinador deseja, e ainda entrega mais.

Frente o Big 6

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de Bruyne domina a bola sob o olhar de van Dijk (Adrian Dennis/AFP/Getty)

Neste último tópico, a abordagem passará por jogos frente os maiores times da liga onde o atleta teve participação fundamental. Uma vez que, não bastasse toda a regularidade durante as temporadas, KDB ainda possui como característica o protagonismo em jogos grandes.

Manchester City 5×0 Liverpool – 2017/18

Ainda sem Van Dijk e Alisson, o Liverpool foi presa fácil para o City. Com volume de jogo imparável, foram extremamente superiores aos Reds no Etihad e golearam tranquilamente. Muito dessa facilidade, logicamente, passou pelos pés do jogador aqui em análise.

Mesmo sem marcar sequer um dos cinco gols da partida, foi o melhor em campo e recebeu 8.9 de nota do site WhoScored.

Deu dois chutes, sendo um em direção ao gol. Três passes-chave, sendo que dois geraram assistências para os companheiros, além de três faltas sofridas. Foram 52 passes no jogo, com 78.9% de precisão. Oito cruzamentos, sendo cinco corretos; três lançamentos e todos com eficácia perfeita.

Com versatilidade e precisão, fez o que um playmaker como ele precisa fazer. Diante de um gigante, criou as melhores chances para o seu time, colaborou para o perfeito funcionamento do plano de jogo e executou o adversário.

Manchester City 4×1 Tottenham – 2017/18

Neste duelo, contrário ao anterior, De Bruyne marcou um dos gols da vitória. Entretanto, não efetuou nenhuma assistência na partida. Ainda assim, recebeu 9.8 de nota no WhoScored, sendo eleito o melhor em campo pelo site.

Mesmo sem ter participado diretamente de três gols, o belga conseguiu ser o destaque do embate. Isso porque, KDB teve, em 79 toques na bola: dois chutes, sendo ambos no gol; seis passes chave e precisão de 72.3% nos passes, executando 47 durante a partida.

Dentro do contexto o confronto com o Spurs, vemos que o meia consegue ser influente no jogo tanto diretamente quando indiretamente. Além das chances criadas para os companheiros e os gols marcados, Kevin normalmente é o atleta responsável pelos passes que antecedem à assistência, conhecido como “segundo passe”.

O jogo gira em torno dele, e a bola sempre passa pelos seus pés até chegar ao gol. Se não for o responsável pelo gol ou assistência, provavelmente é quem serve ao passador, ou quem inicia a jogada em si. Dessa forma, mesmo sem ter participação direta, a sua influência indireta foi vital para o sucesso no duelo.

Chelsea 0x1 Manchester City – 2017/18
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Belga em partida contra o Chelsea (Adrian Dennis/AFP/Getty)

Contra o forte sistema defensivo daquele Chelsea de Antonio Conte, o City teve uma das vitórias mais importantes da histórica temporada. Em dado momento, parecia que o time poderia pressionar o quanto fosse necessário e o gol não iria sair. Porém, graças ao vasto talento do meio-campista, os Citizen foram vitoriosos.

De Bruyne, em um chute de média distância, utilizando sua perna esquerda, marcou um golaço em Stamford Bridge, o gol necessário para a vitória. Em apenas um lance, duas virtudes: a facilidade em utilizar a perna teoricamente fraca e a alta precisão nos chutes de fora da área.

Dos 88 toques que deu na bola, deu 62 passes e teve 85.5% de precisão no quesito. Efetuou seis passes chave e tentou 10 cruzamentos, acertando quatro. Em chutes, foram dois, ambos ao gol.

Mesmo em situações adversas, contra grandes adversários, ele cria. Incansável, tenta o jogo inteiro proporcionar chances aos companheiros para que marquem gols, também sempre arriscando seus próprios chutes.

Em um time que não possuísse Kevin De Bruyne, a partida poderia terminar empatada com toques de injustiça, haja vista a pressão dos visitantes. Todavia, com ele em campo, um lindo gol aconteceu, e mais uma brilhante faceta do craque belga pôde ser desfrutada.

Manchester City 3×1 Arsenal – 2017/18

No último jogo escolhido para esta análise, o tipo de vitória que o City construiu com naturalidade. Sem dificuldades, derrotou o Arsenal e contou com um gol de KDB.

Neste embate em questão, foram dois chutes, ambos no gol e dois passes chave. Em 85 toques na bola, 57 passes executados, com 71.9% no quesito; quatro cruzamentos, sendo dois certos. Aqui, não são os passes ou chutes do atleta que chamam atenção, mas sim uma outra característica: o drible.

Durante a construção do resultado, executou cinco e sofreu apenas uma falta. Apesar de ter ido abaixo nos números onde ele normalmente destoa, abriu espaços e quebrou as linhas adversárias através das fintas.

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Duelo de meias: KDB x Özil (Shaun Botterill/Sport/Getty)

A partir disso, temos noção completa do impacto que esse atleta consegue causar. Seja em dribles, passes ou chutes, ele será letal para o adversário. Neutralizá-lo é uma tarefa para poucos, e o nível de contribuição dele dentro de uma mesma partida – em diferentes âmbitos – é extraordinário.

Grandes atuações de Kevin são costumeiras, o nível que acostumou a todos o coloca entre os melhores do mundo. Se agora em 2019-20 não sofrer com lesões, com certeza será fundamental para tornar o atual Manchester City ainda mais imbatível.

Como já citado, em apenas quatro jogos, possui cinco assistências e um gol na conta. É apenas o começo do que pode ser uma das melhores temporadas do atleta. Saudável, Kevin De Bruyne é o maior reforço do clube para a temporada.